Mais um vídeo interessante a respeito do que o futuro nos reserva em termos de imagem em movimento e edição.
O potencial da tecnologia apresentada abaixo vai favorecer em muito o cinema e o futuro das câmeras de vídeo (com um pouco mais de pesquisa).
Completar imagens em movimento com imagens paradas de melhor qualidade pode fazer grande diferença e só agora isso é possível, graças ao artifício matemático de decupar a profundidade das imagens a partir de uma análise de matizes espectrais e interpolação de vídeo, aumentando a resolução de vídeos em até quatro vezes e resolvendo questões de trepidação de imagem.
Para o tratamento de vídeo e edição não existe paralelo, hoje, para estas técnicas.
Using Photographs to Enhance Videos of a Static Scene from pro on Vimeo.
Depois de insípido “Hulk” de Ang Lee, onde a melhor coisa do filme era a Jennifer Connelly, Louis Leterrier lança este ano “The Incredible Hulk”.
Vamos esperar que o climão do trailer seja conservado no filme e que, desta vez, sem a Jennifer Connelly, alguém preste atenção no resto do filme. =)
Segundo a Marvel, este filme marca o início da franquia “Hulk”, como se o filme de 2003 não tivesse acontecido
Com Edward Norton (em minha opinião a cara de Bruce Banner), o sensacional Tim Roth e William Hurt – notório fã do personagem – no elenco, não havia lá tanta chance de os fãs pré-aprovarem o casting. Quando se soma a este elenco um cross-over que trás Robert Downey Jr. como Tony Stark – personagem que ele vive também em “Iron Man”, começa a parecer pra quem gosta de quadrinhos que esse filme vai ser “coisa de gente grande”!
A presença de Downey Jr. é curioso, se levarmos em conta que Leterrier estava inicialmente interessado em dirigir “Iron Man”, projeto que fora assumido por Jon Favreau, mas seja como for, me parece que a escolha dos diretores é perfeita, até porque Leterrier buscou um visual mais soturno e realista para o personagem, fugindo da figura emborrachada do filme de Ang Lee.
Embora o filme tenha sido projetado para ser uma continuação da versão de 2003 de Ang Lee, Edward Norton re-escreveu o roteiro para torná-lo mais alinhado com a versão de 1978, de Patrick Boyriven e Mark Burley, com Bill Bixby e Lou Ferrigno.
Sim… é assustador revisitar a série antiga de TV, mas não é uma abordagem ruim, aos olhos de muitos fãs de quadrinhos e espectadores da série que viveram a época.
Esta noite na TNT vai ser exibido o Oscar 2008 a partir das 22:30. Para quem você está torcendo? E quem você acha que vai ganhar?
Com quase 800 títulos em DVD e mais de 1500 títulos cadastrados no MovieLens, creio que posso me considerar um Cinéfilo. Ainda assim, são poucos os anos em que me interesso tanto pelo Oscar.
Este ano algo de novo apareceu e, creio, se a Academia souber valorizar esta oportunidade, as coisas podem mudar um pouco no como fazer Cinema.
“Sangue Negro” veio para ganhar. Fez-se um filme na medida para ser o mais votado pela academia. É um filme primoroso, bem feito, ousado ao lançar mão da palavra tão poucas vezes e com uma trilha que nos deixa sempre na expectativa de que algo terrível vai acontecer (embora seja um tanto parecida demais com a trilha da série “Lost”).
Creio eu que “Sangue Negro” (veja o trailer) leva o Oscar de melhor filme e que, de diversas formas, ele merece! É um filme forte, interessante, profundo, bem dirigido e não há como questionar sua integridade.
O Oscar, contudo, precisa de caráter… a Academia precisa se arejar um pouco…
“Juno” (veja o trailer), contudo, está do outro lado da balança… e, não desmerecendo os demais concorrentes, o filme, que conta com a talentosa Ellen Page é algo novo, um filme que segue no caminho de “A Pequena Miss Sunshine” criando uma nova linguagem e um novo jeito de fazer Cinema.
Correndo o risco de ser criticado pelo elogio grandiloqüente, deixo bem claro aqui que, independente de achar que “Sangue Negro” vá ganhar, acredito que dar a estatueta de melhor filme para “Juno” faria um bem maior ao Mundo do Cinema.
Não há como negar que “Desejo e Reparação” é belíssimo! “Onde os Fracos não têm Vez” é um grande filme sem dúvida! Infelizmente não vi “Conduta de Risco”… mas mesmo não tendo visto “O Escafandro e a Borboleta” (ver detalhes aqui), aposto que devia estar dentre os indicados para Filme Estrangeiro!
Mas deixando de lado os ótimos filmes que estão concorrendo e pensando no futuro do Cinema não só como entretenimento mas como Arte, posso afirmar que vou ficar mais cínico a respeito de Hollywood se “Juno” não ganhar este ano.
Jason Reitman, que já havia sido ótimo ao dirigir “Obrigado por Fumar”, tem em seu currículo 21 vitórias além de ter sido candidato a mais 10 prêmios, sintoma inequívoco de seu talento.
Ellen Page provavelmente não vai levar o Oscar e tem ainda muita carreira pela frente, mas com escolhas inteligentes e consistência na busca por papéis que não degradem a imagem da Mulher, acabou ajudando Reitman a criar um filme moderno a respeito de aborto, do direito da mulher e sobre adolescer.
Uma outra dica sobre “Juno” se refere a adorável trilha sonora, no melhor do estilo Folk, já disponível por aqui.
“Juno” faturou o Oscar de Melhor Roteiro Original
Abaixo você vê a definição dos candidatos pela Academia:
Clique para baixar o papel-de-parede…
Vamos aos indicados:
Melhor Filme
- Desejo e Reparação
- Juno
- Conduta de Risco
- Onde os Fracos não têm Vez
- Sangue Negro
Melhor Diretor
- Julian Schnabel (O Escafandro e a Borboleta)
- Jason Reitman (Juno)
- Tony Gilroy (Conduta de Risco)
- Joel e Ethan Coen (Onde os Fracos não têm Vez)
- Paul Thomas Anderson (Sangue Negro)
Melhor Ator
- George Clooney (Conduta de Risco)
- Daniel Day-Lewis (Sangue Negro)
- Johny Depp (Sweeney Todd)
- Tommy Lee Jones (No Vale das Sombras)
- Viggo Mortensen (Senhores do Crime)
Melhor Atriz
- Cate Blanchett (Elizabeth: A Era de Ouro)
- Julie Christie (Longe Dela)
- Marion Cotillard (Piaf: Um Hino ao Amor)
- Laura Linney (The Savages)
- Ellen Page (Juno)
Melhor Atriz Coadjuvante
- Cate Blanchett (Não Estou Lá)
- Ruby Dee (O Gangster)
- Saoirse Ronan (Desejo e Reparação)
- Amy Ryan (Medo da Verdade)
- Tilda Swinton (Conduta de Risco)
Melhor Ator Coadjuvante
- Casey Affleck (O Assassinato de Jesse James…)
- Javier Bardem (Onde os Fracos não têm Vez)
- Philip Seymour Hoffman (Jogos do Poder)
- Hal Holbrook (Na Natureza Selvagem)
- Tom Wilkinson (Conduta de Risco)
Melhor Filme Estrangeiro
- Beaufort
- The Counterfeiters
- Katyn
- Mongol
- 12
Melhor Roteiro Adaptado
- Desejo e Reparação
- Longe Dela
- O Escafandro e a Borboleta
- Onde os Fracos não têm Vez
- Sangue Negro
Melhor Roteiro Original
- Juno \o/
- Lars and the Real Girl
- Conduta de Risco
- Ratatouille
- The Savages
Melhor Fotografia
- O Assassinato de Jesse James…
- Desejo e Reparação
- O Escafandro e a Borboleta
- Onde os Fracos não têm Vez
- Sangue Negro
Melhor Montagem
- O Ultimato Bourne
- O Escafandro e a Borboleta
- Na Natureza Selvagem
- Onde os Fracos não têm Vez
- Sangue Negro
Melhor Direção de Arte
- O Gangster
- Desejo e Reparação
- A Bússola de Ouro
- Sweeney Todd
- Sangue Negro
Melhor Figurino
- Across the Universe
- Desejo e Reparação
- Elizabeth: A Era de Ouro
- Piaf: Um Hino ao Amor
- Sweeney Todd
Melhor Trilha Sonora
- Desejo e Reparação
- O Caçador de Pipas
- Conduta de Risco
- Ratatouille
- Os Indomáveis
Melhores Efeitos Sonoros
- O Ultimato Bourne
- Onde os Fracos não têm Vez
- Ratatouille
- Os Indomáveis
- Transformers
Melhores Edição Sonora
- O Ultimato Bourne
- Onde os Fracos não têm Vez
- Ratatouille
- Sangue Negro
- Transformers
Melhor Maquiagem
- Piaf: Um Hino ao Amor
- Norbit
- Piratas do Caribe: No Fim do Mundo
Melhor Efeitos Visuais
- A Bússola de Ouro
- Piratas do Caribe: No Fim do Mundo
- Transformers
A foto já é meio antiga, pra esse povo de Internet – uns seis meses de idade – mas só me chegou às mãos agora, por uma mensagem do @CrisDias.

Eu já disse mais de uma vez e repito: “Guerra nas Estrelas” não são filmes, são páginas de um site do mestre Jedi George Lucas!
E, como dono do site ele atualiza quantas vezes e como ele quiser! =)
Mas que essa foto dele com a camiseta “Han Shot First”, bem ao lado do Indiana Jones, tá muito surreal mesmo!
Isso só mostra o senso de humor do nosso amigo.

E, apesar da versão mais nova mostrar diferente, segue a prova em vídeo de quem atirou primeiro na versão original:
O website ThingsFromAnotherWorld – ou www.tfaw.com – quase não me deixa ir embora. Se eu pudesse passava o dia todo navegando e comprando coisas inúteis por lá.

Não é por acaso que a tfaw se auto-intitula como “a melhor loja online de quadrinhos convencionais, quadrinhos de luxo, quadrinhos japoneses e coleções imortalizadas na cultura pop”.
Dá um gosto de infância e adolescência ao olhar para cada um daqueles personagens e lembrar de tantos outros! Talvez por isso eu goste de colecionar coisas… é uma forma de expressão da identidade que a gente quer imortalizar pra dividir com o outro…
No fim, isso nem importa tanto quanto o fato de que você vai ficar maluco quando tiver uma idéia do que eles têm por lá.
E, se o que você quiser, não estiver encontrando… você sempre pode ir em outra loja, ou em outra, ou naquela, ou naquela outra ainda, e tem mais aquela outra, uma que eu tinha esquecido e a não menos importante – dentre outras tantas.
Eles têm muita coisa que você quer e nem sabe que quer. Dê uma conferida para ver se eu não tenho razão.

Deixe um comentário e diga qual sua loja predileta!
Para mim foi a melhor série de quadrinhos já escrita e um dos mais ambiciosos projetos cinematográficos de adaptação da linguagem de HQ.

Marcou minha adolescência mais que qualquer outro quadrinho que eu tenha lido e muito mais que muitos filmes.
“Watchmen” foi responsável por alguns dos valores que, hoje, eu mais cultivo e que me ajudaram a passar, com integridade, por uma série de situações.
Ok, eu sou conhecido por “ler coisa demais” onde não tem tanta coisa escrita… Tem gente que chama isso de transcender, mas isso é papo pra outro post!
Seja como for, “Watchmen” não é apenas um clássico dos quadrinhos, uma história bacana feita para divertir, mas uma obra prima em termos roteiro e um enredo que não deixa a dever para dramaturgias consideradas mais nobres.
Alan Moore se superou ao escrever a história desenhada por Dave Gibbons – e já deve até estar cansado de dar entrevistas sobre o assunto.
A legião de fãs da obra não é nada pequena e gente como Doug Atkinson, Lucas Mitre Paio e Marc Mordelet estão aí para enriquecer ainda mais o potencial interpretativo de “Watchmen”.
Ganhadora dos prêmios Kirby e Eisner, a série de quadrinhos foi o único quadrinho da história receber o Prêmio Hugo, bem como a HQ escolhida pela revista Time como um dos 100 melhores romances desde 1923.
O filme será dirigido por Zack Snyder, diretor e roteirista de “300″ (de Esparta) – que falou com o Cinema com Rapadura – tem seu lançamento previsto para 2009 e o elenco definido parece bem interessante!

O Comediante (Edward Blake, Comedian no original), adaptado do Pacificador e com elementos inspirados em Nick Fury, da editora Marvel Comics.
A genialidade de Moore dentre outras coisas foi alimentada pela compra da Charlton Comics e de elementos de vários outros quadrinhos, como é possível encontrar na Wikipédia:
-
O Comediante (Edward Blake, Comedian no original), adaptado do Pacificador e com elementos inspirados em
Nick Fury, da editora Marvel Comics. - Doutor Manhattan, adaptado do
Capitão Átomo. - O Coruja I (Hollis Mason, Niteowl na versão original), adaptado do Besouro Azul
(Dan Garret). - O Coruja II (Dan Dreiberg), adaptado do
Besouro Azul (Ted Kord) e com elementos do Batman. - (Adrian Veidt), adaptado do
Thunderbolt. - Rorschach (Walter Kovacs), adaptado do
Questão. - Espectral I e II (Sally Juspeczyk e depois Laurie Juspeczyk, Silk Spectre na versão original), adaptadas da Sombra da Noite e com elementos da personagem da DC Comics conhecida como Lady Fantasma.
A riqueza do enredo é tão grande que fez com que gente de toda parte começasse a se mover para desenvolver fã-filmes, mas o que eu mais gosto é deste aqui:
Em “Watchmen”, o Vietnã foi uma vitória para os EUA em uma realidade alternativa; alguns cidadãos não aguentaram ficar de mãos abanando e resolveram se inspirar nos quadrinhos para combater o crime; uma criatura improvável surgiu após a morte de um certo Dr. Jon Oisterman envolvendo energia nuclear; o Decreto Keene, de 1977 exige o registro de todos os heróis que pretendem continuar na ativa, em resposta à greve da polícia e revolta da população, que achavam que estes agiam acima da lei.
Os heróis que continuaram a trabalhar, com supervisão do governo, como o Doutor Manhatan e o Comediante foram tolerados, sob a exigência de divulgarem para , as autoridades, suas identidades secretas; já os renegados, como o incontrolável, desequilibrado e brilhante, Rorschach, passaram a ser constantemente procurados pela polícia.
Já nas primeiras páginas, Edward Blake é assassinado, o que nos leva a conhecer o personagem de Roscharch… complexo, asqueroso e inteligentíssimo!
Quase não me atrevo a resumir o enredo da obra – então não reclamem se falei pouco – e recomendo, à quem não leu, que compre agora, antes que vire falha de caráter! =)
Em uma semana repleta de sonhos e pesadelos, acordando ofegante, suado e me sentindo ridículo por estar com medo de coisas que não estão lá, resolvi me perguntar o que, aos 36 anos, é fonte dos meus medos…

Imagino que sejam cartas marcadas, no caso de um cinéfilo como eu, imaginar que meus medos tem raízes em obras cinematográficas. Mas eu me surpreendi bastante ao perceber o que me inquieta, qual a estética que me abala e o que – caso acontecesse – faria meu ceticismo dar uma guinada e enregelaria minha espinha.
Revisitei tudo que pude me lembrar de obras literárias, quadrinhos, desenhos animados, filmes, acontecimentos e – com poucas menções honrosas – uma coisa me veio a mente e me mostrou em quanto essa imagem aí ao lado me causa calafrios…
Não que “Hellraiser” me amedronte. O vilão da estória – Pinhead – é uma personagem forte e tal, mas muito menos me aterroriza que a Lament Configuration (ou “Configuração do Lamento”, em português), como se convencionou chamar o cubo enigmático desvendado, voluntária ou inadvertidamente, pelos protagonistas, para abrir um portal entre o mundo dos vivos e uma dimensão infernal de dor e sofrimento.
Por algum motivo que me escapa, a dor e o sofrimento – que são, por si, amedrontadores – me apavoram muito menos que aquele artefato aparentado com um Cubo de Rubik mas cuja estética “barroca”, profundamente detalhada e ricamente ornada me arrepiam os pêlos da nuca sempre que dou com os olhos nela.
Há poucos outros elementos no gênero de Terror que me provocam tanto quanto o Lament Configuration… me lembro agora do personagem de Max Von Sydow em “Trocas Macabras“, da personagem que jamais aparece em “A Última Profecia“, Samara, de “O Chamado” e o Arcanjo Gabriel, de Christopher Walken em “Anjos Rebeldes“, mas realmente são poucos elementos – sobretudo em filmes mais novos – que me fazem sentir algum rastro, ainda que fugidio, de medo.
Em nome de descobrir o que tanto me impressionara naquele cubo cheio de mistério eu resolvi buscar o tanto que pude na Internet e ver de novo o primeiro filme da série “HellRaiser”.

…
Bom…
O filme deixa mesmo muito a desejar.
Podia mesmo ter sido magnífico. Mas não é – ou ao menos assim me parece.
Foi escrito e dirigido por Clive Barker – que como diretor era um ótimo escritor… mas não para o cinema.
Os efeitos especiais, para os quais eu nem costumo ligar tanto, embora os admire, estavam um lixo inigualável – ainda mais olhando com olhos de Século XXI.
Até mesmo o cubo me pareceu opaco no filme e, no dia seguinte, resolvi ir procurar novamente informações sobre o Lament Configuration.
O efeito foi o mesmo… o cubo, ao que parece, ficou maior do que o filme para mim.
Fico pensando quantas outras pessoas ainda têm calafrios ao olhar para aquele cubo de madeira e metal, quantas ainda sentem-se arrepiar antes mesmo de suas evoluções começarem.
O que mais me fascinava, creio, depois de muito pensar a respeito, é que alguém tinha construído aquele objeto, alguém diabólico o suficiente para ter um pé “do outro lado”. E a história desse sujeito era até bastante elaborada.
Ao que parece, de acordo com o romance “The Hellbound Heart“, com os quadrinhos da Epic Comics e com o quarto filme da série cinematográfica “HellRaiser” – de Clive Barker – Philip LeMarchand era um jovem e talentoso artífice, arquiteto e projetista reponsável pela criação de complexos quebra-cabeças que eram também caixas de música, na Paris do século XIX.
A época do ápice de seu sucesso como artífice Paris era assolada pelo desaparecimento de uma grande quantidade de pessoas, muitas das quais haviam adquirido as caixas de LeMarchand. Suspeitas não confirmadas recaiam sobre ele quando decidiu deixar a Europa e todos os seus pertences.
Após sua fuga, provas se acumulavam quanto a sua culpabilidade nos desaparecimento, dentre elas um auto-retrato usando não tinta a óleo, mas a base de gordura humana, quadro este que teria desaparecido na segunda guerra mundial.
Não é difícil achar esta uma história fraca e acreditar que há pouca relevância neste texto, no entanto, o que mais me intriga é em quanto o cinema perdeu – ao menos em minha opinião – a condição de aterrorizar, de horrorizar, se concentrando hoje mais em assustar.
Controlamos com tanta competência o calor, o frio e tantos aspectos da natureza que outrora nos oprimiam que, hoje, o último bastião de Medo que parece restar é o medo da violência… e talvez por isso os filmes vêm sistematicamente nos oferecendo banhos de sangue no lugar de um terror psicológico (por vezes com toques sobrenaturais) como estavam presentes em “Os Inocentes” ou “O Iluminado“.
Talvez a saída esteja em questionar convincentemente a nossa noção da realidade. Nossa noção fechadinha de como as coisas funcionam… uma noção que deve ser desmantelada aos poucos por tantas técnicas de suspensão de descrença quanto o autor puder usar, como se fosse um nó difícil ou um quebra-cabeças, uma caixa que abra as portas para um outro mundo, para uma outra realidade.
Cada uma de nossas mentes, hoje, é um exemplo da “Configuração do Lamento”… e eu lamento muito…
Clive Barker diz: “O terror começa com uma porta entre-aberta”, mas eu diria que o terror começa com uma caixa fechada: Nós.



