My WebOS e Google Chrome OS

Nos idos de 2000, enquanto eu e Amir Samary planejávamos uma nova Apple – como tantos outros faziam sem saber do que estavam falando – eu era absolutamente obcecado por duas coisas: 1) Um jeito de submeter dados sem que a tela piscasse (que, depois, acabou surgindo na forma do AJAX) e 2) Desenvolver aplicativos de Internet com look and feel de programas para computadores de mesa.

Para cumprir este objetivo, a quantidade de pesquisa por APIs em JavaScript como a domAPI foi realmente extensa e (ouso dizer) importante para boa parte dos projetos web nos quais a Interconnection S.A. (nossa maior cliente) se envolveu naquela época.

O panorama, hoje, mudou bastante, até porque já se acredita mais no JavaScript e em aplicações complexas criadas em cima de APIs complexas nele desenvolvidas. A quantidade de APIs extremamente bem desenvolvidas e produtivas como o jQuery, o Dojo e BackBase é crescente e é mais fácil, hoje, antever um novo caminho para o que conhecemos hoje como computação.

Tendo visto um sistema operacional muito leve, rápido e que cabia em um floppydisk – o MenuetOS – me ocorria, no primeiro ano do Século XXI que os esforços de construção de aplicações de edição de texto, planilhas e apresenção em plataforma web poderiam convergir para a necessidade (ou a oportunidade) de construção de um ambiente operacional profundamente diferente do existente hoje e que poderia deixar de lado boa parte do que um computador é capaz de fazer e definitivamente do que os sistemas operacionais de hoje precisam fazer. Como tudo rodando na web no formato Stateless e sem a necessidade de baixar nada para sua máquina, para que precisaríamos de um Windows ou de um MacOS?

Na época lembro de ter encontrado dois ambientes semelhantes que se não chegavam a cumprir o objetivo de substituir o sistema operacional da máquina cliente pelo menos nos oferecia um ambiente operacional e ferramentas de trabalho bastante satisfatórias, apesar de um tanto lentas (o que era mais culpa da internet de então e das CPUs de outrora que qualquer outra coisa).

O principal destes ambientes operacionais web era, ao menos para mim, o finado My WebOS, que era bastante robusto em termos de Usabilidade (conceito ainda raro no meio acadêmico e ao qual nos referíamos na Interconnection, na época, como Análise de Interface).

Até hoje não se sabe se isto vai ou não acontecer, se os sistemas operacionais como os conhecemos vão ou não desaparecer, e há sim muito ceticismo a respeito, mas se há empresas que podem fazer com que isto aconteça são a Apple e (talvez até com mais velocidade) a Google que, em Novembro de 2009, lançou este vídeo sobre como as coisas poderiam ser.

Vou adorar colocar as mãos em uma máquina (sobretudo se for da Apple), que esteja aparelhada com um cloudOS desses, mas fico me perguntando… No fim do Século XX muitos de nós estávamos cheios de idéias e algumas delas eram boa demais para a época. O que me pergunto é se ainda é possível, para uma pequena empresa, mudar o paradigma tecnológico de todo o planeta, sem precisar, antes, se tornar uma gigante econômica.

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