Hitler não foi um Monstro

January 8, 2010  |  Como vejo o mundo..., Conspirações

…e seria lamentável se acreditássemos que foi.

Pode parecer chocante a afirmação, contudo há um motivo muito bom para que não acreditemos que Hitler era um monstro, uma aberração ou uma anomalia: não podemos deixar que isso aconteça novamente.

Acreditar que um tirano seja algo diferente de nós mesmos é desconhecer a História e tentar achar uma explicação simples para entender algo sem se dar ao trabalho de estudar o indivíduo e sua ideologia.

Hitler não chegou onde chegou devido a ser uma criatura maléfica, mas justamente através do constante discurso carismático e equivocado que oferecia explicações simples, auto-indulgentes e que apelavam para o orgulho daqueles que os conheciam e, mais tarde, de toda a população alemã.

As crenças de Hitler estavam profundamente enraizadas nas ideologias propostas por autores conhecidos e conceituados na época – em alguns casos mal interpretados – que professavam a importância do ideal nacionalista, do patriotismo, da legítima possibilidade de a miscigenação ocasionar problemas genéticos, da idéia de que a Igreja Católica minava a cultura germânica, da noção de que os outras raças não eram confiáveis por natureza e de que tinham agendas prejudiciais para o povo alemão e a crença de que a herança genética alemã vinha diretamente dos fundadores de Atlântida.

Este é o estrago que ideologias podem fazer. Ao tecer uma colcha de retalhos e fazer com que cada pedaço cumpra uma função, o padrão emergente pode se fazer parecer coerente e atraente, sobretudo se este adula ao mesmo tempo que culpabiliza terceiros de forma simplista pelos problemas complexos sobre os quais ninguém deseja pensar longamente depois de um dia estafante de trabalho.

Cada elemento utilizado pelo regime do Reich não foi mais que uma ferramenta e ferramentas podem ser usadas de muitas maneiras. Hitler, a todo momento alardeava o Socialismo, o Patriotismo e a Ordem como sendo elementos importantes para o povo alemão, e não era mentira! Mas é possível contar uma grande mentira repetindo um conjunto interminável de verdades.

Dificilmente uma população é capaz de perceber os absurdos sócio-político-culturais que estão sendo empreendidos bem diante de seus narizes, sejam eles sacrifícios humanos, a inquisição, a escravidão, o assassínio, o desfiguramento, a plástica ou qualquer prática que transforme um grupo em parte do problema e outro em parte da solução – digamos – como separar pessoas gordas de pessoas magras, fumantes de não fumantes, comedores de carne de vegetarianos ou “pessoas feias” de “pessoas bonitas”.

O próprio leitor, ao ler o parágrafo acima, pode ter achado que são maus exemplos, no entanto, acreditem, todos eles são exemplos válidos e legítimos… e não só porque eu quero que sejam!

Acontece que é nas questões polêmicas, de um modo geral, que reside a monstruosidade e não no Partido Alemão Social-Nacionalista dos Trabalhadores (Nationalist Socialist German Workers Party – NAZY)

Ao esquecermos que dilemas morais vão existir sempre e ao escolhermos um dos lados como sendo o correto, se temos em nossas mãos o poder, acabamos por se injustos com toda uma corrente ideológica e, arbitrariamente, punimos a classe desfavorecida, por vezes fazendo-a mudar de vida (o que já é questionável moralmente) ou, por vezes, gerando uma tensão social desnecessária e que, caso continuemos o processo, vamos acabar reprimindo por força do poder executivo.

Fumar faz mal ao fumante, não se tem total certeza se faz mal ao não fumante – embora os incomode – no entanto, cada vez mais, criamos dificuldades para que o fumante fume em público o produto que nós (o Estado) o incentivamos a comprar por não proibirmos sua venda e por recebermos os impostos sobre sua comercialização.

Pior ainda, hoje, se o fumante fuma em um estabelecimento comercial, com o fumante nada ocorre, mas o dono deste estabelecimento é culpabilizado, não tendo ele cometido qualquer delito, uma vez que só se deveria julgar os indivíduos pelos seus atos. Tensão social desnecessária.

Proibir o cigarro? Isso poderia criar um mercado negro… tráfico…

É um cobertor curto pelo simples motivo que é um dilema. Dilemas serão sempre dilemas. Pode-se sim assumir uma política forte de combate ao cigarro, é claro, contudo, é curioso não havia tantas reclamações quanto ao consumo de cigarros há 15-20 anos atrás. É curioso que pais que fumaram por 20 anos agora digam para seus filhos que não fumem e que se argumente que cigarros dão câncer, quando todos sabiam muito bem que cigarros davam câncer desde a época em que cigarros eram “moda”.

Pois bem… Não fumar, agora, é moda, da mesma forma que fumar já foi moda. A pressão social para fumar, no passado, foi substituída pela pressão social para não-fumar.

E o que tudo isto tem a ver com Hitler e com sua condição de ser ou não um monstro? Tudo.

São as pequenas coisas, as ideologias coerentes, os exageros aceitáveis, que vão tolhendo nossas liberdades civis e transformando o mundo em algo que não se deseja.

“O Cigarro é uma epidemia e faz mal… temos que combatê-lo”, é uma frase tão boa quanto “a obesidade é uma epidemia e faz mal… temos que combatê-la”, ou, “o consumo de carne é uma epidemia e faz mal… temos que combatê-lo”. Você vai achar argumentos ótimos defendendo ou atacando estas frases. O fato é que arbitrar sobre questões éticas e morais não é simples e é muito triste que, cada vez mais, as bandeiras levantadas a favor ou contra este ou aquele assunto, não tenham qualquer relação com o assunto em si.

O sentido íntimo do combate ao cigarro, a CPMF, às armas de fogo ou a maconha tem muito menos relação com os problemas ou soluções oferecidos por estas questões do que garantir a dado político que uma população o entenda como sendo “o sujeito que tentou resolver o problema”, problema este que, muitas vezes, sequer é um problema.

As grandes questões sociais saíram das mãos do povo há muito tempo – se é que já estiveram em suas mãos – por falta de qualificação. Não fomos ensinados a pensar, não fomos ensinados a julgar, nos privaram de uma educação clássica e todo nosso construto cognitivo usado para julgarmos nossa realidade se baseia em preconceitos, propaganda e programas de televisão.

Não conseguimos mais culpabilizar apenas o culpado e, muitas vezes, culpabilizamos quem é inocente; cada vez mais escuta-se por aí que “a ditadura é a solução”, independente de tantos anos de história que nos mostraram o contrário; e um individualismo crescente se mistura a um medo crescente da violência e a uma sensação de ser injustiçado por um Estado que parece não ter mais jeito.

Estamos no ponto certo… um pequeno empurrão de alguém um pouco mais ambicioso, com planos de apelar para nosso orgulho e para nosso desejo de não termos culpa de nada e acabaremos no mesmo lugar que todas as populações equivocadas e comandadas por tiranos já estiveram.

Valorizamos hoje o combate a Repressão, a época do Regime Militar, mas menos de 10% da população brasileira era contra o regime. Não foi diferente no passado, não é diferente hoje e não será diferente amanhã…

…no meu entender, os monstros somos todos nós!

Continuação do vídeo no YouTube

Divulgue no Facebook

Google Buzz


269 Comments


  1. De novo… Produção Cultural e Arte são duas coisas diferentes.

    A frase fala de Arte. Produção Cultural não precisa ser Imortal.

    Eu não sei de quem é a frase, mas concordo com o seguinte – no ambito da Produção Artística: “A imortalidade e a fama duradoura é uma grande prova da qualidade artística de determinada obra, seja na música, literatura, pintura ou cinema…”

    Embora não considere uma “grande prova”, a “imortalidade e fama duradouras” podem ser um indicador do refinamento artístico.

    “É por isso que bandas de funk e pagode duram pouquíssimo tempo e não são imortais como o clássico e o rock!”

    A segunda parte desta “citação” eu não reconheço pelo seguinte motivo:
    - Ela generaliza Bandas de Funk;
    - Ela generaliza Bandas de Pagode;
    - Ela generaliza o Rock;
    - Ela generaliza o tempo pelo qual estas bandas existem e vão existir;
    - Ela generaliza o tempo pelo qual o Rock existe e vai existir;
    - Ela ignora o fato de que o Rock é muito novo;
    - Ela ignora as discussões acerca do que é arte ou não em termos musicais;
    - Ela ignora a questão Arte/Produto em termos musicais;
    - Ela faz uma afirmação que não é conclusão possível da primeira colocação.

  2. Eu não creio que o Rock vai ser esquecido algum dia. A música clássica pode ser considerada imortal pelo seu tempo de existência, pelo grande gosto popular na compra de cds e a constante execução desse estilo em várias manifestações de concerto pelo mundo. O mesmo vai acontecer com o rock. O que é de grande qualidade melodiosa, harmônica e vocal nunca é esquecido. Pagode ou funk da “cultura da pobreza” faz sucesso durante algum tempo na venda de produtos como dvd ou cds e também em shows populares, mas logo logo isso acaba. Veja a “quantidade” irrisória de cds que aquelas bandas do passado chamada “molejo”, “raça negra”, “katinguelê” e outras vendem. Eu respeito completamente os integrantes desses grupos como cidadãos dignos de serem livres dentro de uma sociedade multi-cultural, mas eu não tenho obrigação nenhuma de apreciar esse estilo.

  3. E quem aprecia o estilo não tem obrigação nenhuma de concordar com você.

  4. Algumas músicas que menciona a bandidagem ou usa de vocabulário grosseiro têm ligação com todas as situações que os humildes passam e presenciam dentro do seu meio, onde o mesmo vai se tornar um adulto que vai protestar contra essa situação. Nesse ponto eu acho que podemos elogiar e ver qualidade nessas músicas.

  5. Na verdade… ninguém tem obrigação nenhuma de concordar com você.

    O que eu não compreendo é porque, ao falar de Pagode, você prefere deixar de fora Clara Nunes, Zeca Pagodinho e Jorge Aragão, convenientemente só mencionando as bandas e intérpretes que você considera de menos qualidade.

    Ao falar de Rock&Roll não te vejo falar de CPM 22, The Pigeon Detectives, Detonautas, The Twang, NXZero ou Scouting for Girls – todas bastante criticadas por sua qualidade musical de uma ou de outra forma.

    Generalizar “Pobres” torna um argumento impreciso, como já ficou claro. Generalizar o Rock&Roll e o Pagode é igualmente improdutivo.

    Fica muito complicado continuar em uma linha de argumentação quando já foi deixado claro que a contribuição musical proveniente das camadas mais pobres é preciosa para a produção cultural nacional.

    Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, João Nogueira, Alcione, Elza Soares, Pixinguinha, Dona Ivone Lara, Clementina de Jesus, Cartola… você vai ignorar todas estas evidências (e portanto a realidade acerca do assunto) com o objetivo único de sustentar seu ponto de vista?

    É necessário compreender que nossos gostos e inclinações pessoais não nos qualificam para avaliar musical ou artisticamente de forma categórica. O que gostamos é mais um reflexo do que somos do que um reflexo do que a música é. Uma avaliação musical pode se dar através de diferentes aspectos e pouco ou nada tem a ver com gosto pessoal.

    Eu também não gosto da maior parte do Funk-Brasileiro que ouço. Não gosto do Pagode que você considera ruim e, inclusive, não gosto do Pagode que EU MESMO considero bom.

    Acontece que uma coisa é a gente gostar de algo, outra é se este algo é bom ou ruim musical ou artisticamente.

    Só para lembrar, Pixinguinha foi muito criticado em seu momento histórico e algumas de suas mais veneradas composições atuais já foram consideradas como tendo uma inaceitável influência do Jazz.

    O próprio Jazz, em dado momento, foi considerado uma produção musical de baixa qualidade e associado ao negro pobre norte-americano.

    Você montar toda uma teoria de qual classe social é melhor baseado na sua opinião de que as classes mais baixas produzem música ruim, cultura ruim, só falam assim ou assado – ignorando qualquer evidência em contrário – acaba sendo uma forma bastante leviana de estruturar qualquer pensamento crítico sério.

    Enfim, a meu ver, se para estruturar uma teoria você precisa apelar para a generalização (juntar indivíduos, intérpretes, bandas), segregar (dizer ser impossível categoricamente que um dado grupo faça parte de algo), “preconceituar” (afirmar que um dado grupo seja isso ou aquilo sem bases suficientes), é melhor você pensar duas vezes antes de sequer começar.

    É preciso compreender que gostar tem a ver com estruturas internas e muito pouco a ver com a qualidade musical ou artística de uma dada banda ou intérprete.

    “Eu gosto de Rock&Roll” é uma frase bastante inútil, na verdade. Além de ela só falar da pessoa, não aponta sequer de qual banda ou intérprete ela gosta.

    Igualmente, “Eu não gosto de Pagode” é uma frase que só fala de você, ao mesmo tempo que não identifica quais bandas ou intérpretes você de fato não gosta.

    Por outro lado, a afirmação de que “Pagode é ruim”, já não tem a ver com o seu gosto. Ao dizer que algo é ruim espera-se que sejam identificadas as bases desta afirmação. É preciso, por exemplo, entender o que você entende por “Pagode”.

    Se você afirma que “Pagode é ruim” escolhendo esquecer todos os intérpretes e bandas que listei e que são consideradas musicalmente talentosas, você não está falando de “Pagode”, mas do grupo de bandas e intérpretes que te interessam para sustentar seu ponto de vista.

    Sua afirmação, portanto, acaba tomando a seguinte forma esquisita: “Tudo que é ruim no Pagode é ruim”, e com isso fica complicado de discordar…

  6. Quem é criado num ambiente diria mais “refinado” como eu fui, sempre é ensinado a não gostar de nada que não seja culto, elegante, famoso e vindo de regiões altamente desenvolvidas. Os meus pais e irmãos sempre apreciaram músicas clássicas e rock, e eu via nas capas dos discos de música clássica a foto daqueles castelos magníficos da Áustria, França ou Itália. Se eu tivesse sido criado dentro de uma favela escutando pagode e funk o dia inteiro, teria uma outra visão do que é arte e música. O problema é que num ambiente mais refinado todo tipo de música é passado para você conhecer e julgar, e será que dentro de uma favela também acontece isso? Será que dão chance das pessoas conhecerem todo tipo de arte? Qual tipo de educação as escolas das favelas aplicam nos seus alunos?

  7. Toda essa generalização e linha de raciocínio é derivado unicamente da criação que eu e muitas pessoas tiveram: O refinado, elegante, famoso, desenvolvido e com vocabulário fino é “melhor” que o rude, pobre, desconhecido e com uso de palavras de baixo calão. Quando eu digo “famoso” eu não digo apenas em nível nacional, mas em nível internacional também.

  8. “O que gostamos é mais um reflexo do que somos do que um reflexo do que a música é.”

    Essa sua frase bate exatamente com o que eu escrevi acima.

  9. Na verdade, Dan… Ser ensinado a não gostar de “nada que não seja culto, elegante, famoso e vindo de regiões altamente desenvolvidas” é um tanto elitista e preconceituoso.

    Acontece que, no meu entender, gostar ou ver mérito, deve vir da análise e reflexão e não do que fomos ensinados a gostar ou ensinados a não gostar.

    Diferentes famílias de classe média alta ensinam diferentes valores aos seus filhos. Eu, por exemplo, fui ensinado a respeitar as diferenças, dar valor ao que o outro faz ainda que eu não goste, entender que as pessoas são diferentes, compreender a necessidade da tolerância, dar valor a empatia e compaixão.

    Boa parte da minha criação teve a ver com entender o que é segregação, discriminação, preconceito, generalização, intolerância e quais suas consequências para a sociedade.

    Ser criado para gostar ou não gostar de algo não devia ter nada a ver com a capacidade crítica de identificar o que tem ou não valor musical e artístico.

    Gostar é gostar. É do sujeito.
    Ser bom ou ser ruim é da relação entre a obra e as réguas daquela disciplina.

    O termo “ambiente mais refinado” descreve muito pouco e fica difícil de eu entender aquilo pelo que você passou na infância e adolescência, mas na minha infância e adolescência eu tinha contato com múltiplas formas musicais, seja dentro ou fora de casa. Algumas eu gostava e outras não e, no entanto, o julgamento sobre o que era bom ou não nunca passou pelo meu gosto. Não é o fato de eu não gostar de algo que o torna ruim.

    Quando da minha adolescência bandas como Legião Urbana, Ultraje a Rigor e Titãs, dividiam espaço com outras bandas de Rock bem menos elaboradas em termos de discurso musical. E mesmo estas três eram profundamente criticadas pelos críticos mais conservadores.

    Seja qual for a classe social, não somos expostos a TODO tipo de produção cultural porque a produção cultural humana é muito vasta. É por isso, por exemplo, que você disse que o Islam não tinha feito grandes contribuições científicas para a humanidade.

    O seu discurso, no meu vernáculo, é elitista, segregacionista e preconceituoso, além de não dar lugar para a dúvida, uma vez que você ou não lê ou ignora argumentos em contrário que ameacem sua visão do mundo.

    Eu compreendo que você tenha as opiniões que tem e que você queira permanecer tendo estas opiniões. É mais conveniente… familiar talvez…

    No meu caso, por exemplo, aprendi coisas diferentes. Meu conjunto de valores vem de gente que acredita na diversidade cultural, no respeito àqueles que involuntariamente são menos afortunados, no valor cultural de obras produzidas em comunidades carentes, na importância da liberdade de expressão, na realidade de que nossa opinião acerca das coisas é só isso… nossa opinião.

    Para além da opinião, aprendi eu, está a argumentação, o discurso claro e preciso, a necessidade de teorizar consistente e responsavelmente sem que nossas teorias sejam uma forma de convenientemente validar nossas opiniões pessoais, mas um reflexo da busca pela Verdade.

    Teorias que começam por achar que o outro ou o que é do outro é pior, de acordo com a minha educação e por precisar de argumentos intolerantes, generalistas e segregacionistas são improdutivos e contraproducentes. O “caldo cultural” do qual eu venho reconhece na necessidade de se achar melhor, mais forte, mais alto, mais abastado, mais culto, mais apto, mais adequado, mais branco, mais ariano, uma falta de humanidade muito grande e uma tendência perigosa para o que há de mais monstruoso no ser humano.

    E é por isso que eu discordo de você.

  10. “Na verdade… ninguém tem obrigação nenhuma de concordar com você.”

    A questão não é essa de concordar ou não comigo. A questão é que a grande parte da população concorda que o rock e o clássico é bem mais “acessível” aos ouvidos do que esses estilos conhecidos apenas no Brasil.

  11. “A questão é que a grande parte da população concorda que o rock e o clássico é bem mais “acessível” aos ouvidos do que esses estilos conhecidos apenas no Brasil.”

    Isso se o termo “Rock” ou “Pagode” forem suficiente para descrever todas as bandas e intérpretes de cada um destes gêneros musicais.

    E não são.

    Sendo assim – de novo – não tenho como concordar com você… ao menos no que se refere ao uso da Língua Portuguesa para argumentar em favor de um discurso segregacionista cultural.

    Me parece que a energia e inteligência que você obviamente usa no esforço de construir estas teorias é mal direcionada… mas essa é só minha opinião.

    Não compreendo o motivo pelo qual você precisa afirmar que tudo o que é “Pagode” é ruim, depois de eu mencionar tantos intérpretes que são magníficos – independente de eu gostar ou não.

    Até o momento só me parece que ignorar meus argumentos sejam uma forma de você legitimar suas opiniões.

    Entende?

  12. É lógico que os grandes intérpretes que você mencionou são magníficos. Mas porque eles não conseguem fazer sucesso além das fronteiras brasileiras? Porque quando vêm uma banda internacional de rock ao Brasil os estádios lotam e esgotam os ingressos, onde milhares de pessoas das mais variadas esferas sociais e culturais vão apreciar essas bandas, enquanto num show de pagode vai menos gente e sempre o mesmo “público fiel”? Porque os Cds de Elvis Presley são vendidos até hoje aos milhares enquanto os Cds de bandas de pagode antigas quase não vendem? Porque Julio Iglesias, Luciano Pavarotti e Frank Sinatra são conhecidos mundialmente e Zeca Pagodinho, Jorge Aragão e Clara Nunes não? O número de consumidores e espectadores de um show de rock sempre supera o número de consumidores e espectadores de pagode… Vc acha esse argumento fraco e ilógico para qualificar um estilo de música?

  13. Eu diria que a qualidade e o talento de um artista ou de uma música se mede na quantidade de apreciadores e consumidores…

  14. Eu diria que “magnífico” é um termo muito exagerado pra qualificar a obra desses artistas que você mencionou. Magnífico é quem lota estádios, quem vende milhares e milhões de discos, quem fica em primeiro lugar durante várias semanas nos rádios, quem fica conhecido mundialmente e que quando morre o mundo inteiro lamenta e chora sua perda. É o caso do Michael Jackson, que preencheu todos os requisitos acima. Clara Nunes também morreu e não preencheu nenhum requisito desses. Esses artistas são bons músicos e bons intérpretes, mas estão longe, muito longe de serem magníficos!

  15. Há um sem número de intérpretes estrangeiros que igualmente não fazem sucesso além das fronteiras daqueles países. Você devia saber disso.

    Além disso, a produção cultural de países dominantes politicamente e financeiramente é mais veiculada e a propaganda é mais eficiente dadas as somas colossais gastas nestes empreendimentos.

    Seu argumento, portanto é sim fraco. Nunca disse que é ilógico.
    O argumento é lógico, a proposição que ele representa é que é equivocada.

  16. “Eu diria que a qualidade e o talento de um artista ou de uma música se mede na quantidade de apreciadores e consumidores…”

    E eu diria que esta colocação também é absoluta e totalmente equivocada.

    Exemplo: John Cage

  17. “Magnífico é quem lota estádios, quem vende milhares e milhões de discos, quem fica em primeiro lugar durante várias semanas nos rádios, quem fica conhecido mundialmente”

    Tipo Britney Spears, N’Sync e Spice Girls?

    Sinto muito… mas não posso concordar.

  18. A medida da magnificência, no meu entender, nada tem a ver com unanimidade ou notoriedade, do contrário eu acharia Van Gogh um pintor medíocre.

    De novo… há enorme diferença entre o que é Produção Cultural e o que é Arte. Há grande diferença entre o que é Pop e o que é bom.

    Se medirmos em termos de consumo, o Pagode (não importa a qualidade) faz mais sucesso e lota mais estádios que Georg Friedrich Händel.

    Acho melhor achar outra régua. Notoriedade internacional e sucesso de público é uma régua bastante imprecisa e ineficaz no caso de Produção Cultura e Arte.

  19. O problema de frases feitas é sempre a generalização que a frase incita. Eu concordo plenamente com você em mencionar Britney Spears ou Spice Girls. Mas como nós podemos julgar como sendo de baixa qualidade a música da Britney ou da Spice Girls? É baixa qualidade para o nosso GOSTO, mas não para quem lota estádios e compra discos delas.

  20. Não as estou julgando a alta ou baixa qualidade de nada. Quem as está julgando é você, ao postular o que é magnificência.
    O fato de eu ou você gostarmos ou não de Britney Spears ou Spice Girls é IRRELEVANTE.
    É isso que estou te dizendo. GOSTO nada tem a ver com a questão.
    Música se mede com régua de música e não com gosto pessoal.

    Bandas e intérpretes Pop e extremamente Comerciais são constantemente reprovados pela crítica musical. Mas nem isso vem ao caso.

    Minha colocação é uma resposta a sua proposição: “Magnífico é quem lota estádios, quem vende milhares e milhões de discos, quem fica em primeiro lugar durante várias semanas nos rádios, quem fica conhecido mundialmente”

    Você associa Magnificência a popularidade, a sucesso de vendas e a estádios lotados.

    Minha pergunta é se você acha, dada sua proposição, que Britney Spears e Spice Girls são intérpretes/bandas de qualidade musical magnífica.

    Não sou eu que estou dizendo que são. É sua proposição que está dizendo que são e, portanto, sua retórica acerca do que é nosso gosto ou não é ineficaz em responder a pergunta, que é:

    Diante de sua proposição, Britney Spears e Spice Girls seriam magníficas. Você as acha magníficas?

  21. Oi Bruno. Eu estava lendo todo o debate desde o início e prestando atenção detalhadamente nas suas palavras e nas minhas. Realmente eu concordo que tenho de aprender muitas coisas ainda, devido á muita incoerência e pensamentos sem nexo, justiça e bom-senso que eu expus. Como dizia o filósofo Sócrates: “só sei que nada sei”. Em relação à Britney Spears, magnífico seria o SUCESSO COMERCIAL que elas fazem perante o público, diferente da qualidade das músicas, que podemos chamar de medíocre. Então podemos separar sucesso de melodia? Têm compositores que fazem melodias lindas mas não obtêm o sucesso perante o público, e outros fazem melodias feias que obtêm um tremendo sucesso??? qual sua opinião?

  22. O bacana da frase “Só sei que nada sei” é o fato de que ela não dá lugar às Certezas.

    O postulado: “Magnífico é quem lota estádios, quem vende milhares e milhões de discos, quem fica em primeiro lugar durante várias semanas nos rádios, quem fica conhecido mundialmente”, caiu por terra.

    A medida do sucesso não pode ser uma só. Definitivamente público nada tem a ver com sucesso. A banda de pagode mais tecnicamente mal aparelhada faz mais sucesso que Música Clássica, no país, hoje.

    Se o objetivo de um artista for fazer uma obra e estar feliz com ela o sucesso é medido pelo cumprimento de seus objetivos.

    Eu não escrevo profissionalmente mas estou feliz com os “ensaios” e contos que escrevo.

    O sucesso comercial de qualquer obra de qualquer autor é o que menos me interessa e o que menos interessa a muitos autores. Sucesso comercial depende do país onde você nasceu, em alguma medida da qualidade técnica, em alguma medida do que o público quer, em alguma medida de quantas concessões o artista está disposto a fazer, de uma estratégia bem elaborada, de marketing bem direcionado e de alguma sorte (no sentido de estar no momento certo no lugar certo).

    A internacionalidade de uma obra pode até ser uma virtude, mas também demonstra o número de concessões de marketing que o autor teve de fazer para agradar a todos, no lugar de seguir as próprias inclinações artísticas.

    Muitos artistas fazem música para sobreviver, deixando de lado a arte e passando a produzir cultura simplesmente… produtos de consumo de entretenimento.

    Por vezes o artista é obrigado a não fazer mais para poder ganhar seu dinheiro e acaba produzindo material que ele mesmo não respeita, mas que vende e, assim, a arte fica em segundo plano, dando lugar a uma cultura de produto.

    O sucesso de público, muitas vezes, cobra este preço do artista e acaba impedindo-o de se expressar como gostaria.

    Enfim… Se o assunto fosse simples seria ótimo… mas não é.

  23. Quando você diz que “monstro somos todos nós”, você não está cometendo o mesmo erro que você tanto gosta de apontar: a generalização? A frase correta não seria “monstro é apenas alguns de nós”???

  24. Sim, estou generalizando e não, não foi um erro.

    Se eu digo: “Seres Humanos somos todos nós” estou generalizando e não está havendo erro. A generalização deixa de ser um erro, por exemplo, quando existe base que a sustente ou quando se trata de um recurso literário intencional.

    Como já foi apontado antes, a frase é conotativa e não parte de uma proposição argumentativa, sendo antes uma alegoria daquilo que o Homem é capaz de se tornar. E ele é capaz de se tornar, correto?

    O que pleiteio no texto é a monstruosidade em potencial presente em todo o ser humano.
    Aponto também o risco de acreditarmos que não temos esta monstruosidade latente dentro de nós, o que pode fazer justamente que nos tornemos os monstros que tanto abominamos.

    “Hitler não foi um monstro” porque “monstros somos todos nós”. A monstruosidade em potencial é evidente na declaração pelo fato de que a maior parte das pessoas que conhecemos jamais provocou um holocausto. Identificou a mensagem?

    Sugiro que leia o texto em questão à luz do texto Generalizações:
    http://www.sarcasmosmultiplos.com.br/2006/10/06/generalizacoes/

  25. O maestro brasileiro Julio Medaglia disse uma vez numa entrevista no extinto “programa livre” do Serginho Groismann, que rock era música pra débil mental e Chitãozinho e Xororó era música de bordel de 5° categoria. Deu muita polêmica essa entrevista e ele acabou sendo hostilizado pela platéia. O que vc pensa dessas declarações de um maestro especializado em música clássica??

  26. Penso que esta é a opinião dele.
    Outras pessoas tem outras opiniões.
    Hitler também tinha uma.
    Eu também tenho uma.
    Você também…

    E, me parece que, como você, ele generalizou Rock & Roll – estilo musical vasto e frutífero em obras ruins, mas cheio de obras elaboradas.

    Você já havia deixado claro que gostava de Rock (de um modo geral). Não entendi bem, portanto, o propósito da pergunta.

    Uma pessoa que obviamente prefere música clássica vai fatalmente preferir música clássica e é previsível que desqualifique expressões musicais que não respeite.
    Isso diz mais acerca da relação desta pessoa com a música do que do estilo musical em si.

    Qual o seu ponto?

  27. Eu mencionei o Julio Medaglia porque ele seria a pessoa ideal pra fazer um julgamento mais sensato e correto sobre música do que nós, já que ele é músico profissional e maestro e por isso deva entender bem de arte musical. Ele se referiu ao ritmo frenético do rock como sendo coisa de débil mental e não aos grupos de rock em si, pois ele admira muitas bandas de rock como Beatles ou Led Zeppelin. Vc me criticou quando eu critiquei o funk e o pagode, então o que vc me diz sobre essas declarações do Medaglia? Com certeza ele deve odiar pagode e funk muito mais do que eu, e deve achar o lixo do lixo esse estilo de música…Se pra ele Chitãozinho e Xororó é música de puteiro de 5° categoria como declarou, então imagina o que ele pensa do funk e pagodes brasileiros…

  28. No livro Música Impopular, do Júlio Medaglia, num artigo chamado Rock: AIDS da Música Atual, depois de celebrar o rock’n roll como uma inovação importantíssima no século XX, revê e diz que, a partir da década de 1980 “a nação Woodstock” tornou-se “um vulto no passado”. Em seu lugar ficou um rock padronizado, “destituído de qualquer motivação cultural, técnica, musical, sociopolítica, comportamental ou, seja lá o que for”. Afirma que o som posterior aos 80 exercita uma “musicalidade simplória”, um “histrionismo histérico e narcisista” ou “um baladismo melodoloroso e verborrágico”. Sobre as bandas brasileiras, ele é, talvez, ainda mais radical: “Um país que possuía uma das mais ricas e inventivas culturas populares deste planeta, ficou reduzido a um imenso e imundo pára-lamas de sucessos, através de um rockinho tupiniquim que nada mais é que um subproduto desse vasto detrito que é o rock internacional de hoje”.

  29. E?

  30. Qualificar o ritmo frenético do rock como coisa de débil mental é algo exagerado e sem sentido, já que o rock é uma das maiores manifestações culturais que existe no mundo. Ele poderia substituir esse conceito pelo ritmo “vulgar, pobre e indecente” do funk-carioca. Veja o nível educacional e financeiro das pessoas que vão em concertos de música clássica, comparando com o “nível” extremamente baixo e inferior de quem vai em baile funk… Não dá nem pra manter um padrão de comparação de uma platéia elitizada, culta e fina com outra grosseira, inculta e indecente… É o luxo musical em contraponto ao “lixo” musical. Eu não estou sendo preconceituoso com quem é pobre, e sim com quem incentiva um bando de menininhas bobinhas, ingênuas, drogadas e burras a ficar se esfregando e rebolando uma na outra com aquelas risadinhas na cara parecendo umas verdadeiras bobocas, ao mesmo tempo que vomitam um monte de gírias e palavrões ao som alto do DJ que lança no palco o lixo musical mais tosco e ridículo que já foi inventado no planeta!

  31. Dan…
    Não é uma ou outra pessoa que decide o que pode ou vai “substituir” uma produção cultural.

    As pessoas que você considera “a elite” não têm nível educacional e financeiro mais elevado devido a irem em concertos de música clássica, mas vão a concertos de música clássica em decorrência de terem tido acesso (dentre outras coisas) a um nível educacional e financeiro mais elevado.

    O público de música clássica, entretanto é cada vez menor.

    Você diz não estar sendo preconceito com quem é pobre… mas quem é pobre não é pobre por escolha e por algum motivo o seu discurso parece dizer que é sim uma questão de escolha.

    Mas seu preconceito (e generalização) sim fica patente ao dizer que o público (todo) de um dado tipo de música é grosseira, inculta e indecente… e que o público (todo) de um dado outro tipo de música é elitizada, culta e fina.

    “com quem incentiva um bando de menininhas bobinhas, ingênuas, drogadas e burras a ficar se esfregando e rebolando uma na outra com aquelas risadinhas na cara parecendo umas verdadeiras bobocas”

    Não sei quem você sugere que incentiva o comportamento, mas o comportamento descrito não é a música e sim a dança… Não sei se você sugere que (todas) as meninas que dançam funk-nacional são um bando de menininhas bobinhas, ingênuas, drogadas e burras…

    Nem todas as pessoas descreveria esta dança deste jeito e o que me ocorre é que embora você defenda o Rock, ataca o funk-nacional com armas semelhantes às de quem ataca o Rock nos textos supracitados (o que me parece paradoxal).

    Lembro à você que considerar um estilo como “o lixo musical mais tosco e ridículo que já foi inventado no planeta” é sua opinião e nada mais além disso.

    Independente de eu gostar ou não de funk-nacional, continuo sustentando que se trata de produção cultural legítima e adorada por grande número de pessoas. Este fato não a qualifica ou desqualifica o estilo musical, antes torna-o tão merecedor de existir quanto qualquer outro.

    Na verdade, idéia de censurar uma manifestação cultural é que me parece muito mais revoltante do que o produto cultural em questão.

  32. “Qualificar o ritmo frenético do rock como coisa de débil mental é algo exagerado e sem sentido, já que o rock é uma das maiores manifestações culturais que existe no mundo.”

    Não é uma qualificação (ou desqualificação) sem sentido. Sentido é o que ela mais tem. A desqualificação é, na verdade, mais fundamentada e menos segregacionista que a sua, uma vez que explica qualificadamente o porquê de o autor ter a OPINIÃO que tem e uma vez que ele não sugere que o Rock seja obliterado da face da Terra e da mente das pessoas.

    O fato de o Rock ser uma das maiores manifestações culturais que existem no mundo é tão relevante quanto o Funk-Nacional ser uma das maiores manifestações culturais que existem no Brasil. Ou seja, para este contexto de discussão, o fato não significa absolutamente nada. O que o texto discute é a qualidade, superficialidade e significado do Rock.

    “Com certeza ele deve odiar pagode e funk muito mais do que eu, e deve achar o lixo do lixo esse estilo de música…”

    Isto só perguntando para ele. Seja qual for a resposta do autor, no entanto, permanecerá sendo apenas sua opinião e nada mais, ainda que muito bem embasada.

    Seja como for, o objeto da nossa discussão não é se a qualidade da crítica do autor é melhor que a qualidade da sua crítica e, portanto, continuemos…

    O que é mais curioso, para mim, é que você defende o Rock contra crítica fundamentada e ataca o funk-nacional com fundamentos baseados em generalização, preconceitos e apoio a segregação cultural.

    É fato que ambos os estilos musicais sofrem de uma conjuntura preocupante: A música, hoje, depende do apelo visual e de ritmos dançantes para não ser considerada chata ou até sem sentido.

    Não sei se você compreende que é profundamente incoerente e ao mesmo tempo conveniente você achar que uma crítica embasada de alguém contra algo que você gosta é sem sentido enquanto que uma crítica superficial sua acerca de algo que você não gosta tenha algum sentido.

    Não me entenda mal. É possível até que sua crítica tenha mais profundidade do que a que está sendo aqui exposta, entretanto ela ainda não foi manifestada de forma profunda o suficiente para sair do campo do “eu desgosto” e do “eu acho indecente” e do “eu acho pobre” e do “eu acho que as pessoas que gostam são ‘um bando de menininhas bobinhas, ingênuas, drogadas e burras ‘”.

    Por fim… não entendo o porquê de você constantemente atacar a figura da mulher, como se homens não se interessassem por este tipo de música.

  33. Um amigo meu disse uma das frases mais sábias e verdadeiras: “A qualidade da música reflete a qualidade do ambiente”. Essa frase resume toda essa nossa discussão. A qualidade de um “funk ou pagode” reflete a qualidade grotesca de uma favela cheio de miséria, vícios, esgoto, analfabetismo, prostituição, drogas, tráfico e gírias, enquanto a qualidade de um “clássico europeu ou rock europeu-americano” reflete a qualidade majestosa de nações ricas e desenvolvidas, cheio de castelos, riqueza, desenvolvimento, monumentos, arte, pintura, escultura, ciência, etc

  34. “A QUALIDADE DA MÚSICA REFLETE A QUALIDADE DO AMBIENTE”. Não precisa dizer mais nada, né???

  35. Precisa-se fizer mais alguma coisa sim.
    Precisa-se dizer que uma proposição, postulado ou dogma não é verdadeiro só por ser proferido.
    Pelo jeito vamos ter de voltar a falar de Cartola e Cia. porque você cisma em convenientemente esquecer as evidências que não corroboram com suas teses.

    Não consigo compreender como você escolhe fatos para tentar chegar na conclusão que você quer que seja verdadeira. Parece que, para você, é uma questão pessoal e que seu modelo mental de como o universo, as coisas e as pessoas funcionam tem de estar certo indeoendente dos fatos e evidências, do contrário seu mundo cai.

    A citação acima é só mais uma manifestação reducionisma e carente de provas que a sustentem.

    Há muito mais a ser dito do que asquilo que coube neste dogma formado por nove palavras!

  36. “clássico europeu ou rock europeu-americano reflete a qualidade majestosa de nações ricas”

    O curioso do comentário que você publicou é a repetição renitente, tautológica e insistente de que não se fez música clássica medíocre e de que não se faz Rock pobre em qualidade nos EUA e na Europa.

    Falta reflexão e fundamento nestes dogmas segregacionistas, Dan… Se não há preconceito neste tipo de discurso há falta de meditação imparcial sobre estas questões.

  37. “O curioso do comentário que você publicou é a repetição renitente, tautológica e insistente de que não se fez música clássica medíocre e de que não se faz Rock pobre em qualidade nos EUA e na Europa.”

    Em hipótese alguma eu disse que todas as músicas européias ou norte-americanas são boas. Eu apenas escrevi que a qualidade de uma música está ligada diretamente na qualidade do ambiente ou vice-versa. Isso é um fato tão óbvio como uma equação matemática.

  38. Sua equação dogmática não dá lugar para Cartola, por exemplo.

    A obviedade da equação me escapa devido às exceção já fartamente apresentadas.

    Uma regra com exceções é uma regra equivocada – e isto sim é uma afirmação matematicamente correta!

    Se música ruim é feita em ambiente que você supõe ser de boa qualidade ou música boa é produzida em ambiente que você supõe ser ruim sua regra canônica cai por terra.

    O que me impressiona é você ignorar evidências do equivoco e parcialidade de sua regra.

  39. É lógico que tem suas exceções. É lógico que uma música boa pode ser feita num ambiente péssimo ou uma música ruim ser feita num ambiente ótimo. Mas é raro acontecer isso. Nós temos que parar de ficar valorizando o que é precário, tosco e de má qualidade só porque temos de ter “compaixão e respeitar a todos.” Essa idéiazinha é péssima para a melhoria da humanidade. Favela, esgoto, pobreza, feiura, fome, drogas, gíria, ignorância, sujeira, falta de educação ou lixo têm de ser combatido com todas as garras, como também essas musiquinhas de 10° categoria, repleta de homens e mulheres inferiores…

  40. Infelizmente, funk carioca é música de FAVELADO GROSSEIRO, SUJO, SEM EDUCAÇÃO, SEM CULTURA, IGNORANTE, POBRE E SUB-DESENVOLVIDO

  41. Esse mesmo cartola que você cita tanto era um cara de nível inferior, alcóolatra, que deve ter vindo de um ambiente péssimo e sujo, e NUNCA chegou aos pés de um Tchaikovsky, Mozart ou George Gershwin…

  42. Se há exceções é porque a regra é ruim. Simples assim.

    Ninguém pede que você valorize nada. As pessoas que apreciam o que apreciam só querem ter o direito de continuar apreciando o que apreciam.

    Não existe e não deve existir espaço para alguém “decidir” substituir uma forma de expressão por outra “mais adequada”.

    “Nós temos que parar de ficar valorizando o que é precário, tosco e de má qualidade só porque temos de ter ‘compaixão e respeitar a todos’. Essa idéiazinha é péssima para a melhoria da humanidade.”

    O regime do Terceiro Reich concordaria com você. Tanto que, em nome de melhorar a humanidade, promoveu a Eugenia.

    “Favela, esgoto, pobreza, feiura, fome, drogas, gíria, ignorância, sujeira, falta de educação ou lixo têm de ser combatido com todas as garras.”

    E é mais fácil para você combatermos a expressão cultural legítima do que resolvermos os problemas sociais a partir de políticas que garantam a não existência de favelas, a má distribuição de renda, a educação e o saneamento?

    Pode ser mais fácil, mas é igualmente ineficaz. As coisas que você quer combater não serão evitadas através da censura cultural.

    “Como também essas musiquinhas de 10° categoria, repleta de homens e mulheres inferiores…”

    A transformação está quase completa, hein?!

    “Homens e Mulheres Inferiores”???…
    Lamentável… Vexaminoso…

    “Infelizmente, funk carioca é música de FAVELADO GROSSEIRO, SUJO, SEM EDUCAÇÃO, SEM CULTURA, IGNORANTE, POBRE E SUB-DESENVOLVIDO”

    Já sabíamos todos que esta era a sua OPINIÃO. Obrigado.
    A minha OPINIÃO sobre esta música é irrelevante e não é de OPINIÃO que estou falando, mas da Segregação Cultural que você defende.

    “Esse mesmo cartola que você cita tanto era um cara de nível inferior, alcóolatra, que deve (?!?!) ter vindo de um ambiente péssimo e sujo, e NUNCA chegou aos pés de um Tchaikovsky, Mozart ou George Gershwin…”

    É o reino da opinião…
    Deve ser maravilhoso concordar consigo mesmo.
    No segundo capítulo dos seus primeiros livros de Antropologia e Sociologia sua opinião teria de se flexibilizar ou você acabaria caindo de muito alto.

    Me diga…
    Você compararia U2 com George Gershwin?
    E bananas com laranjas?
    O fato de duas coisas serem frutas não implica em que tenham de ser umas melhores que outras.
    Se você gosta mais de laranja, beleza… daí a laranja ser melhor que banana é uma questão de opinião.

    Minha colocação sobre Cartola foi justamente que se tratava de música de qualidade, um fato que vai de encontro ao seu argumento anterior.

    A não ser que você esteja afirmando que a música de Cartola é de má qualidade, sua afirmação de que ele tinha um “nível inferior, alcóolatra, que deve ter vindo de um ambiente péssimo e sujo” é irrelevante e, no entanto vai justamente significar que você está concordando comigo – e que o dogma que você impôs é equivocado.

    Eu não estou discutindo, portanto, se Cartola era uma vítima da má distribuição de renda precária ou da conivência social que leva o país a situação lastimável em que está, mas justamente demonstrando que a despeito disso sua música é de qualidade.

    Se você ainda não compreendeu que gosto pessoal nada tem a ver com a discussão então vai ficar difícil que compreenda o fato de que qualidade musical NADA tem a ver com o que gostamos ou não.

    Ao nos depararmos com uma avaliação – mesmo com uma análise técnica – acerca de um estilo musical ou música a primeira pergunta é, sempre, sob que aspecto esta análise está sendo feita.

    Um estilo musical pode, por definição, não partir dos mesmos paradigmas, cumprir os mesmos princípios ou partilhar das mesmas metas que outro estilo e um estudioso de um estilo vai desqualificar o outro estilo por não compreender os motivos ou simplesmente não conferir importância aos motivos que levaram aquele dado estilo a existir.

    Você mesmo já admitiu que sua regra é equivocada ao dizer que ela tem exceções. Se quer continuar vivendo a vida e entendendo as coisas a partir de uma ótica equivocada é direito seu. Não espere que eu concorde, uma vez que você mesmo não concorda consigo mesmo e paradoxalmente sequer admite essa discordância.

    Foi mencionado por você que sua educação foi refinada e daí concluo que viveu em uma “qualidade de ambiente” diferenciada… estou correto?

    Se estou correto e você teve mais oportunidade que a maioria dos seres humanos do planeta, você é prova viva de que sua tese é equivocada. Digo isso porque se há analogia possível entre música e discurso, o seu discurso acerca de música, cultura, comportamento, tolerância e tudo mais é um dos mais revoltantes, assustadores e repugnantes que já vi.

    Ainda bem que a “música que você canta” é diferente da “dança que você dança”, do contrário estaríamos em maus lençóis e teríamos um novo “Adolfo” nas mãos.

    Se não compreendeu, você e pessoas cuja opinião se assemelha às que você aqui expõe são os “monstros” dos quais falo em meu artigo.

    Como você mesmo já disse acerca de si mesmo… “Realmente eu concordo que tenho de aprender muitas coisas ainda, devido a muita incoerência e pensamentos sem nexo, justiça e bom-senso que expus.”

    Me parece que, aqui, cabe o mesmo comentário.

  43. “Ainda bem que a “música que você canta” é diferente da “dança que você dança”, do contrário estaríamos em maus lençóis e teríamos um novo “Adolfo” nas mãos.”

    Sinceramente eu não entendi essa frase. Gostaria que me explicasse… Obrigado!

  44. A música clássica, pelo que eu vejo nos jornais, constantemente é ensinada e levada dentro de comunidades carentes. De vez em quando vejo manchetes na televisão mostrando grupos de jovens carentes que aprenderam a tocar um instrumento musical como o violino ou cantar em grupos de corais. Isso é MARAVILHOSO!!!

  45. Sabe Bruno, eu gostaria muito, mas muito mesmo de morar num país como a Áustria para ter convicção desse meu discurso que você acha monstruoso. Só morando e convivendo todo dia com um país que eu penso ter uma cultura infinitamente superior à qualquer país da América “Latrina” (sim, isso mesmo latrina) para ter a certeza e convicção se realmente vale a pena trocar a América Latrina por regiões e nações mais cultas, ricas e influentes. Se eu morasse na Áustria e visse que ali é outro mundo muito melhor pra se viver, se amar, se divertir, se encantar, aí eu teria convicção das minhas idéias. Eu passaria do campo do “achismo” para o campo da “certeza”! Eu adoro glamour, riqueza, gente fina e educada, desenvolvimento, arte, ciência, pintura, escultura, e tudo que eleva nossa alma e nosso espírito. Me desculpe cara, mas penso que todos nós temos o direito de querer o melhor para nós, nosso povo e nosso país, mesmo que seja necessário a proibição de certas manifestações!!!

  46. Eu mencionei a Áustria pelo fato de Viena ter sido eleita a melhor cidade do mundo para se viver em diversas pesquisas sobre qualidade de vida, IDH e desenvolvimento…

  47. “Sinceramente eu não entendi essa frase. Gostaria que me explicasse… Obrigado!”

    A frase foi uma alegoria. Significa: Ainda bem que este é apenas o seu discurso. Se você fizesse algo acerca do que pensa teríamos mais um Hitler nas mãos.

    “A música clássica, pelo que eu vejo nos jornais, constantemente é ensinada e levada dentro de comunidades carentes. De vez em quando vejo manchetes na televisão mostrando grupos de jovens carentes que aprenderam a tocar um instrumento musical como o violino ou cantar em grupos de corais.”

    Também acho. Pena que poucos destes programas são do Governo.
    Estes programas ganham em muito quando conseguem integrar música, história da música e a musicalidade da comunidade, pois o abismo social é cumprido de forma mais eficaz.

    “Sabe Bruno, eu gostaria muito, mas muito mesmo de morar num país como a Áustria para ter convicção desse meu discurso que você acha monstruoso.”

    Não sabia que a Áustria era um país segregacionista cultural.
    Se de fato o for isso explicaria muita coisa acerca das origens das idéias de Hitler.

    “Infinitamente superior à qualquer país da América ‘Latrina’ (sim, isso mesmo latrina)”

    Eu tinha entendido o trocadilho.

    “Se eu morasse na Áustria e visse que ali é outro mundo muito melhor pra se viver, se amar, se divertir, se encantar, aí eu teria convicção das minhas idéias.”

    Você não parece ter problemas de falta de convicção.
    Seu problema me parece ser outro.

    “Eu passaria do campo do ‘achismo’ para o campo da ‘certeza’!”

    Se sua posição geográfica te ajuda… por que não?
    Até onde percebi você distribui certeza indiscriminadamente.

    “Eu adoro glamour, riqueza, gente fina e educada, desenvolvimento, arte, ciência, pintura, escultura, e tudo que eleva nossa alma e nosso espírito.”

    Não sei se Alma e Espírito existem.
    Se foram metáforas, me parece ser mais difícil fruir totalmente o desenvolvimento, a arte, a ciência e tudo que inspira, quando não somos capazes de tolerância, compaixão e virtude.
    Espero que, quando diante daquilo que procura, consiga disso tudo desfrutar sem maiores problemas.

    “Me desculpe cara, mas penso que todos nós temos o direito de querer o melhor para nós, nosso povo e nosso país, mesmo que seja necessário a proibição de certas manifestações!!!”

    Me desculpe, cara… Uma vez que estou aparelhado para entender que “Os fins não justificam os meios”, sei que o custo da segregação, da discriminação e do preconceito são altos demais para serem aceitáveis.

    Mecanismos e ideologias “generalizatórias” e “mein-kampfianas” andam às margens de regimes ditatoriais e totalitários historicamente contra-producentes para toda a humanidade.

    Atribuir à “consequência” a culpa pela “causa” é típico de um fascismo praxista e do pragmatismo leviano de tantos que acham que “Os fins justificam os meios”. O “estrangeirismo” é campo tão fértil à ideologias totalitárias e reducionistas quanto o “nacionalismo”.

    À luz de “Realmente eu concordo que tenho de aprender muitas coisas ainda, devido a muita incoerência e pensamentos sem nexo, justiça e bom-senso que expus.”, contudo… talvez dê para compreender os seus motivos.

  48. Você concorda que se o nazismo fosse algo totalmente desprovido de bom senso ou lógica, não teria tido o sucesso que teve. O alemão sempre foi um dos povos mais civilizados e cultos do mundo, e um regime que influenciou e inspirou milhões de pessoas não pode ser algo insignificante. Alguma lógica ou esperança de um mundo melhor com certeza existiu nas idéias nazistas, senão nunca teria tido a fama e movimentado tanta gente durante tanto tempo… O que vc pensa disso, meu caro?

  49. Pelo amor de Deus, eu NÃO estou justificando o holocausto e o anti-semitismo, que realmente foi um grande ABSURDO. Estou apenas refletindo se há alguma possibilidade de extrairmos alguma idéia positiva dentro de uma ideologia que fez muito sucesso durante um tempo, movimentou milhões de pessoas e parecia apregoar a necessidade de estabelecer uma civilização evoluída e avançada em todo o planeta!

  50. Leia no wikipédia sobre o “funk carioca”, na parte “críticas”, o que diz sobre essa manifestação que você tanto defende. Não vou colar esse texto respeitando o seu pedido, mas peço gentilmente que você o leia para depois debatermos!

Leave a Reply

Comment moderation is enabled, no need to resubmit any comments posted.