Hitler não foi um Monstro

January 8, 2010  |  Como vejo o mundo..., Conspirações

…e seria lamentável se acreditássemos que foi.

Pode parecer chocante a afirmação, contudo há um motivo muito bom para que não acreditemos que Hitler era um monstro, uma aberração ou uma anomalia: não podemos deixar que isso aconteça novamente.

Acreditar que um tirano seja algo diferente de nós mesmos é desconhecer a História e tentar achar uma explicação simples para entender algo sem se dar ao trabalho de estudar o indivíduo e sua ideologia.

Hitler não chegou onde chegou devido a ser uma criatura maléfica, mas justamente através do constante discurso carismático e equivocado que oferecia explicações simples, auto-indulgentes e que apelavam para o orgulho daqueles que os conheciam e, mais tarde, de toda a população alemã.

As crenças de Hitler estavam profundamente enraizadas nas ideologias propostas por autores conhecidos e conceituados na época – em alguns casos mal interpretados – que professavam a importância do ideal nacionalista, do patriotismo, da legítima possibilidade de a miscigenação ocasionar problemas genéticos, da idéia de que a Igreja Católica minava a cultura germânica, da noção de que os outras raças não eram confiáveis por natureza e de que tinham agendas prejudiciais para o povo alemão e a crença de que a herança genética alemã vinha diretamente dos fundadores de Atlântida.

Este é o estrago que ideologias podem fazer. Ao tecer uma colcha de retalhos e fazer com que cada pedaço cumpra uma função, o padrão emergente pode se fazer parecer coerente e atraente, sobretudo se este adula ao mesmo tempo que culpabiliza terceiros de forma simplista pelos problemas complexos sobre os quais ninguém deseja pensar longamente depois de um dia estafante de trabalho.

Cada elemento utilizado pelo regime do Reich não foi mais que uma ferramenta e ferramentas podem ser usadas de muitas maneiras. Hitler, a todo momento alardeava o Socialismo, o Patriotismo e a Ordem como sendo elementos importantes para o povo alemão, e não era mentira! Mas é possível contar uma grande mentira repetindo um conjunto interminável de verdades.

Dificilmente uma população é capaz de perceber os absurdos sócio-político-culturais que estão sendo empreendidos bem diante de seus narizes, sejam eles sacrifícios humanos, a inquisição, a escravidão, o assassínio, o desfiguramento, a plástica ou qualquer prática que transforme um grupo em parte do problema e outro em parte da solução – digamos – como separar pessoas gordas de pessoas magras, fumantes de não fumantes, comedores de carne de vegetarianos ou “pessoas feias” de “pessoas bonitas”.

O próprio leitor, ao ler o parágrafo acima, pode ter achado que são maus exemplos, no entanto, acreditem, todos eles são exemplos válidos e legítimos… e não só porque eu quero que sejam!

Acontece que é nas questões polêmicas, de um modo geral, que reside a monstruosidade e não no Partido Alemão Social-Nacionalista dos Trabalhadores (Nationalist Socialist German Workers Party – NAZY)

Ao esquecermos que dilemas morais vão existir sempre e ao escolhermos um dos lados como sendo o correto, se temos em nossas mãos o poder, acabamos por se injustos com toda uma corrente ideológica e, arbitrariamente, punimos a classe desfavorecida, por vezes fazendo-a mudar de vida (o que já é questionável moralmente) ou, por vezes, gerando uma tensão social desnecessária e que, caso continuemos o processo, vamos acabar reprimindo por força do poder executivo.

Fumar faz mal ao fumante, não se tem total certeza se faz mal ao não fumante – embora os incomode – no entanto, cada vez mais, criamos dificuldades para que o fumante fume em público o produto que nós (o Estado) o incentivamos a comprar por não proibirmos sua venda e por recebermos os impostos sobre sua comercialização.

Pior ainda, hoje, se o fumante fuma em um estabelecimento comercial, com o fumante nada ocorre, mas o dono deste estabelecimento é culpabilizado, não tendo ele cometido qualquer delito, uma vez que só se deveria julgar os indivíduos pelos seus atos. Tensão social desnecessária.

Proibir o cigarro? Isso poderia criar um mercado negro… tráfico…

É um cobertor curto pelo simples motivo que é um dilema. Dilemas serão sempre dilemas. Pode-se sim assumir uma política forte de combate ao cigarro, é claro, contudo, é curioso não havia tantas reclamações quanto ao consumo de cigarros há 15-20 anos atrás. É curioso que pais que fumaram por 20 anos agora digam para seus filhos que não fumem e que se argumente que cigarros dão câncer, quando todos sabiam muito bem que cigarros davam câncer desde a época em que cigarros eram “moda”.

Pois bem… Não fumar, agora, é moda, da mesma forma que fumar já foi moda. A pressão social para fumar, no passado, foi substituída pela pressão social para não-fumar.

E o que tudo isto tem a ver com Hitler e com sua condição de ser ou não um monstro? Tudo.

São as pequenas coisas, as ideologias coerentes, os exageros aceitáveis, que vão tolhendo nossas liberdades civis e transformando o mundo em algo que não se deseja.

“O Cigarro é uma epidemia e faz mal… temos que combatê-lo”, é uma frase tão boa quanto “a obesidade é uma epidemia e faz mal… temos que combatê-la”, ou, “o consumo de carne é uma epidemia e faz mal… temos que combatê-lo”. Você vai achar argumentos ótimos defendendo ou atacando estas frases. O fato é que arbitrar sobre questões éticas e morais não é simples e é muito triste que, cada vez mais, as bandeiras levantadas a favor ou contra este ou aquele assunto, não tenham qualquer relação com o assunto em si.

O sentido íntimo do combate ao cigarro, a CPMF, às armas de fogo ou a maconha tem muito menos relação com os problemas ou soluções oferecidos por estas questões do que garantir a dado político que uma população o entenda como sendo “o sujeito que tentou resolver o problema”, problema este que, muitas vezes, sequer é um problema.

As grandes questões sociais saíram das mãos do povo há muito tempo – se é que já estiveram em suas mãos – por falta de qualificação. Não fomos ensinados a pensar, não fomos ensinados a julgar, nos privaram de uma educação clássica e todo nosso construto cognitivo usado para julgarmos nossa realidade se baseia em preconceitos, propaganda e programas de televisão.

Não conseguimos mais culpabilizar apenas o culpado e, muitas vezes, culpabilizamos quem é inocente; cada vez mais escuta-se por aí que “a ditadura é a solução”, independente de tantos anos de história que nos mostraram o contrário; e um individualismo crescente se mistura a um medo crescente da violência e a uma sensação de ser injustiçado por um Estado que parece não ter mais jeito.

Estamos no ponto certo… um pequeno empurrão de alguém um pouco mais ambicioso, com planos de apelar para nosso orgulho e para nosso desejo de não termos culpa de nada e acabaremos no mesmo lugar que todas as populações equivocadas e comandadas por tiranos já estiveram.

Valorizamos hoje o combate a Repressão, a época do Regime Militar, mas menos de 10% da população brasileira era contra o regime. Não foi diferente no passado, não é diferente hoje e não será diferente amanhã…

…no meu entender, os monstros somos todos nós!

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269 Comments


  1. Deixa eu explicar. Eu não disse que Allan Kardec “provou” a existência de Deus. Ele é considerado o codificador de uma doutrina vinda do meio sobrenatural, isto é, a obra kardecista é fruto do trabalho dos espíritos desencarnados e do próprio Kardec. Eu acredito profundamente em Deus, espíritos e na obra espírita, e fica difícil debater com quem sempre se incomoda quando eu exponho essas idéias. Crer em espíritos e em Deus é uma questão absoluta da fé de cada um… Não é questão de provar como se faz numa equação matemática ou física. As coisas sobrenaturais não se provam, se crêem… E eu nunca disse que a obra de Einstein é fruto do sobrenatural, como a obra de Freud. Cada um têm o mérito do seu esforço e de sua inteligência, mas eu creio que o campo espiritual têm uma grande influência na obra dessas pessoas. A bíblia mesmo dizem que foi escrita por “homens inspirados por Deus”.

  2. Vc não gosta quando eu incluo o sobrenatural no debate. Vc acha que todas as pessoas que acreditam no invisível são ingênuas, como vc sempre diz?

  3. “Eu acredito profundamente em Deus, espíritos e na obra espírita, e fica difícil debater com quem sempre se incomoda quando eu exponho essas idéias.”

    Dialogar acerca moral e ética secular não exige a inclusão de um deus e espíritos na discussão.

    Falando sobre “acreditar em Deus, acreditar no Cristianismo e acreditar no espiritismo” ao mesmo tempo… você há de convir que há contradições. Afinal, segundo a Bíblia, não há reencarnação e o Homem só reencarna uma única vez.

    “As coisas sobrenaturais não se provam, se crêem…”

    Eu também achava isso óbvio, até que você disse que “Allan Kardec explica de uma forma científica como essa entidade misteriosa e venerada pelos quatro cantos do mundo”. Diante disso só posso corrigí-lo, pois não é possível fazê-lo hoje.

    Compare as seguintes frases abaixo:
    “E eu nunca disse que a obra de Einstein é fruto do sobrenatural, como a obra de Freud. Cada um têm o mérito do seu esforço e de sua inteligência, mas eu creio que o campo espiritual têm uma grande influência na obra dessas pessoas.”

    “Esse programa de computador universal também têm seus condutores, que seriam pessoas encarnadas com alguma missão especial de desenvolver ou criar uma ciência inexistente. Vou dar um exemplo: Sigmund Freud”

    Incoerentes.

    “A bíblia mesmo dizem que foi escrita por ‘homens inspirados por Deus’.”

    Eu me inspirei em John Henry para escrever meu último conto, isso não quer dizer que ele se apossou do meu corpo.

    Não “dizem” que a bíblia foi escrita por homens inspirados por deus. Um dos livros da própria bíblia afirma que ela foi escrita por homens inspirados pelo Espírito Santo. Entenda isso como quiser, puder ou desejar (e aí está o problema).

    “Vc acha que todas as pessoas que acreditam no invisível são ingênuas, como vc sempre diz?”

    Não.
    Eu não sei se deus existe.
    Eu não sei se espíritos existem.

    O diálogo não exige a presença de um deus. É só.

    Se eu começar a falar do elefante colorido aqui eu vou estar falando de algo que nada tem a ver com Hitler ou com a monstruosidade humana.

    É preciso usar um protocolo de comunicação laico para que seja possível a comunicação.

  4. Ingênuo mesmo é acreditar em Matrix como sendo base doutrinária e conjugar isso com o construto já frágil que é um somatório de Espiritismo com Cristianismo.

    Qual a necessidade de falar de um deus, de espíritos ou de sua crença em obras de ficção, quando em meio a um diálogo sobre a monstruosidade humana?

    Em que os dogmas proferidos acerca do que você acredita que talvez por ventura seja verdade se você não estiver errado vão contribuir para a discussão?

  5. Ainda sobre ingenuidade…
    Há ingenuidade dos dois lados desta discussão sobre tudo aquilo que se acredita ou não se acredita.

    Para alguma coisa ser invisível ela tem de existir.
    Para se afirmar que algo existe é preciso apresentar provas.
    Para se crer que algo existe… aí depende de cada um.

    “Acreditar” sem evidências (em qualquer coisa), é tão ingênuo quanto “acreditar que não” sem evidências (em qualquer coisa).

    Se a pessoa se permite uma crença sem que haja evidências o problema (ou a solução) é dela.

    Mas entabular discussões tomando por base a própria crença é bastante egocêntrico, sobretudo quando se sabe que o interlocutor não partilha das crenças (cujas bases jamais são apresentadas), espalhando uma cacofonia de dogmas que só faz a discussão perder o foco e citando documentos, cuja única prova oferecida de sua veracidade, é o texto contido na própria obra.

    Eu chamei de ingênuo o seu comportamento de abraçar um filme de aventura como fundamento para sua crença. Você, por outro lado, falou acerca da religião católica o seguinte: “Além de ensinar um monte de dogmas ilógicos, ultrapassados, ingênuos e antigos”. Me parece menos ofensivo o meu motivo para criticar o seu comportamento que o seu motivo para criticar o comportamento dos católicos.

    Não é uma questão de eu gostar ou não gostar que você inclua o sobrenatural na discussão. É só que não faz sentido algum incluir o sobrenatural no debate.

    É como se eu inserisse, no meio da discussão, algo acerca de Ornitorrincos, sobre o número 42 ou sobre as virtudes da cor Cinza.

  6. Ok Bruno. Não vou mais incluir o sobrenatural nesse debate, apesar de eu ter certeza (sim, é isso mesmo, eu tenho certeza)de que a resposta de muitas perguntas sobre vários assuntos se encontra simplesmente na influência sobrenatural sobre o homo sapiens. E eu não sou ingênuo, incoerente e muito menos cacofônico. Também não sou o dono da verdade, estou aqui para aprender e ensinar também. E adoro uma frase que parece ter sido escrito por você: “A CONCLUSÃO ACONTECE QUANDO CANSAMOS DE PENSAR”!

  7. Vc quer debater só sobre o tema da questão, a monstruosidade latente do ser humano e sua capacidade de fazer um mal justificável?? Se for só isso, é melhor eu mudar de canal mesmo, porque não tem mais o que discutir sobre essa questão.

  8. É como diz um amigo meu… Quando se tem certeza não há espaço para o debate.

    A frase “A conclusão acontece quando cansamos de pensar” se refere justamente às certezas, Dan.
    Ao dizer “Eu tenho certeza de algo” você está dizendo que chegou a uma conclusão e que dali não passa mais.

    Eu adoraria debater sobre o que é suprasensível, na verdade. É um assunto que me agrada até. O tema em questão é o tema em questão. Comentar sobre motores a diesel em um papo sobre maçãs acaba fazendo muito pouco sentido.

    A referência a ingenuidade veio do uso de Matrix como doutrina, a de cacofonia veio de responder com dogmas a perguntas objetivas e desconectadas de religião… a incoerência… bom… a incoerência está bem demonstrada nestes 160 comentários.

    Fique à vontade para mudar de canal, claro, mas, se deseja falar sobre Deus, Religião, Ciência, Ateísmo e coisas afins, eu proponho que comentemos sob o artigo “As Raízes de Todo Mal?”, por exemplo.

    Segue o link:
    http://www.sarcasmosmultiplos.com.br/2006/04/23/as-raizes-de-todo-mal/

  9. Bom, eu só quero dizer que eu tenho aprendido muito com vc e com outras pessoas que estão participando do debate. Voltando ao tema principal, que diz respeito á uma personalidade famosa da história mundial, até chegarmos á uma conclusão sensata, coerente, racional e inteligente, temos de pensar e levar em consideração algumas coisas: Quem foi Hitler, onde ele nasceu, o que representava e o que representa hoje aquela região onde ele viveu (Áustria e Alemanha), porque ele julgava os alemães superiores ao resto do mundo e porque ele queria exterminar outros povos???

  10. Adolf Hilter, ditador alemão, nasceu em 1889 na Áustria, numa cidadezinha chamada Braunau am inn, na fronteira com a Alemanha. Filho de Alois Hitler e Klara Poezl, alistou-se voluntariamente no exército bávaro no começo da Primeira Guerra Mundial. Tornou-se cabo e ganhou duas vezes a Cruz de Ferro por bravura.

    Depois da desmobilizaçãodo exército, Hitler associou-se a um pequeno grupo nacionalista, o Partido dos Trabalhadores Alemães, que mais tarde se tornou o Partido Nacional-Socialista Alemão (nazista).

    Em Viena, ele havia assimilado as idéias anti-semitas (contra os judeus)que, insufladas por seus longos discursos contra o Acordo de Paz de Versalhes e o marxismo, encontraram terreno fértil em uma Alemanha humilhada pela derrota.

    Em 1921, tornou-se líder dos nazistas e, dois anos mais tarde, organizou uma malograda insurreição, o “putsch” de Munique. Durante os meses que passou na prisão com Rudolph Hess, Hitler ditou o Mein Kampf (Minha Luta), um manisfesto político no qual detalhou a necessidade alemã de se rearmar, empenhar-se na auto-suficiência econômica, suprimir o sindicalismo e o comunismo, e exterminar a minoria judaica.

    Em 1929, ganhou um grande fluxo de adeptos, de forma que, ajudado pela violência contra inimigos políticos, seu partido floresceu. Após o fracasso de sucessivos chanceleres, o presidente Hindenburg indicou Hitler como chefe do governo (1933).

    Hitler criou uma ditadura unipartidária e no ano seguinte eliminou seus rivais na “noite das facas longas”. Com a morte de Hindenburg, ele assumiu o título de presidente do Reich Alemão. Começou então o rearmamento, ferindo o Tratado de Versalhes, reocupou a Renânia em 1936 e deu os primeiros passos para sua pretendida expansão do Terceiro Reich: a anexação com a Áustria em 1938 e a tomada da antiga Tchecoslováquia.

    O ditador firmou o pacto de não-agressão nazi-soviético com Stalin, a fim de invadir a Polônia, mas quebrou-o ao atacar a Rússia em 1941. A invasão à Polônia precipitou a Segunda Guerra Mundial.

    Seguia táticas “intuitivas”, indo contra conselhos de especialistas militares, e no princípio obteve vitórias maciças. Em 1941, assumiu o controle direto das forças armadas. Como o curso da guerra mostrou-se desfavorável à Alemanha, decidiu intensificar o assassinato em massa, que culminou com o holocausto judeu.

    Conhecido como um dos piores massacres da história da humanidade, o holocausto -termo utilizado para descrever a tentativa de extermínio dos judeus na Europa nazista- teve seu fim anunciado no dia 27 de janeiro de 1945, quando as tropas soviéticas, aliadas ao Reino Unido, Estados Unidos e França na Segunda Guerra Mundial, invadiram o campo de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau, em Oswiecim (sul da Polônia). No local, o mais conhecido campo de concentração mantido pela Alemanha nazista de Adolf Hitler, entre 1,1 e 1,5 milhão de pessoas (em sua maioria judeus) morreram nas câmaras de gás, de fome ou por doenças.

    Ainda em 1945, quando o exército soviético entrou em Berlim, Hitler se casou com a amante, Eva Braun. Há evidências de que os dois cometeram suicídio e tiveram seus corpos queimados em um abrigo subterrâneo em 1945.

  11. O que representa a região onde ele nasceu, a Áustria e a Alemanha???

  12. “Quem foi Hitler, onde ele nasceu, o que representava e o que representa hoje aquela região onde ele viveu (Áustria e Alemanha), porque ele julgava os alemães superiores ao resto do mundo e porque ele queria exterminar outros povos???”

    A meu ver a questão ética permite reduzir estas variáveis e discutir o objeto da discussão a uma amplitude filosófica mais gerenciável.

    Se formos capaz de lidar com o comportamento orientado a noção de que “Os fins justificam os meios”, fica mais fácil trabalhar com o problema.

    As origens e motivações de Hitler e do resto do regime, deste ponto de vista, são menos importantes do que o entendimento dos mecanismos que estabelecem o princípio do comportamento humano que levou este indivíduo ou qualquer outro àquela atitude em particular.

    (quanto a discussão sobre a existência de um deus etc reitero meu convite para visitar o referido artigo e continuar ali o diálogo)

  13. Áustria e Alemanha são 2 países organizados, ricos, com uma vasta cultura científica, musical e arquitetura majestosa. Certamente todo esse império foi construído por pessoas que viveram em diferentes épocas, pessoas altamente criativas e inteligentes. Veja você se aqueles tipos que descrevi no primeiro post do debate tiveram alguma participação na construção e fundação desse império?

  14. O que você está defendendo?

  15. Só que é errado dizer que Hitler nasceu apenas na Áustria, já que na época do seu nascimento não existia o país Áustria, e sim o império austro-húngaro. A Hungria acabou se separando da Áustria e eu creio que na Hungria não surgiu tantas celebridades artísticas e científicas como na Áustria e Alemanha, apesar de existir grandes celebridades nesse país.

  16. A obra Mein Kampf: Em Abril de 1924, Hitler foi condenado a 5 anos de prisão no estabelecimento prisional de Landsberg. Acabaria o Führer por ser anistiado passados pouco mais de 6 meses. Ali, ele ditou o primeiro volume do livro chamado “Mein Kampf” (Minha Luta), primeiramente a Emil Maurice, e posteriormente ao seu fiel ajudante Rudolf Hess. O livro é essencialmente biográfico, e recebe o nome de Eine Abrechnung. A escrita foi editada somente em 1925.

    O segundo volume do Mein Kampf, Die Nationalsozialistische Bewegung, foi escrito em 1926, quando já fora da prisão estava Hitler. O segundo volume, diferentemente do primeiro, busca expressar as idéias Nacional-Socialistas, e não há contidos no livro quaisquer estudos biográficos profundos.

    Ler o Mein Kampf é como ouvir Hitler falar longamente sobre a sua juventude, os primeiros dias do partido nazi, planos futuros para a Alemanha e idéia sobre política e raça. A compilação dos dois volumes recebeu primeiramente o nome de “Viereinhalb Jahre [des Kampfes] gegen Lüge, Dummheit und Feigheit” (“Quatro anos e meio [de luta] contra mentiras, estupidez e covardia”), mas foi alterado para simplesmente “Mein Kampf” antes mesmo de ser publicado.

    Na sua escrita, Hitler anunciou sua aversão contra aquilo que ele via como os dois males gêmeos do mundo: Comunismo e Judaísmo, e declarou que o seu objetivo era erradicar ambos da face da terra. Ele anunciou que a Alemanha necessitava obter novo terreno, que chamou de “Lebensraum” (espaço vital), e que iria nutrir apropriadamente o “destino histórico” do povo alemão.

    Uma vez que Hitler culpava o presente governo parlamentar por muitos dos males pelos quais ele se encolerizava, ele anunciou que iria destruir completamente esse tipo de governo. É em Mein Kampf que se pode descobrir a verdadeira natureza do caráter de Hitler. Ele divide os humanos com base em atributos físicos e psicológicos. Hitler afirma que os “arianos” estavam no topo da hierarquia, e confere o fundo da pirâmide aos judeus, polacos, russos, checos e ciganos. Segundo ele, aqueles povos beneficiam pela aprendizagem com os superiores arianos. Hitler também afirma que os judeus estão a conspirar para evitar que a raça ariana se imponha ao mundo como é seu direito, ao diluir a sua pureza racial e cultural e ao convencer os arianos a acreditar na igualdade em vez da superioridade e inferioridade. Ele descreve a luta pela dominação do mundo como uma batalha racial, cultural e política em curso entre arianos e judeus. A suposta luta pela dominação mundial entre estas duas etnias foi aceita pela população quando Hitler chegou ao poder

  17. Entendo… mas qual a importância da questão a seu ver?

  18. E, por favor, quando quiser que eu leia algo que esteja em algum site me mande o endereço. Não copie de lá e cole aqui pois o Google entende isso como conteúdo duplicado.

    Voltando… eu realmente acredito que a raíz do comportamento é mais importante que o fenômeno pontual que foi Hitler.

  19. Você acha mais importante discutir Hitler ou a raiz do comportamento que leva o ser humano a coisas como as que Hitler fez?

  20. A raiz do comportamento. O conteúdo da obra “Mein Kampf” pode nos ajudar nesse nosso debate, vc não acha? e se vc quiser excluir o que eu estou copiando, fique a vontade.

  21. Veja você um fenômeno chamado xenofobia, ou aversão aos estrangeiros… Pense que você mora num país altamente desenvolvido, rico e com ampla cultura em todos os aspectos. De repente seu país é invadido por pessoas de países sub-desenvolvidos, lugares dominado por bandidagem, drogas, analfabetismo, desorganização ou pessoas com vocabulário de nível inferior… Vc vai aceitar na boa a presença dessas pessoas? Vc não vai ficar incomodado com a “bagagem cultural” que elas trazem consigo? Aceitar a presença dessas pessoas no seu território é a mesma coisa que abrir a sua linda casa pra todo mundo entrar. Vão sujar seu sofá, seu tapete, sua cozinha, podem quebrar sua geladeira, seu fogão, sua televisão, etc. Então, você pensa que expulsar as pessoas da sua casa é a única solução cabível pra você defender seu lar e sua família. A xenofobia é algo presente em muitos países europeus…

  22. Lembre-se que eu não estou generalizando nada. Não é todo estrangeiro que é ignorante ou vêm de países sub-desenvolvidos…

  23. A raiz do comportamento mau do ser humano está na preservação de sua integridade física, intelectual e moral. Aqueles tipos que mencionei no primeiro post infelizmente não contribuem em nada na construção de um grande país ou civilização. O que devemos fazer com eles? Educá-los? E se a escola e a educação não conseguir corrigir seus instintos grosseiros e inferiores? Será então que a polícia resolve? E se a polícia não resolver? Veja o caso de vários criminosos que voltaram ao crime depois amargar vários anos na cadeia… eles voltaram a matar, estuprar, roubar, agredir, etc. O que devemos fazer com eles? Prender novamente? Mas dizem que a cadeia não educa, faz o sujeito ficar pior do que era antes… Então ele é preso e solto novamente e pior: volta a praticar outros crimes piores que aquele que cometeu… Então a prisão perpétua seria a melhor alternativa para esses casos? Ou seria uma prisão agrícola, onde o preso trabalha e estuda?

  24. “Veja você um fenômeno chamado xenofobia, ou aversão aos estrangeiros… Pense que você mora num país altamente desenvolvido, rico e com ampla cultura em todos os aspectos. De repente seu país é invadido por pessoas de países sub-desenvolvidos, lugares dominado por bandidagem, drogas, analfabetismo, desorganização ou pessoas com vocabulário de nível inferior…”

    No caso da Alemanhã pré-guerra, a Xenofobia foi justificada através de falácias populistas e os Judeus eram dificilmente descritos como “sub-desenvolvidos”.

    A Xenofobia foi incitada no povo Alemão para cumprir objetivos políticos e, por este motivo, pode ser descrita como uma Conspiração.

    “Vc vai aceitar na boa a presença dessas pessoas? Vc não vai ficar incomodado com a “bagagem cultural” que elas trazem consigo? Aceitar a presença dessas pessoas no seu território é a mesma coisa que abrir a sua linda casa pra todo mundo entrar.”

    A Alemanha não foi invadida. Ela deixou aqueles grupos entrarem e afirmaram posteriormente que tais pessoas são inferiores não resolve a questão de que tal comportamento é intolerante, preconceituoso, generalista e discriminatório.

    “Vão sujar seu sofá, seu tapete, sua cozinha, podem quebrar sua geladeira, seu fogão, sua televisão, etc. Então, você pensa que expulsar as pessoas da sua casa é a única solução cabível pra você defender seu lar e sua família. A xenofobia é algo presente em muitos países europeus…”‘

    Expulsar pessoas cuja cidadania foi declarada por você mesmo seria, além de incoerente, uma óbvia forma de cumprir uma agenda política que não tem a ver tanto com a limpeza de seu sofá, mas com o acobertamento dos defeitos do próprio regime e com a própria incompetência para manter o regime conforme seus princípios previamente estabelecidos.

    Outra questão importante é que o regime não tinha interesse em expulsar, mas em realocar e assassinar o grupo em questão.

    “A raiz do comportamento mau do ser humano está na preservação de sua integridade física, intelectual e moral.”

    Este é um postulado um tanto categórico demais e reducionista, na verdade.

    Veja… se você está no Século XIII e é o Rei da França pode denegrir o bom nome de Mercadores Lombardos apenas para legislar sobre a necessidade de confiscar seus bens e encher com seus bens os cofres combalidos pelas Cruzadas.

    No caso, portanto, não foi a preservação da integridade física, intelectual e moral, mas a cobiça e a negação da própria incompetência financeira.

    “Aqueles tipos que mencionei no primeiro post infelizmente não contribuem em nada na construção de um grande país ou civilização.”

    Eles, no entanto, são reflexo da incompetência da tal civilização e não deixam de ser cidadãos com direitos.

    A aniquilação de um grupo cujo acesso a cultura e as riquezas da nação são limitados é a prova de falta de civilidade.

    Não se tratam de instintos grosseiros e inferiores, mas da manifestação da inabilidade governamental em permití-los fazer parte do resto da comunidade.

    Criminosos sempre vão existir. Generalizar pessoas com acesso limitado a cultura como fazendo parte deste grupo me parece um erro.

    “O que devemos fazer com eles? Prender novamente? Mas dizem que a cadeia não educa.”

    Não sei quem “dizem”. O que sei é que o Brasil opera na premissa de que o Sistema Correcional funciona e, portanto, isso faz parte do contrato social e do conjunto de princípios da nação.

    O mínimo que o poder público deve fazer é obedecer às próprias leis ordinárias e à Constituição.

    Se o Sistema Correcional não é eficaz, é preciso torná-lo eficaz.

    No Brasil a prisão perpétua virtualmente não existe e só é possível manter alguém preso por até 30 anos.

    De uma forma ou de outra, endereçando as questões às quais você parece estar levantando:
    1- A Xenofobia é uma generalização, por se tratar de não lidar com indivíduos separadamente, tratando-os como um grupo de indivíduos idênticos;
    2- Invasão é um termo ligado à guerra e não ao processo de estabelecimento de cidadania, como é o que ocorre quando pessoas são Aceitas no território nacional;
    3- Todo cidadão tem direito a bagagem cultural pregressa e isto é garantido pelas Constituições de todos os países mencionados;
    4- Regimes Totalitários costumam “demonizar” grupos para se eximir da culpa por seus próprios erros e com a intenção de tomar tudo aquilo que estes grupos têm;
    5- A Xenofobia não é uma Virtude. É um Defeito;
    6- A raiz do comportamento “mau” não reside somente na preservação de sua integridade física, intelectual e moral, mas nos interesses, cobiça e no preconceito;
    7- Não é prerrogativa do cidadão – seja lá qual for sua origem – contribuir em nada para o crescimento de uma nação. O cidadão tem direitos inalienáveis e dentre seus deveres não está a contribuição cultural ou científica;
    8- Comportamento não se baseia em instinto genético, mas em experiência fenotípica;
    9- Uma nação que acredita em Sistema Correcional é responsável por este sistema e, caso o sistema não funcione, é responsável por corrigir seu funcionamento;
    10- O grupo de pessoas com pouco acesso à cultura de uma nação não tem acesso a esta cultura por conta de um processo de extratificação cultural e má distribuição de recursos, o que significa que a responsabilidade de sua condição recai sobre o Regime daquele dado país e não sobre os cidadãos. Associar este grupo ao grupo que compõe o Crime Organizado é um erro.

    Se quiser endereçar a cada uma destas questões numericamente pode ficar mais fácil discernir cada questão.

  25. Na minha opinião, Hitler queria preservar a integridade territorial, social, econômica e cultural do seu país, mas agindo da forma que agiu, acabou por fazer justamente o contrário…Os judeus, para Hitler, era o exemplo do criminoso que nunca se regenera e que por isso se torna um “bacilo” ou um elemento nocivo e perigoso, tendo que ser eliminado para garantir que o mesmo não destrua a “pureza” racial do seu povo.

  26. Você considera Hitler, portanto, um bem intencionado?

    Digamos que Hitler de fato fosse bem intencionado. O que deu a ele o direito de:
    a) Generalizar cada indivíduo Judeu como se todos fosse iguais e, mesmo que um dado Judeu não tivesse cometido um crime, este indivíduo seja culpado dos crimes de outros Judeus?;
    b) Desobedecer as Leis Ordinárias de seu País e a Constituição no que se refere a cidadãos que, embora Judeus, eram alemães?;
    c) Aprisionar e Assassinar cidadãos alemães por crimes não cometidos pelo indivíduo, mas por acusação que recaíam sobre uma raça?

    No meu entender é difícil compreender que alguém possa ter feito estas três coisas ao mesmo tempo que é bem intencionado.

    Mas e quanto às 10 questões que enderecei?

    1- A Xenofobia é uma generalização, por se tratar de não lidar com indivíduos separadamente, tratando-os como um grupo de indivíduos idênticos;
    2- Invasão é um termo ligado à guerra e não ao processo de estabelecimento de cidadania, como é o que ocorre quando pessoas são Aceitas no território nacional;
    3- Todo cidadão tem direito a bagagem cultural pregressa e isto é garantido pelas Constituições de todos os países mencionados;
    4- Regimes Totalitários costumam “demonizar” grupos para se eximir da culpa por seus próprios erros e com a intenção de tomar tudo aquilo que estes grupos têm;
    5- A Xenofobia não é uma Virtude. É um Defeito;
    6- A raiz do comportamento “mau” não reside somente na preservação de sua integridade física, intelectual e moral, mas nos interesses, cobiça e no preconceito;
    7- Não é prerrogativa do cidadão – seja lá qual for sua origem – contribuir em nada para o crescimento de uma nação. O cidadão tem direitos inalienáveis e dentre seus deveres não está a contribuição cultural ou científica;
    8- Comportamento não se baseia em instinto genético, mas em experiência fenotípica;
    9- Uma nação que acredita em Sistema Correcional é responsável por este sistema e, caso o sistema não funcione, é responsável por corrigir seu funcionamento;
    10- O grupo de pessoas com pouco acesso à cultura de uma nação não tem acesso a esta cultura por conta de um processo de extratificação cultural e má distribuição de recursos, o que significa que a responsabilidade de sua condição recai sobre o Regime daquele dado país e não sobre os cidadãos. Associar este grupo ao grupo que compõe o Crime Organizado é um erro.

  27. “Outra questão importante é que o regima não tinha interesse em expulsar, mas em realocar e assassinar o grupo em questão.”

    Essa sua colocação não é verdade. A “solução final” não foi um artefato pronto e acabado desde a instalação do regime nazista. Nos primeiros tempos, mais presente na cabeça de figuras como Himmler -chefe da Gestapo- e Heydrich -o “protetor” da Boêmia e da Morávia (Tchecoslováquia)-, seguiu um curso de radicalização que passou das propostas de expulsão dos judeus para Madagascar ou para o Leste Europeu à política dos “guetos” e, por fim, à liqüidação em massa nos campos de extermínio.

  28. Não foi minha intenção dizer que se tratou de um artefato pronto e acabado. Não há provas disso.

    Há contanto a evidência de que a população judaica foi segregada a guetos e há a evidência de que foi realocada para campos de concentração, bem como a evidência de que um grande número de Judeus realocados foi morto de diferentes formas, independente de acusação formal.

    Fica claro que o Regime estava disposto a tomar cada uma destas atitudes em nome do que defendiam, desconsiderando qualquer direito dos cidadão alemães de origem Judaica.

    O Regime, portanto, considerava que quaisquer Meios poderiam ser utilizados para atingir seus Fins e, sendo assim, entendiam como justificável prender, torturar e matar seus próprios cidadãos sem que estes tivessem necessariamente cometido crime algum individualmente, mas definindo sua culpabilidade pela sua origem étnica.

    Não me parece um quadro de boa intenção…

    Discorda?

    Quanto às questões endereçadas, permaneço interessado em saber sua opinião.

  29. Você considera Hitler, portanto, um bem intencionado?

    De jeito nenhum. Como você expôs nos 3 ítens, a generalização, a desodediência à constituição e a acusação infundada e ilógica relacionado à raça derrubam por terra qualquer tese que defenda as atitudes do nazismo. Hitler foi tão mau intencionado que acabou por trazer consequências nefastas e destrutivas ao seu próprio povo que ele tanto exaltava. O “ariano” sofreu tanto na guerra quanto os judeus…

  30. Não entendi…
    Você disse que em sua opinião “Hitler queria preservar a integridade territorial, social, econômica e cultural do seu país”.
    Foi isso que você defendeu, não?
    Não considera isso uma boa intenção?

    Se foi ou não um bom plano de execução é outra história.

    Eu estou em dúvida sobre se:
    i) você apoia a Xenofobia ou não;
    ii) você apoia o ir de encontro a Constituição ou não;
    iii) você apoia a política de “Os fins justificam os Meios” ou não.

    Enumerei dez questões acima e gostaria de saber sua opinião sobre elas.

  31. Com certeza não é um quadro de boa intenção prender, torturar e assassinar um grupo apenas pela sua origem étnica. Isso é um total ABSURDO, algo simplesmente repugnante e monstruoso, mas dentro da cabecinha fechada, generalista, racista, anti-semita e demagógica do “fuhrer”, nada disso foi monstruoso e repugnante. E o pior é que ele conseguiu convencer alguns (ou será muitos) alemães nessas idéias totalmente dantescas e descabidas de um mínimo de justiça e bom senso. Em relação ás questões, fiquei interessado em todas elas e agora podemos debater a primeira: 1- A Xenofobia é uma generalização, por se tratar de não lidar com indivíduos separadamente, tratando-os como um grupo de indivíduos idênticos…

  32. Eu estou expondo o que Hitler pensava, e não o que eu penso. Vc perguntou se eu apoio a xenofobia? depende.. Eu não apoio a generalização, isto é, ter preconceito com alguém só porque veio de um país sub-desenvolvido. Veja o Canadá… É um país altamente desenvolvido em todos os aspectos, como a Áustria e a Alemanha, com a diferença que ali não existe xenofobia. Pelo que eu pesquisei em sites de intercâmbio e com próprios conhecidos que têm parentes lá, o Canadá é um dos países mais receptivos à estrangeiros que existe. Já na Bélgica existe muita xenofobia. A grande maioria das pessoas que vão pra esses países são gente estruturada, de bom nível educacional e financeiro. Muitos estrangeiros vão pra estudar ou trabalhar e não pra “destruir” ou “sujar” a cultura do país. Quem vai com essa intenção acaba se dando muito mal, ou sendo expulsos, presos ou virando mendigos mesmo, pois não conseguem trabalhar e se sustentar…

  33. Eu não sou favorável a xenofobia, mas vamos supor que esses grupos de bailes funks resolvam ir para um desses países mencionados acima, levando toda sua “cultura” de gírias, palavras de baixo calão e danças sensuais, será que eles seriam bem sucedidos? Eu não sei qual seria a reação de um canadense, por exemplo, ao entender as letras, gírias e o “requebra” desses grupos de funk… O que vc pensa sobre isso?

  34. Corrigindo o post acima, tire as primeiras palavras “Eu não sou favorável a xenofonia, mas”, senão vai dar a impressão de eu estar sendo incoerente…

  35. Supondo que o que você está dizendo é de fato o que Hitler pensava, sua colocação de que “Hitler queria preservar a integridade territorial, social, econômica e cultural do seu país” é uma colocação que sugere boa intenção.

    Você genuinamente acredita que era isso que ele queria e não que ele criou um inimigo imaginário para fomentar uma animosidade interna e galgar o imaginário alemão para tentar justificar invasões a países vizinhos?

  36. “Eu não sou favorável a xenofobia, mas vamos supor que esses grupos de bailes funks resolvam ir para um desses países mencionados acima, levando toda sua “cultura” de gírias, palavras de baixo calão e danças sensuais, será que eles seriam bem sucedidos”

    Não é uma questão de serem ou não bem sucedidos. A questão é que se um país aceita sua condição de cidadãos, este país tem de ser coerente e tratar estes como cidadãos, usando das mesmas leis, mesmos pesos e mesmas medidas.

    Lembre-se que estamos falando de cidadãos e não de invasores. A condição de cidadão foi conseguida ao longo de permanência, nascimentos, integração etc.

  37. “Você genuinamente acredita que era isso que ele queria e não que ele criou um inimigo imaginário para fomentar uma animosidade interna e galgar o imaginário alemão para tentar justificar invasões a países vizinhos?”

    Inimigo imaginário? Como assim? Não entendi sua colocação. Então os eslavos e ciganos também eram imaginários? Não existe inimigo imaginário, o que existe são inimigos reais que dominavam grande parte da economia alemã na época e que foram acusados de serem os responsáveis pelo desemprego, crise e derrota da Alemanha na 1° guerra. Se Hitler quisesse criar um inimigo imaginário, não acusaria ciganos, eslavos, deficientes físicos, homossexuais ou alemães contrários ao nazismo. O verdadeiro inimigo imaginário de Hitler era discordar que a inteligência, força e nobreza ariana estava acima de tudo e de todos!

  38. “Não é uma questão de serem ou não bem sucedidos. A questão é que se um país aceita sua condição de cidadãos, este país tem de ser coerente e tratar estes como cidadãos, usando das mesmas leis, mesmos pesos e mesmas medidas.”

    Quando um grupo começa a influenciar negativamente a cultura do país através de manifestações toscas de baixa qualidade artística e musical, começa a haver uma reação popular contrária ao seu trabalho tão forte que eles mesmos sentirão a grande necessidade de deixar o país por livre e espontânea vontade, tamanha a vergonha que fizeram ao serem reprovados por toda uma população culta acostumada com grandes manifestações artísticas e envergonhadas por terem de presenciar tamanho lixo cultural!

  39. Simples.
    Os Mercadores Lombardos não são uma ameaça, temos problemas, tornamos eles uma ameaça na cabeça de todos, prendemos, torturamos e matamos – resultado: ficamos com os bens deles (França – Século XIII)

    Os Judeus não são uma ameaça, temos problemas, tornamos eles uma ameaça na mente da população, prendemos, torturamos e matamos – resultado: ficamos com os bens deles (Alemanhã – 1940)

    Os Iraqueanos não são uma ameaça, temos problemas, tornamos eles uma ameaça apesar de terem sido terroristas Afegãos que atacaram em 11 de Setembro, prendemos, torturamos e matamos – resultado: ganhamos controle político sobre os poços de petróleo da região.

    Isso que é criar um inimigo imaginário.

    Os Judeus, Eslavos e Ciganos não eram imaginários. Imaginário era o inimigo, que não existia até o Regime convencer a todos que eles eram o inimigo.

    Aumentar o problema, inventar um inimigo imaginário, justificar as ações contra cidadãos através de discursos inflamados e populistas.

    Acentuar acusações e preconceitos para mudar o tamanho do problema na mente de certa camada da população. Estes são movimentos de um Estado Totalitário.

    “Quando um grupo começa a influenciar negativamente a cultura do país através de manifestações toscas de baixa qualidade artística e musical, começa a haver uma reação popular contrária ao seu trabalho tão forte que eles mesmos sentirão a grande necessidade de deixar o país por livre e espontânea vontade, tamanha a vergonha que fizeram ao serem reprovados por toda uma população culta acostumada com grandes manifestações artísticas e envergonhadas por terem de presenciar tamanho lixo cultural!”

    Onde isso aconteceu?
    Quem decide o que é tosco?
    Quem decide o que tem baixa qualidade?
    Onde está escrito que a produção cultural tem de ter alta qualidade?
    Quanto da população você acha que é “culta”?
    A reprovação da chamada “população culta” faz a “população inculta” ficar com vergonha?
    O Rock&Roll era reprovado pela “população culta”. Os jovens tinham “vergonha”? O Rock&Roll morreu?
    Você é a favor da liberdade de expressão?
    Regimes Totalitários são a favor da liberdade de expressão?

  40. Os Mercadores Lombardos não são uma ameaça, temos problemas, tornamos eles uma ameaça na cabeça de todos, prendemos, torturamos e matamos – resultado: ficamos com os bens deles (França – Século XIII)

    Em todos esses exemplo você coloca a posse de bens como o único motivo para algumas minorias serem perseguidas. Vc está equivocado nessa análise. É verdade que os nazistas tomaram todos os bens dos judeus, mas esse não foi a principal razão deles terem sido perseguidos. Então que posse tinha os ciganos, eslavos e homossexuais assassinados pelo regime? Pelo que eu sei, os ciganos sempre foram pobres e não ofereciam nada em termos materiais pra justificar a sua matança. Os judeus sim, eram ricos e controlavam boa parte da economia alemã. Mesmo se os judeus fossem pobres, teriam sido exterminados simplesmente por uma razão racial absurda. As crenças de Hitler estavam profundamente enraizadas nas ideologias propostas por autores conhecidos e conceituados na época, como diz o texto que inicia esse debate. E essa ideologia não tinha nada a ver com posse de bens materiais. Não existe inimigo imaginário, o que existia era a crença da superioridade racial de um povo e os verdadeiros inimigos eram quem contestavam essa “pureza racial”. A posse de bens materiais veio como consequência dessa perseguição.

  41. Onde isso aconteceu?
    Quem decide o que é tosco?
    Quem decide o que tem baixa qualidade?

    Só o fato do pagode e funks brasileiros não ter ultrapassado nossa fronteira e não ser conhecido lá fora, já decide o que é tosco e de baixa qualidade. E isso não tem nada a ver com o fato do Brasil ser terceiro mundo e os EUA e Europa serem primeiro mundo como você disse no começo do debate, o que ajudaria a divulgar a obra desses países pelo mundo. Veja o tango argentino… Porque esse estilo já é conhecido além das fronteiras portenhas e ter virado tema de um famoso filme norte-americano chamado “perfume de mulher”? Porque o tango sim, é um estilo de grande qualidade musical e estética. Veja se hollywood fez algum filme homenageando o funk e pagode brasileiro?? A argentina não é uma potência como Estados Unidos e Europa, mas isso não quer dizer que não haja qualidade na música desse país.

  42. Eu compararia o funk com o “rock” trash daquela banda ratos do porão. São dois estilos sem qualidade nenhuma, sem melodia, sem ritmo, cujas letras só falam asneiras, palavrões, gírias, sem o mínimo de conteúdo um pouquinho inteligente e de bom nível, diferente de um maravilhoso tango argentino, clássico, estiloso, envolvente, belo e esplêndido!

  43. “Em todos esses exemplo você coloca a posse de bens como o único motivo para algumas minorias serem perseguidas. Vc está equivocado nessa análise. ”

    Não foi uma análise. Foi uma resposta a sua pergunta: “Inimigo imaginário? Como assim? Não entendi sua colocação.”

    Criar inimigos é um recurso em si mesmo. Ao fazê-lo você desvia a atenção de um povo para longe dos verdadeiros problemas da nação.

    As ideologias de autores conceituados são a “desculpa Científica”, o pretexto que dá base ao texto, entretanto, o sentido íntimo do Regime, como já estabelecido, não era bem intencionado e, portanto, não se tratava de uma posição filosófica, sendo antes uma moção de dominação e ganância.

    “Só o fato do pagode e funks brasileiros não ter ultrapassado nossa fronteira e não ser conhecido lá fora, já decide o que é tosco e de baixa qualidade.”

    Muitas manifestações culturais brasileiras são desconhecidas fora do país. Isto não as desqualifica.

    Filmes são epifenômenos. Se, amanhã, alguém faz um filme sobre Funk-Brasileiro como fica seu argumento? Morre?

    O Funk-Brasileiro é uma das formas musicais nacionais mais alastradas em inúmeras regiões do país. É uma manifestação popular legítima e não há como negar.

    Usar régua de Bossa Nova para medir Funk-Brasileiro não será possível. Seria como tentar comparar “Pai Francisco entrou na Roda” com as “Bachuianas”.

    Independente de nosso gosto pessoal, manifestações culturais como o Funk-Brasileiro vão permanecer manifestações culturais. A propósito, o Funk-Brasileiro deriva diretamente do Funk-Norte-Americano, inclusive em termos de linhas melódicas.

    O Funk-Norte-Americano, hoje, é igualmente ofensivo à figura da mulher e cheio de “palavras chulas”, como você coloca. Faz sucesso no mundo todo e é imitado na Europa.

    E Hollywood fez filmes sobre o Funk-Norte-Americano.

    A questão não é com o que podemos comparar o Funk-Brasileiro. A questão é que você está falando do Funk-Brasileiro da mesma forma que se falava do Rock&Roll.

    O problema não é o Funk-Brasileiro, que é um estilo musical. O problema é que você não gosta do que vem sendo produzido em termos de Funk-Brasileiro.

    Mais atrás você criticou outro estilo musical, o Pagode. Quando eu citei Clara Nunes e Jorge Aragão você disse que eram bons. Eram Pagode… E, portanto, sua proposição contra o estilo musical é equivocada. Seu problema era com alguns intérpretes e bandas.

    Entenda que a produção cultural não tem a obrigação de se fazer gostar, de ser inteligente, de não conter palavrões e gírias ou quaisquer destas coisas. A produção expontânea de cultura é incontrolável e qualquer tentativa de controle está mais alinhado com um Estado Totalitário que com os ideais da Democracia e da Liberdade de Expressão.

  44. O funk e o pagode que eu menciono é esse originado em regiões precárias e sub-desenvolvidas, como favelas, cortiços ou morros. Eu sei que as pessoas alí têm todo direito de expressar sua cultura e arte, independente se vai ou não vai agradar outras pessoas. Mas você não concorda que podemos dividir a cultura em 2 classes: cultura da elite e cultura da pobreza? Eu diria que o clássico europeu, o rock norte-americano e o tango argentino são manifestações culturais da elite da sociedade, isto é, a grande maioria dos seus apreciadores é gente de nível educacional, social e financeiro elevado. Agora o funk e o pagode de morros e regiões muito pobres é cultura da pobreza, isto é, a maioria dos seus admiradores é gente muito pobre e com pouca escolaridade. Vc concorda nessa divisão que eu fiz, ou acha que podemos colocar no mesmo patamar um clássico europeu e um funk carioca???

  45. Você acha que a produção cultural devia estar restrita a um grupo qualificado?
    Acredita que o ideal é que as pessoas tirassem uma carteirinha para poder fazer música?
    Você culpa a quem pela pobreza financeira?
    Você culpa a quem pela pobreza cultural?

    Você acha que a produção cultural que surge nos morros é sempre de baixa qualidade?

    Eu discordo profundamente da segregação cultural e, por isso, discordo de uma classificação que generaliza obras de uma determinada camada da população como sendo de baixa qualidade.

    Não sei qual sua opinião sobre Zeca Pagodinho – que produz dentro do estilo musical “Pagode” – mas sua música é de altíssima qualidade e ele nasceu em comunidade pobre.

    Cartola é outro exemplo de músico nascido em comunidade pobre.

    Baseado nestas evidências eu considero preconceituosa a colocação de que a “cultura da pobreza” seja diferente da “cultura da elite”. O que acontece é que o que você considera “lixo” é produzido em ambas as comunidades e este “lixo” compõe a maioria da produção cultural humana.

    É a tal da Lei de Sturgeon… uma generalização interessante e que parece ser acertada.

  46. Eu gosto de 1 ou 2 músicas de Zeca Pagodinho e algumas de Martinho da Vila. Eu sei que existe lixo cultural em ambos os lados, tanto na elite como na pobreza. Têm um compositor de música clássica chamado Glinka que é muito ruim, diferente de Tchaikovsky, que é um dos meus preferidos (e olha que Tchaikovsky era russo, e não alemão, contrariando a tese nazista de que só germânicos produzem qualidade musical). Mas eu tenho certeza que têm muito menos lixo em produções ditas da “elite” do que ditas da “escória”. Beethoven, Tchaikovsky, Bach, Beatles, Mozart e Michael Jackson são tão bons que ficaram eternos… Veja se daqui há alguns anos alguém vai ouvir falar dessas bandas de pagode e de funk? A imortalidade e a fama duradoura é uma grande prova da qualidade artística de determinada obra, seja na música, literatura, pintura ou cinema… É por isso que bandas de funk e pagode duram pouquíssimo tempo e não são imortais como o clássico e o rock!

  47. Vc não concorda com a frase: “A imortalidade e a fama duradoura é uma grande prova da qualidade artística de determinada obra, seja na música, literatura, pintura ou cinema… É por isso que bandas de funk e pagode duram pouquíssimo tempo e não são imortais como o clássico e o rock!”??

  48. Acho que estamos perigosamente próximos da discussão “Qual a diferença entre Produção Cultural e Arte”.

    Sou contra a segregação cultural. É o que tenho a dizer a este respeito.

    O fato de eu não gostar da maior parte dos Funks-Brasileiros que me chegaram aos ouvidos não são suficientes para eu condenar todo o estilo musical a ser desqualificado artisticamente. A meu ver “Gostar” nada tem a ver com isso.

  49. Sim, mas antes eu gostaria de saber se você concorda ou não concorda com a frase: “A imortalidade e a fama duradoura é uma grande prova da qualidade artística de determinada obra, seja na música, literatura, pintura ou cinema… É por isso que bandas de funk e pagode duram pouquíssimo tempo e não são imortais como o clássico e o rock!”?

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