O Futuro da Imagem

Julho 23, 2008  |  Futuro

Os dias estão contados, para os olhos revirando quando Hollywood mostra personagens, em filmes, fazendo absurdos tratamentos em imagens de computador.

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Lembro de Jorge Luiz Calife – que escrevia para a coluna científica do Globo – falando que era um total absurdo anti-científico a roupa do Predador, no filme da Fox. Ele via assim a questão porque não conseguiu conceber outra forma de criar um traje daquele tipo a não ser tornando-o capaz de curvar a luz em torno do objeto, o que gastaria uma proibitiva quantidade de energia para gerar um monstruoso campo magnético.

Já naquela época eu e o Maron nos perguntávamos se não “bastaria” uma tecnologia que exibisse de um lado do traje aquilo que fosse captado do lado diametralmente oposto do traje… e é assim que alguns projetos militares pretendem escapar de precisar curvar a luz.

É um erro e tanto impor limites científicos a questões que se resolvem no âmbito da engenharia. A tecnologia suficientemente avançada parece mágica para quem detém menos tecnologia justamente por isso. Porque quem detém menos tecnologia desconhece o processo utilizado.

Eu mesmo sempre fui muito cético quanto ao tratamento de imagens automático, ampliação de fotos para tamanhos superiores ao de fotos originais e manipulação tridimensional de fotos bidimensionais, mas os vídeos abaixo dão uma idéia de quão avançadas estão as pesquisas que usam de avaliação preditiva, extrapolação ponderada e, enfim, matemática, para modificar, com um mínimo de intervenção humana, imagens fotográficas simples.

Tridimensionalização de Imagem

Os algoritmos desenvolvidos na Universidade Carnegie Mellon garantem a tridimensionalização automática de imagens, baseada na análise por computador de linhas de contraste depuradas a partir da imagem original. A navegação pela imagem em 3D é possível dentro dos limites da informação encontrada pela máquina.

Redimensionamento por Magnitude de Importância

A tecnologia abaixo garantiria não só a alteração de imagens, mas comunicação digital via diferentes dispositivos sem perdas na diagramação e aproveitando o potencial de cada dispositivo. Relógios com telas minúsculas poderiam se beneficiar tanto desta tecnologia quanto telas WideScreen.

Chronotopic Anamorphosis (Atualização)

Desenvolvido por Arlindo Machado, o programa responsável pelas imagens abaixo funciona através da fragmentação da imagem em linhas horizontais, distribuindo-as em diferentes quadros. Baseado no livro “The Fourth Dimension”, de Zbigniew Rybczynski, o software distorce as imagens em tempo real e não depois de um pós-processamento.

Fico me perguntando em quanto até o momento nos fiamos na imagem, naquilo que percebemos e como futuras gerações vão se relacionar com a imagem no futuro, sem poder se fiar nas imagens como um referencial sólido e confiável.

Ainda que tenhamos, hoje, inúmeras publicações e material alvo de retoque fotográfico via PhotoShop, um futuro onde uma imagem apresentada numa tela foi automaticamente gerada por computador, é um mundo todo novo. A foto que se está vendo jamais foi tirada de fato e nossa referência, a imagem, pode ter sido modificada de forma muito mais radical do que é possível hoje, atendendo interesses dos mais diversos.

Será que a condição de não mais ser capaz de se fiar na imagem vai mudar o homem de alguma forma? Será que nossa visão do mundo vai mudar muito, sobretudo já que é da natureza da visão perceber justamente a imagem que não mais é leal aos fatos? Se não só as imagens publicadas digitalmente, mas as impressas e as projetadas não forem mais fiéia, como o Homem passará a perceber o mundo?

É inevitável esse futuro de “insanidade” virtual e ele demanda uma Ética totalmente diversa na produção e distribuição de subjetividade…

…O futuro é, basicamente, um Admirável Mundo Novo[bb]!

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