O que é Internet?

Os deuses da civilização ocidental moderna que me livrem de não ser objetivo com relação às perguntas complexas, uma vez que é importante, hoje, fazer com que tudo pareça simples…

mapa-da-internet-map-negative.jpgÉ possível definir superficialmente a Internet de um sem número de maneiras, dando este ou aquele viés para a resposta, entretanto, a resposta é muito menos interessante que a pergunta.

As mais impressionantes, interessantes e significativas realizações do Ser Humano sobre a Terra tendem a esquivar-se de definições, sobretudo quando percebemos a raiz de seus significados nos mais diversos ramos do conhecimento.

Sem arriscar a afirmação de que é tão difícil definir o que é Internet quanto é difícil definir o que é Filosofia ou Arte, gostaria de apontar para o fato de que as definições apenas mostram o caminho, mas acabam se colocando em nosso caminho quando se trata de entender uma questão com a devida profundidade.

Uma vez que uma fartura de definições pode ser encontrada em qualquer Google da vida ou na Wikipedia.org, vou me ater a tangenciar o qual o significada da Internet.

A tarefa talvez seja ainda mais difícil, é verdade, entretanto ela bem pode se mostrar mais frutífera para alguém realmente interessado no que a Internet de fato é.

E o que a Internet significa?

Sob a promessa de ser um meio de comunicação democrático e comunitário, a Internet, hoje, é um meio pelo qual um sem número de veículos trafegam e são deixados a disposição para que cerca de 17% da população mundial freqüentem um determinado número de websites que reafirmem suas crenças e anseios individuais, retro-alimentando sua visão de mundo e sustentando a estrutura existencial que estes usuários gostam de acreditar existir nas coisas – como a falácia de que adquirimos muito mais conhecimento agora com a Internet.

Como se pode notar, dentre estas visões de mundo auto-contidas, as quais me refiro, elenco a de que “a Internet é um meio democrático” e a de que “adquirimos muito mais conhecimento agora com a Internet”.

Por maior que seja o esforço social no sentido de alcançarmos uma supostamente essencial “Inclusão Tecnológica”, por maior que seja a quantidade de informação disponível na Grande Rede, a Inclusão Social continua mais importante e o interesse por informação fora do âmbito do interesse de dado indivíduo continua limitado – mesmo dentro da margem dos 17% que acessam a rede.

A Internet é prática e divertida para a população de classe média alta, classe média baixa e de qualquer indivíduo das classes baixas que tiver a chance de bater-papo anonimamente ou ver vídeos de entretenimento, mas é principalmente para o trabalho que ela é utilizada com relevância, na produção de subjetividade/cultura.

Divertir e ajudar na comunicação, contudo, é uma mera conseqüência de sua existência. A Internet significa maior potencial de tráfego de informação, valores e dinheiro para Corporações estas sim os verdadeiros usuários deste meio.

Não há como negar o potencial de mudança, a força adormecida da Internet no atendimento das massas, entretanto qualquer mudança social a ser perpetrada “pela Internet”, será feita a partir dos mesmos interesses que fizeram a máquina andar até aqui: o interesse Corporativo.

Cada vez mais um veículo tão vulnerável quanto os demais como meio para um fim publicitário, a Internet vai se posicionando como mais uma plataforma para campanhas, furtivas ou não, cujos interesses têm muito menos a ver com aqueles alinhados com o bem estar social e muito mais com interesses políticos, institucionais ou negociais.

Isto não é essencialmente ruim ou bom, na opinião deste autor, mas a forma como viemos fazendo as coisas a cada vez que um novo meio de comunicação se estabelece.

O que me parece um fato é que a Internet pode ser muito mais, mas que isso exigiria mudanças socias que sequer estão na agenda de Estados que fazem ouvidos moucos para o clichê nada equivocado de que a Educação é uma saída óbvia para a burrice em todas as cores que tinge todas as camadas da sociedade.

A quem atende uma sociedade erudita e questionadora? Certamente não àqueles que pretendem vender para ela!

Há uma máxima que diz que “Quem cria a demanda é quem vende o produto”. Se esta tese estiver certa, nada mais adequado que termos implantada uma cultura hedonista que só quer saber de entretenimento, que é assediada por uma colossal oferta de venenos doces e venenos salgados, que vê mais valor na praticidade que no ritual, que vê mais sentido no imediato do que a espera, que entende melhor a vantagem que o sacrifício, que não compreende integridade como sucesso.

A Internet não é a causa dos males do mundo, longe disso, mas a forma dada ao seu uso, e ao uso de nosso sistema de telefonia, rádio difusão e Televisão, são o reflexo de uma civilização doente e moribunda, profetizada por Filósofos e escritores de Ficção Científica suficientes para acordar qualquer um que não escute somente a cacofonia dos sons polifônicos, tocadores de mp3 e podcasts da vida.

Concluindo…

Mas talvez nem tudo esteja perdido, se uma fração destes 17% – nem que apenas uns 10% disso – resolverem, de alguma forma que talvez ainda não tenhamos descoberto, produzir subjetividade, valores e estética de uma forma que toque o restante daqueles que já se utilizam da Internet, em um movimento cultural contagiante que talvez conseguisse se esgueirar pelos interesses da máquina sem que ela notasse, tocando cada vez mais gente que a própria máquina tem tentado alcançar com os tentáculos da “Inclusão Digital”.

Se é que dá pra ser objetivo a respeito da questão, que eu seja objetivo de forma contextualizada e defina a Internet como: Meio no qual se propagam interesses institucionais misturados a cultura de massa, objetivando vender valores e produtos.

Sem deixar de acrescentar que também pode se tratar do: Campo onde talvez seja travada a batalha entre o interesse Corporativo e o do Consumidor – se este quiser voltar a ser… Homem.

Bruno Accioly

Esta página foi escrita com intuito de fornecer material para Maíra Lazarini, estudante da Universidade Estadual de Londrina, que enviou-me a pergunta “O que é Internet?”, que partilhei com algumas pessoas especiais, que considero capazes de responde-la com propriedade e relevância.

É importante dizer que, ao convidar estas pessoas para discorrer a respeito do assunto, pedi que escrevessem a resposta como achassem melhor, seja em 140 caracteres ou em 4.092, garantindo que conseguíssemos o maior número de respostas e a maior liberdade na linguagem utilizada.

A medida que as respostas forem chegando, publicarei aqui neste post do Sarcasmos Múltiplos.

O que é Internet?

Wikipedia.org

Há uma definição clara e objetiva do que é a Internet, segundo a Wikipedia.org: “A Internet é um conglomerado de redes em escala mundial de milhões de computadores, interligados por um protocolo de comunicação chamado TCP/IP, que permite o acesso a informações e todo tipo de transferência de dados. A Internet é a principal das novas tecnologias de informação e comunicação (NTICs).”

Edney “Interney” Souza

Conforme ele publicou em seu twitter: “A internet é uma rede de pessoas mediada por computadores, ou uma rede de computadores operada por pessoas, depende da versão do usuário.”

Marco “Boo-Box” Gomes

O Marco Gomes enviou por e-mail: “A Internet é uma rede de máquinas que interliga pessoas, com poucas semelhanças e muitas diferenças dos círculos sociais a que o mundo estava acostumado até o século XX. Como toda sociedade, existem os líderes, guerrilheiros, do contra, invejosos, ladrões, burocratas…”

Amir “InterSystems” Samary

O Amir Samary, da InterSystems, enviou por e-mail:

“Eu acredito que a Internet é a mais recente manifestação da teoria da Evolução de Darwin. Parece loucura, mas há várias razões para pensar assim… A falta de educação ou o monopólio da informação, na minha opinião, sempre foram as grandes causas de todas as nossas grandes desgraças. Guerras, conflitos com base religiosa e inquisição são apenas um exemplo. O último exemplo foi/é a guerra no Iraque, que começou com a (des)informação de que o pais estava produzindo armas de destruição em massa e abrigava terroristas responsáveis pelo ataque. Por mais democrática que seja a Internet, parece que ainda sofremos com a desinformação.

No entanto, não podemos deixar de reconhecer que as pessoas estão mais informadas e que é mais difícil atualmente criar uma grande conspiração. Ainda acontece, diferente de algumas décadas atrás, ela deve ser muito mais elaborada e pensada, com grandes riscos. Mas a democratização da Informação ou da desinformação está longe de ser educação. Mas grandes mudanças são sempre promovidas por processos longos e quem vive estes processos raramente percebe que alguma coisa está acontecendo, salvo alguns iluminados. O governo Chinês é outro exemplo que sofre com a crescente liberdade de expressão e conflito constante proveniente de um governo que ao mesmo temo quer manter o status qúo e participar de uma comunidade global que, mais ou menos democrática e livre, é mais liberdade que eles jamais tiveram. Já estão comendo todo o nosso arroz e ficando cada vez mais fortes.

A Evolução que mencionei no primeiro parágrafo, na minha opinião, está no fato de que a humanidade, como um organismo, desenvolveu um anticorpo para muitos de seus problemas e este anticorpo luta ferozmente contra as doenças que nos destroem como civilização. Vemos constantemente manifestações sobre o aquecimento global, manifestações contra guerras civis como o Tibete e a China, manifestações contra desmatamento, e outras tantas manifestações que nos fazem sentir-nos cada vez menos individualistas.

Somos mitocôndrias! As mitocôndrias, organismos microscópicos que vivem dentro de cada uma de nossas células, desenvolveram uma relação simbiótica conosco e hoje realizam atividades fundamentais provendo a maior parte da energia necessária para todas as atividades celulares. Nós, seres humanos, vivemos em pequenas comunidades (células) e desempenhamos funções essenciais para este gigantesco organismo, a Terra. E parece que agora estamos cooperando e energizando o mais novo produto da Evolução terrestre, um novo e renovado sistema nervoso e linfático, que luta arduamente contra os problemas mais graves que acometem o planeta: A falta de educação e a corrupção.

Mas não devemos estar satisfeitos em ser mitocôndrias. Mitocôndrias trabalham sem conhecer os propósitos do organismo em que vivem. Elas apenas provêem a energia necessária para suas atividades sem pensar. Devemos ajudar a promover a boa educação e a transparência. A liberdade de expressão e livre comunicação. Devemos ajudar a este mais novo órgão vital a desenvolver-se e ajudar-nos como civilização e não deixar que vire mais um câncer…”

Tainã Nalon

A Jornalista Tainã Nalon, do www.tainalon.com, publicou um post respondendo a e-nquete: “Muito além de ser apenas uma rede de produção e busca de informação e entretenimento mediada por computadores, a internet é uma rede de informação e entretenimento, por sua vez, mediados por poucas pessoas (cerca de 10% da população do planeta). Desse modo, não é de todo uma ferramenta revolucionária, pois ainda é uma mera reprodução das mídias tradicionais. Ela anda mais como legitimadora das percepções de uma elite usuária entusiasmada com a possibilidade de uma nova marionete digital.

É porque, concordando com Marshall McLuhan, o indivíduo que recebe a tarefa de mediar informação para pessoas comuns torna o meio um elemento conservador de paradigmas. A internet reproduz e legitima, portanto, valores e comportamentos sociais nos quais essas pessoas estão inseridas, distraindo o idiota tecnológico para uma dimensão de liberdade de escolha que é, na verdade, atribuída ao outro. Você me lê por causa da internet, mas eu seleciono as informações do meu texto para te fazer perceber a internet do meu modo.

A internet é um meio de comunicação social, simplesmente. E, se na sociedade apenas dialogamos com iguais, como podemos supor que internet é um agente modificador por excelência?

A internet é um aglutinador de várias semelhanças. Só será plural se pretender tornar algumas pessoas legítimas mediadoras de diferenças.”

Louise Martins

A Analista de Marketing Louise Martins, do MarketingBox, publicou um post respondendo a e-nquete:

“Internet ou Uma Odisséia”

“Ano 3089″

“Carros voam, pessoas se comunicam através de ships instalados em seus cérebros, 100% do tempo conectado e e-mail é algo ultrapassado. O negócio agora são as micro mensagens que você transfere com a força do pensamento. Viva a contemporaneidade.

Ok, um pouco viagem. Mas tirando todos os exageros e entendendo o sentido da coisa, é mais ou menos assim que a Internet é vista por uma grande parcela da população: um portal para um mundo maravilhoso, onde tudo é moderno e lindo e…. e mais nada, porque Internet não é isso. Ou não é só isso (vou respeitar os entusiastas).

Alguém lembra da TV? Então, a TV. Quando chegou no brasil, a caixa mágica que abria os olhos para um mundo de possibilidades antes inexistente já foi sendo acusada de ser um dos motivos do fim do rádio. Fim esse que nunca existiu, afinal o rádio continua aí firme e relativamente forte, principalmente entre as classes C, D e E.

A TV introduziu, aos poucos (primeiro nas elites e depois no resto da população) uma nova forma de se informar, se entreter. O fato de ter imagens, de ser mais dinâmica que o rádio foi um dos motivos do encantamento e cegueira de muita galera.
Depois de muito tempo de transformação, de se entender qual linguagem de fato era “ideal” para TV, como trabalhar público e publicidade através dela, chegamos ao ponto de acharmos que não há mais nada de novo para fazer, que estagnamos mais uma mídia.

Aí, nesse semblante caótico, surge a Internet. Oba, mais um mundo de possibilidades, de sons, música, movimento e… e cegueira versão século 21. Quantas vezes você já não ouviu “a Internet é a rede MUNDIAL de computadores, TODO MUNDO está conectado, o mundo será revolucionado por essa plataforma interativa e bla bla bla”. Sim, Internet é uma evolução, introduziu novas possibilidades e novos campos, mas nenhum deles matará nenhum outro. Muito mais do que ver a Internet como plataforma de publicação, revolucionária da vida humana e mágica (“põe na Internet que TODO MUNDO compra”), a Internet vai contribuir para moldar novos comportamentos, novas formas de sociabilização, produção/divulgação de informação. Vai contribuir e ao mesmo tempo estragar qualquer forma de democratização de informação, vai ampliar o alcance de tudo, ao mesmo tempo que super fragmenta a massa cada vez mais. Perde-se a personalidade da massa, ganha-se a personalidade do grupo. Mas tudo ainda está em estágio inicial, as informações ainda são jogadas a esmo e o público (sim, nós), acostumado em receber as informações mastigadas pelo agenda setting das grande mídias, ainda não sabe direito como filtrar, limpar o que serve ou não (até porque esse conceito é mais do que relativo).

As novas gerações, que já nasceram achando que a Terra é um grande mundo virtual, também não sabem filtrar direito as informações, afinal as pessoas que “fazem” a Internet ainda não sabem muito bem como colaborar com isso.

Tudo ainda está em transformação, ainda não tem um corpo definido. Não há como definir não tecnicamente algo que cada um utiliza de uma forma diferente, com objetivos distintos (e eu não quero definir tecnicamente porque os entendidos já fizeram isso). E talvez essa seja a graça e o encantamento da coisa: a não definição, a liberdade de fazer parte de algo do jeito que cada um preferir (ou mais ou menos assim), mas é necessário manter o pé no chão e entender que de novo mesmo não tem muito coisa ainda (nem acho que terá), além da facilitação de muitos processos que antes aconteciam timidamente por aí.

Não há criação de comportamentos, há adaptação. E, como escreveu tio Darwin, quem não se adapta não resiste ao processo de seleção natural.”

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Os demais ainda estão para mandar as suas definições e o significado que enxergam na rede.