Eu estou devendo uns ensaios aqui, é verdade, mas enquanto não acontece graças a minha presença constante em São Paulo e tantos outros projetos, dêem uma olhada nesse vídeo – ainda que já tenham visto. Tá muito difícil olhar pra Brasília sem sentir vergonha… Deu vontade então de ouvir isso até eu fazer alguma coisa… ou até eu blogar um vídeo.
Enquanto eu não preparo meu pequeno artigo sobre a Apple – me aguardem! – dêem uma olhada nesse magnífico debate musical. Uma delícia de ver como é que Steve Jobs e Bill Gates mudaram o planeta com sua ousadia e genialidade.
Dar presente para os amigos pode ser muito difícil… a gente fica pensando em mil coisas. Mas esse produto abaixo é ótimo para quando você não sabe o que dar para seu pior inimigo! Um testador de tomadas, para ver se há ou não corrente elétrica! Em uma palavra: Brilhante!


É lamentavelmente fácil desconhecermos a existência de algo magnífico na Internet, dada a quantidade de informação disponível, a divulgação ineficiente e a nossa noção de que não temos tempo pra nada.
Meu irmão Paulo de Albuquerque me mandou este endereço, do qual é possível baixar livros inteiros, publicações sobre educação, música erudita em mp3, gravuras, ilustrações, pinturas, vídeos educacionais e documentários sem qualquer custo e com alta qualidade.
O acervo do Ministério da Educação, segundo ele, está para ser retirado do ar por falta de acessos, o que seria uma lástima, já que, só de obras nacionais, reunie mais de 700 títulos.
O portal foi lançado em 2004 e tem como objetivo veicular obras livremente através de uma biblioteca virtual de referência para professores, alunos, pesquisadores e quem mais se interessasse.
Outro objetivo do portal seria provocar a discussão sobre a legislação relacionadas aos direitos autorais, diante dos novos paradigmas de mudança tecnológica, da produção e do uso de conhecimento.
Não sei se campanhas web lançadas por um site obscuro como este aqui adiantam de alguma coisa, gente… mas quem ler o que estou escrevendo aqui, por favor vá até o endereço abaixo e faça uma busca por obras de qualquer natureza e baixe alguma coisa – qualquer coisa – para ler, ver ou assistir.
E para quem se interessar pela questão Direito Autoral, Copyright, Liberdade Digital e Creative Commons, vale ouvir (aí embaixo) o PodcastUma forma de publicação de programas de áudio pela Web e que permite aos utilizadores acompanhar a sua atualização. que teve a participação de meu amigo Cristiano Dias sobre o assunto (organizado pelo pessoal do Brainstorm #9).

A foto da semana (passada) não me saía da cabeça e acabei tendo que publicar aqui.
Esse pai de primeira viagem aí é o Mairus Maichrovicz, com a Laurinha no colo.
É bem o retrato dessa geração louca regada – na flor da idade – a Telejogo, Atari, Odissey, Donkey Kong, PlayStation, XBox, PC Games e todos os outros vícios que aportaram nas nossas praias em nossa infância e adolescência.
Fico pensando o que os meus pais pensam vendo essa imagem – além do óbvio “Oh! Que bebê lindo!”.
Seja como for, essa foto foi bem emblemática, pra mim, da nossa geração (ao menos a parte dela que eu conheço).
Mairus tem a minha idade, 36 anos. Espero que, quando eu tiver filhos, tenha momentos tão inesquecíveis quanto este aí. E você me desculpem, mas eu tinha que dividir esse sentimento com aqueles que vem aqui e que ainda não freqüentam o blog do cara.

Em uma semana repleta de sonhos e pesadelos, acordando ofegante, suado e me sentindo ridículo por estar com medo de coisas que não estão lá, resolvi me perguntar o que, aos 36 anos, é fonte dos meus medos…

Imagino que sejam cartas marcadas, no caso de um cinéfilo como eu, imaginar que meus medos tem raízes em obras cinematográficas. Mas eu me surpreendi bastante ao perceber o que me inquieta, qual a estética que me abala e o que – caso acontecesse – faria meu ceticismo dar uma guinada e enregelaria minha espinha.
Revisitei tudo que pude me lembrar de obras literárias, quadrinhos, desenhos animados, filmes, acontecimentos e – com poucas menções honrosas – uma coisa me veio a mente e me mostrou em quanto essa imagem aí ao lado me causa calafrios…
Não que “Hellraiser” me amedronte. O vilão da estória – Pinhead – é uma personagem forte e tal, mas muito menos me aterroriza que a Lament Configuration (ou “Configuração do Lamento”, em português), como se convencionou chamar o cubo enigmático desvendado, voluntária ou inadvertidamente, pelos protagonistas, para abrir um portal entre o mundo dos vivos e uma dimensão infernal de dor e sofrimento.
Por algum motivo que me escapa, a dor e o sofrimento – que são, por si, amedrontadores – me apavoram muito menos que aquele artefato aparentado com um Cubo de Rubik mas cuja estética “barroca”, profundamente detalhada e ricamente ornada me arrepiam os pêlos da nuca sempre que dou com os olhos nela.
Há poucos outros elementos no gênero de Terror que me provocam tanto quanto o Lament Configuration… me lembro agora do personagem de Max Von Sydow em “Trocas Macabras“, da personagem que jamais aparece em “A Última Profecia“, Samara, de “O Chamado” e o Arcanjo Gabriel, de Christopher Walken em “Anjos Rebeldes“, mas realmente são poucos elementos – sobretudo em filmes mais novos – que me fazem sentir algum rastro, ainda que fugidio, de medo.
Em nome de descobrir o que tanto me impressionara naquele cubo cheio de mistério eu resolvi buscar o tanto que pude na Internet e ver de novo o primeiro filme da série “HellRaiser”.

…
Bom…
O filme deixa mesmo muito a desejar.
Podia mesmo ter sido magnífico. Mas não é – ou ao menos assim me parece.
Foi escrito e dirigido por Clive Barker – que como diretor era um ótimo escritor… mas não para o cinema.
Os efeitos especiais, para os quais eu nem costumo ligar tanto, embora os admire, estavam um lixo inigualável – ainda mais olhando com olhos de Século XXI.
Até mesmo o cubo me pareceu opaco no filme e, no dia seguinte, resolvi ir procurar novamente informações sobre o Lament Configuration.
O efeito foi o mesmo… o cubo, ao que parece, ficou maior do que o filme para mim.
Fico pensando quantas outras pessoas ainda têm calafrios ao olhar para aquele cubo de madeira e metal, quantas ainda sentem-se arrepiar antes mesmo de suas evoluções começarem.
O que mais me fascinava, creio, depois de muito pensar a respeito, é que alguém tinha construído aquele objeto, alguém diabólico o suficiente para ter um pé “do outro lado”. E a história desse sujeito era até bastante elaborada.
Ao que parece, de acordo com o romance “The Hellbound Heart“, com os quadrinhos da Epic Comics e com o quarto filme da série cinematográfica “HellRaiser” – de Clive Barker – Philip LeMarchand era um jovem e talentoso artífice, arquiteto e projetista reponsável pela criação de complexos quebra-cabeças que eram também caixas de música, na Paris do século XIX.
A época do ápice de seu sucesso como artífice Paris era assolada pelo desaparecimento de uma grande quantidade de pessoas, muitas das quais haviam adquirido as caixas de LeMarchand. Suspeitas não confirmadas recaiam sobre ele quando decidiu deixar a Europa e todos os seus pertences.
Após sua fuga, provas se acumulavam quanto a sua culpabilidade nos desaparecimento, dentre elas um auto-retrato usando não tinta a óleo, mas a base de gordura humana, quadro este que teria desaparecido na segunda guerra mundial.
Não é difícil achar esta uma história fraca e acreditar que há pouca relevância neste texto, no entanto, o que mais me intriga é em quanto o cinema perdeu – ao menos em minha opinião – a condição de aterrorizar, de horrorizar, se concentrando hoje mais em assustar.
Controlamos com tanta competência o calor, o frio e tantos aspectos da natureza que outrora nos oprimiam que, hoje, o último bastião de Medo que parece restar é o medo da violência… e talvez por isso os filmes vêm sistematicamente nos oferecendo banhos de sangue no lugar de um terror psicológico (por vezes com toques sobrenaturais) como estavam presentes em “Os Inocentes” ou “O Iluminado“.
Talvez a saída esteja em questionar convincentemente a nossa noção da realidade. Nossa noção fechadinha de como as coisas funcionam… uma noção que deve ser desmantelada aos poucos por tantas técnicas de suspensão de descrença quanto o autor puder usar, como se fosse um nó difícil ou um quebra-cabeças, uma caixa que abra as portas para um outro mundo, para uma outra realidade.
Cada uma de nossas mentes, hoje, é um exemplo da “Configuração do Lamento”… e eu lamento muito…
Clive Barker diz: “O terror começa com uma porta entre-aberta”, mas eu diria que o terror começa com uma caixa fechada: Nós.




