Se existe de fato rivalidade entre paulistanos e cariocas, não percam tempo procurando por lá. A cidade transpira uma hospitalidade reconfortante e uma vivacidade preguiçosa e contagiante.
Tenho tanta sorte em meus projetos orientados aos caminhos no lugar das metas que começo a me questionar se este viés não é mais adequado que as alternativas.
Garça, para mim, não era mais que um ponto no mapa, um ponto insuspeito entre Bauru e Marília, a doze horas de viagem, a dois semi-leitos de distância.
Ainda não sabia se saltaria em Bauru, se continuaria até Marília ou mesmo se me encantaria por Lençóis, mas estava decidido a saltar onde quer que minha indecisão me permitisse, depois de papear com uma meia dúzia de completos estranhos pelo caminho.
Não havia intenção nenhuma em ser preciso nem qualquer necessidade, quando saí, no dia 11 de Novembro. Deixei a lança da objetividade na mesa do escritório, junto com o escudo das justificativas e a armadura do método.
Fácil não foi: foram seis horas no semi-leito da 1001 até a Rodoviária Tietê; a permanência em São Paulo até que o Expresso de Prata abrisse, no dia seguinte, na Rodoviária de Barra Funda; mais seis horas de São Paulo até Garça.
Não saltei em Bauru, não continuei até Marília… ao invés disso dei uma chance para essa cidadezinha graciosa e pitoresca de quarenta mil habitantes e de poucos prédios de apartamentos.
No simpático Santa Maria Park Hotel eu soube do novo point da cidade, que fui checar despretensiosamente para acabar encontrando um bistrô que nada deixava a desejar à uma Prefácio de Botafogo ou a um Café Esch do Centro da Cidade do Rio de Janeiro.
Os donos, João Carlos e Ricarda – gente da melhor qualidade – haviam inaugurado o Antiquarius Bistrô dois dias antes, vinham de Tupã e tinham conseguido montar um lugar de arquitetura e decoração aconchegantes, bar irretocável, boa comida, simpático atendimento e ótima freqüência.
Tanto que conheci Leandro Castilho, Francisco Neto, o “Colombiano” e suas respectivas. Influentes e muito gente boa, me levaram pra conhecer o Postão – ponto de encontro dos jovens garcenses – e me colocaram para dentro do Baile do Hawaii, uma festa com gente das cidades próximas, embalada pela banda Capitão Mamão (muito legal) no mais movimentado fim de semana do ano em Garça!
Todas as surpresas foram deliciosas em Garça, desde do suntuoso lago artificial J.K.Williams, passando pelo Bosque Municipal - de 18 hectares de Mata Atlântica! - que o ladeava até o enorme campo verde onde a prefeitura montara a concha acústica para um respeitável show de Rock.
Conheci gente muito simpática e divertida, como o Francisco Junior – da Divisão de Turismo, e que me ajudou na escolha do hotel e da empresa de ônibus; pessoas profundas e boa praça, como o Mário, que me acompanhou numas cervejas no bistrô; grupos risonhos e solícitos, no Departamento de Polícia de Garça; e uma menina inteligente e interessante, Lyna Covolan, que era tão novinha quanto bela e boa de papo.
Foram três dias em Garça. Três dias incomuns, significativos e deliciosos. Dias de saudade de quem ficou no Rio, de uma solidão gratificante e de encontro comigo mesmo.
Em minha última noite me foi dado um presente maravilhoso: assistir a um sensacional show de uma promissora banda chamada Phoma, arrasando no Tênis Clube de Garça, tocando de “Guns & Roses” até “System of a Down”.
Pitoresca e animada, hospitaleira e interessante, Garça não é só uma recomendação em Julho – na Festa das Cerejeiras; em Novembro, quando acontece o Baile do Hawaii; no ano inteiro pra visitar suas 80 cachoeiras; mas uma ótima recomendação sempre que se desejar olhar pras outras cores dessa aquarela, quando se tem a intenção de conhecer um pedacinho diferente do Brasil e quando se precisa procurar a si mesmo.













Novembro 25th, 2005 at 5:35 pm
Interior de São Paulo?
Hmmm…
Acho que você não conheceu o que de melhor o “Colombiano” tinha para oferecer…
Novembro 25th, 2005 at 8:20 pm
Qndo vamos nos encontrar???? Pode ser semana q vem?
Dezembro 5th, 2005 at 3:34 pm
Bruno. Sou guitarrista da PHOMA, banda a qual vc se referiu nesse tópico. Creio que tenha sido vc quem encontrei no bar um pouco antes de começar a apresentação.
Fiquei muito feliz com os comentários dirigidos a nossa banda, e é em nome de todos que agradeço.
Muito obrigado e até a próxima!
Dezembro 14th, 2005 at 8:22 pm
fico mto legal esse texto sobre garça..
Bjus
Janeiro 29th, 2007 at 5:03 pm
Sou garcense e não poderia deixar de agradecer as lindas palavras que dirigiu a minha cidade e nossa gente.
Garça é a Santa Terrinha, para onde todos aqueles que sairam por algum motivo, acabam voltando um dia.
Para mim… é uma ilha…que temos que preservar e principalmente manter a hospitalidade, o respeito ao próximo, a generosidade.
Obrigada Bruno e volte sempre.