Intolerância, Homofobia e Masculinidade

February 28, 2011  |  Como vejo o mundo..., Comportamento, Filosofia

Em instigante artigo acerca da pesquisa sobre Intolerância, de Cristina Lasaitis, publicada na Veja Online, Pollyane Lima e Silva discorre acerca do trabalho da pesquisadora que aponta a relação entre Homofobia e o conceito de Masculinidade.

Plenamente aceitável que uma pessoa, que só se interesse por mulheres, goste de ver duas mulheres juntas. O mesmo indivíduo, se não gosta de homens, de fato não vai apreciar ver dois homens juntos mais que um casal formado por um ornitorrinco e uma girafa… mas muito embora eu acredite que as pessoas devam poder pensar o que quiser, qualquer ato intolerante é de uma idiotia tão indesculpável que falho em compreendê-lo.

Considerando o fato de que – aos olhos de Homens e Mulheres – quando uma mulher se envolve com outra não perde nada e quando o homem se envolve com outro perde a masculinidade, é bastante previsível o fenômeno da homofobia – mas não menos estarrecedor.

Preconceito é o conceito que vem antes do conhecimento e, portanto, estúpido por definição. É a marca de quem não vê como importante refletir acerca das próprias idéias – sinal inequívoco da forma de burrice necessária para que a Homofobia continue existindo.

Eu, sinceramente, estou pouco me lixando para se o intolerante vê motivação em sua ideologia e em seus atos injustificáveis. Motivo todo mundo tem, seja estuprador, ladrão ou assassino. O improvável é que a motivação patética apresentada seja Justificativa de quaisquer destes atos.

Isto posto…

Resta saber se “a masculinidade só existe de fato na negação obsessiva da feminilidade e da homossexualidade” – como sugerido – ou se não é este o caso. Se a sugestão for um fato, a medida necessária, creio, deve ser de caráter cultural e educacional e não somente de caráter político ou legal que, sozinhos costumam funcionar ao contrário.

Não sei se o interesse masculino em casais formados por lésbicas é essencialmente relacionado a erotização desta forma de relação ou se é um corolário de se tratar da simples idéia matemática de que duas mulheres são melhores que uma.

Apesar de entender como válida a proposição, me parece razoável acreditar que o interesse é tão egoísta quanto aquele que coloca o homem na posição de aceitar a mulher que tenha fantasias em trazer uma amiga para a cama com ele, mas que repudia que esta mesma mulher traga um amigo.

Me parece que, no caso acima, trata-se mais do mero egoísmo do que necessariamente de uma erotização da imagem da mulher heterossexual ou homossexual. Parece-me o clássico exercício humano do hedonismo incondicional e egocêntrico.

Há muito a ser discutido acerca do assunto e há que se desvendar se existe de fato correlação entre intolerância e erotização da imagem da mulher, ou se a intolerância para com o casal homossexual masculino é de responsabilidade do preconceito de homens – E Mulheres – quanto ao noção de masculinidade.

Enquanto isso, o bom senso me diz que Feminilidade é atributo de quem é do sexo Feminino e Masculinidade é atributo de quem é do sexo Masculino. Como consequência, a opção sexual é a opção da prática sexual e não a opção – ou falta de opção – entre fazer parte de um gênero ou de outro. A Masculinidade ou a Feminilidade não deveria ser perdida, tanto quanto a Humanidade não deveria ser perdida, quando uma pessoa resolvesse praticar sexo com alguém do mesmo gênero entre quatro paredes ou expressar seu amor em público de forma aceita para quaisquer outras pessoas em relacionamentos heterossexuais.

Quanto a Lei Anti-Homofobia

A lei não reza sobre o que se pensa, mas sobre os nossos atos. Não é preciso que concordemos uns com os outros. Só é preciso que o mesmo respeito seja merecido por todos e, assim, garanta a diversidade.

Divulgue no Facebook



6 Comments


  1. Ótimo post. Do ponto que eu vejo, qualquer denominação genérica ou classificação, são produtos do Estado. A homofobia nasce no catecismo e na base cristã da educação brasileira, onde o Estado só é laico na constituição.

    Enquanto crianças continuarem a ser enviadas para catecismos a afins e enquanto os lares forem regidos por bíblias, teremos homofobia pois as escolas falham absurdamente na constituição da pluralidade como alicerce da sociedade.

    Curti muito este post.

    Abrax!

Trackbacks

Leave a Reply

You must be logged in to post a comment.