Festa da Carne sem Carne

February 13, 2005  |  Dia a dia

Ao sopé da Serra da Mantiqueira, a 20 quilômetros de Pindamonhangaba, se localiza um verdadeiro paraíso de paz, alegria e beleza. Onde mais eu poderia passar meu carnaval?

Se não me engano foram uns 16 anos desde que eu e meu irmão Paulo de Albuquerque fomos ao já extinto templo Hare KrshnaHoje na Rua Vilhena de Morais, 309, Barra da Tijuca. do bairro da Glória.

Lembro-me que o lugar era absolutamente adorável e que era difícil não simpatizar tanto com os tranquilos devotos quanto com o movimento em si.

Naquela época estudava muito acerca das religiões, seu papel na sociedade e sua importância para o indivíduo. Não sendo eu mesmo religioso, era complicado para alguns devotos de outras religiões não acharem um tanto incômoda a minha presença, entretanto nada disso parecia importar para os Hare Krshna.

Aprendi muito na leitura do segundo livro mais traduzido do mundo, o Bhagavad-Gita, como aprendi muito ao ler a Bíblia.

À época eu ouvira falar de Nova Gokula, entretanto não imaginava que algum dia teria a oportunidade de visitar o lugar.

Nova Gokula é uma comunidade na qual os devotos constroem suas casas e desfrutam, com suas famílias, de uma “vida simples com pensamento elevado” – como eles mesmos diriam. Trata-se de uma vila de devotos residentes dentro de um terreno belíssimo que se integra a área de proteção ambiental da Serra da Mantiqueira e que dá lugar aos belos ritos praticados por eles no magnífico tempo erigido em honra a Krshna.

Eu e minha namorada na época – que comemorou o aniversário lá mesmo – tivemos a oportunidade de ficar em um chalé distante dos outros, de frente para um lago, ao lado de um rio e de costas para um bosque. Para chegar ao chalé era preciso cruzar uma pequena ponte e, de noite, só a luz da Lua e das estrelas iluminava nosso caminho.

Havíamos fechado um pacote de viagem que incluía palestras, aulas de Yoga, instruções de meditação de diferentes tradições e toda sorte de outras diferentes atividades envolvendo Ayurveda, Xamanismo e muitas outras práticas e religiões com as quais tínhamos ou não afinidade ou curiosidade.

Apesar do perfil Nova EraNew Age: diz-se do comportamento de um grupo de pessoas que se dedica a prática de ritos ou cultos místicos de outras culturas ou da própria, sem distinções. do passeio, quem me conhece um pouco mais – ou lê este blog de vez em quando – sabe que respeito profundamente tradições religiosas, filosóficas ou científicas, identificando nelas mérito em vários níveis e entendendo como irrelevante as indisposições individuais minhas ou de qualquer um para com tais tradições.

O fato é que foi uma delícia passar estes cinco dias lá, foi maravilhoso comer da comida lacto-vegetariana condimentada que aquela gente simpática fazia para nós e foi fantástico praticar Yoga e Meditação no chão de um dos templos que nos cederam para usar, enquanto o Sol despontava por detrás das montanhas e a brisa da manhã nos fazia sorrir sem sentir.

Enquanto fazíamos os AsanasPosições ou exercícios usados na prática de Yoga, pavões andavam pelo gramado e, volta e meia, um bezerrinho resolvia se deitar para admirar aquela gente louca e suas macaquices.

Foi um carnaval de sonho e longe de tudo – nada que o Band Folia
Sim… eles mesmos!
não tenha tentado estragar ao querer entrevistar pessoas no meio da prática de Yoga (acreditem!) – e um exercício de desapego que abraçamos com deleite e tranqüilidade.

Fotos? Bom… levamos a câmera, mas esquecemos o módulo de memória CompactFlash, o que não nos permitiu fotografar. Mas, depois dessa injeção de paz de espírito e hospitalidade, fiz as pazes com a câmera do meu celular sem sinal e tirei umas poucas poses. Ok, ficaram mesmo parecendo aquelas fotos desfocadas que tiram de discos voadores e nada se vê. Prometo voltar lá com uma máquina fotográfica melhor!

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