Sinfonia da Ciência

A Poesia da Realidade

Projeto musical de John Boswell, Sinfonia da Ciência pode até ser de gosto musical duvidoso, mas tem mérito experimental desde sua concepção.

O idealizador atribui a Sagan, Ann Druyan e Steve Soter – que produziram a série Cosmos, um marco na divulgação científica sem precedentes e referência até os dias de hoje – a sua inspiração para o desenvolvimento do trabalho.

Trata-se de um projeto com um sem número de fãs, que fornecem apoio financeiro e colaborações do mundo todo.

Outros vídeos, como o aqui exibido, podem ser vistos na área de vídeos do website.

Particularmente tenho Carl Sagan como um grande herói e a série Cosmos foi um dos programas de TV mais marcantes de minha infância. Eu deixava de “sair pra brincar” para ver o próximo episódio de domingo e, ao perder um, tive de esperar até o Vídeo Cassete Recorder (VCR) ser lançado para então esperar até sair em VHS.

Gary Tonge: O Grande Universo

Quando finalmente saiu em VHS só existia para vender em São Paulo e acabei não conseguindo comprar antes do estoque acabar. Tive então de esperar até o DVD Player ser lançado e depois até os DVDs serem disponibilizados pela Abril para poder finalmente adquirí-los.

É, de fato, uma obra prima e até sério demais e sensacionalista de menos para o mundo de hoje.

Mas… quanto a Sinfonia da Ciência… achei o projeto panfletário e reducionista.

Sinto muito dizer isso.

Sou um grande entusiasta do Método Científico mas, tendo estudado o quanto pude de Filosofia e lido o quanto pude sobre as críticas ao “jeito de fazer” da Comunidade Científica, entendo que estamos trilhando um caminho perigoso, onde estamos passando a abraçar mais uma panacéia: a Ciência.

A Ciência se debruça sobre um conjunto por demais limitado de objetos de estudo para ganhar as dimensões que vem ganhando.

Acho um barato o vídeo. Uma brasa mesmo, mora? Mas a mensagem passada repetida insistentemente simplesmente não fecha.

O pragmatismo mecaniscista e o objetivismo reducionista da Ciência são ferramentas magníficas para lidar com problemas específicos, que lidam com o funcionamento das partes que compõe o Universo, o Ser Humano e muito daquilo pelo que o Ser Humano se interessa. É, contudo, uma injustiça muito grande atribuir à Ciência a responsabilidade de ser tudo o que se vem atribuindo que ela deva ser… e ela não tem como entregar o que dela se espera.

Raphael: A Escola de Atenas

A Ciência é só mais uma Escola Filosófica. Profundamente bem sucedida, é verdade, mas não é mais que uma Escola Filosófica. A Filosofia não é uma Ciência Humana. A Ciência é que é uma Filosofia Exata. De alguma forma, contudo – talvez dados os resultados práticos obtidos, que são facilmente quantificáveis e mensuráveis – a Ciência perverteu a noção de que só existe graças a uma outra forma de produzir e refletir sobre conhecimento, a Filosofia, que a ela deu origem.

O escopo da Filosofia é amplo, o da Ciência é estreito e deixa de lado qualquer compromisso Moral, Ético, Espiritual, Metafísico ou Subjetivo, o que é – isso falando por baixo – uma deficiência grande demais para que possamos abraçar a disciplina em uma espécie de Cientocracia não declarada, ou um Cientismo (como batizou Giovanni Reale).

A Ciência é uma ferramenta. A Filosofia é uma forja de ferramentas. E fazemos ferramentas com objetivos. Os objetivos da Ciência são claros. Há algum tempo eu cunhei a frase: “Para quem só tem martelo todo problema é prego”, e creio que vale a pena o leitor refletir bem a respeito disso.

A Ciência, o amor pela Ciência e a confiança na Ciência não devem ser cegos e não se deve esperar dela o potencial ou a autoridade para, por exemplo, julgar por A mais B se uma doutrina é a raiz de todo mal ou não. Isso é trabalho para outras Escolas Filosóficas que, como a Ciência, ganharam contorno até se tornarem ferramentas importantes para fazer aquilo para o que são insubstituíveis. E ainda assim, elas vão poder estar erradas em suas conclusões.

Acreditar cegamente na Ciência, na Comunidade Científica ou no Método Científico é não ter pensamento crítico, é não ter lido nada do que foi escrito contra o Método em 2500 anos de História e é fomentar uma nova forma de preconceito ideológico e ignorância, e isso não tem como terminar bem.

Não tenho dúvidas das boas intenções de John Boswell e muito menos do trabalho e competência dos membros da Comunidade Científica, mas enquanto se engrossam as fileiras dos Devotos da Ciência, gente tão estúpida a respeito da Ciência e ao Método Científico quanto o seriam para qualquer outra Doutrina Religiosa ou Ceita, perdemos de vista os motivos da importância da divulgação científica e do cultivo da mente científica no Homem Comum.

Rembrandt: O Filósofo em Meditação

Se você discorda de mim, acho ótimo! Comente por aqui civilizadamente e com bons argumentos e fatos que corroborem com sua forma de ver o mundo. A diversidade de opiniões é o motor da Mudança em nossa Civilização. No mais tente refletir sobre a minha indisposição para com o jeito que as coisas são… eu garanto que vou tentar refletir sobre os comentários que você deixar aqui.

Eu? Eu só digo isso porque amo a Filosofia… por que sou um apaixonado pela Ciência… e, no entanto, escolho dar mais importância ao futuro do Homem neste Universo, um Universo que não é só composto de suas partes… um Universo cujo Todo é, no meu entender, maior que a soma de todas elas.

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