“Expectantes”

June 14, 2007  |  Teatro  |  1 Comment

A Companhia de Atores Invisíveis – invisiveis.subtom.com.br – re-estreou “Expectantes” na Casa de Cultura Hombu, na Lapa, dia 30 de Maio. Toda quarta-feira eles estão lá… e eu fui assistir.

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É difícil não usar de superlativos ao falar do trabalho da Companhia nesta “instalação”, sim, porque se trata muito mais de uma instalação do que de uma peça simplesmente.

Engajada e comprometida com um método e uma filosofia de criação e encenação, a Companhia me dera a oportunidade de participar de um ensaio da peça, que muito me impressionou mas que perdeu as cores quando tive a oportunidade, ontem, de ver o espetáculo.

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Vou explicar… A  digitalorientedtechnologies – minha empresa com o Angelo Braga, Cris Dias e Mairus Maichrovicz – foi quem desenvolveu o webSite da Companhia de Atores Invisíveis dentro de um esquema de apoio cultural, o que estreitou ainda mais os laços entre a e a Companhia, e que acabou fazendo com que o webSite tivesse bem a cara do trabalho que eles desenvolvem.

Todos os sócios da foram então intimados a assistirem a “Expectantes” como cortesia… e que cortesia.

A instalação – como não me canso de chamar – usa bem o espaço amplo da Casa de Cultura e, já de cara, faz alusão a um teatro mais clandestino, ativista e inquieto, quase setentista. Ao entrar, o espectador dá de cara com um vídeo acerca do processo de criação da Companhia e com uma estrutura de cortinas brancas e aparato de luzes e som para todos os lados. O charme enigmático da disposição das coisas, objetos pelo chão e do palco no nível da platéia acabam embalando-nos e preparando-nos para algo diferente.

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Quando as luzes se apagam e começa a apresentação, com truques cenográficos simples e poderosos, não é difícil imaginar que vai se tratar de um teatro mais conceitual, intimista e hermético… uma espécie de balé de expressão teatral. Mas o roteiro, os atores e o clima da instalação, pela primeira de muitas vezes vai quebrando todas as nossas expectativas, seja de forma sutil ou violenta.

Com direção de Marcio Moreira e Jorge Leite, direção musical de Kátia Jórgensen e preparação corporal e direção de movimento de Tiago Quites, a Companhia mostra a que veio exibindo uma peça ambiciosa e ousada por sua profundidade temática e riqueza na elaboração.

A expectativa é o ponto nevrálgico da instalação da Companhia e ela se mostra na figura trágica de todos os personagens, em suas inadequações, inseguranças, ingenuidade, desilusões, fraquezas e em sua maldade.

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O Palhaço, vivido por Márcio Moreira, e sua sacola de truques, têm um charme todo especial e um timing sensacional para a comédia física sutil; a Cigana (Marcela Rodrigues), seus panos e cartas, impõe um ritmo oscilante entre a realidade comezinha e a esperança de um supra-sensível que nos seja vantajoso; o Carteiro (Tiago Quites), rico em vícios, crenças e complexidades, é a personagem que carrega consigo não só as cartas, mas a responsabilidade de chamar à palavra os demais; a Noiva, personagem trágica e enérgica, cheia de dor e sempre a espera do noivo que a deixou no altar, vivendo uma montanha russa de sentimentos magnificamente interpretados por Kátia Jórgensen; e o Travesti, incorporado brilhantemente por Jorge Leite, invocando do nosso imaginário a marginalidade e violência em cada pequeno gesto que ameaça fazer em qualquer direção.

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“Expectantes” não é uma peça teatral fácil, não tem a intenção de ser pop e nem de ser óbvia. O contato com uma forma de expressão mais sutil e menos denotativa que conotativa, creio, é profundamente importante para adultos e jovens e não raro é ouvir comentários divertidos e contra-intuitivos dos espectadores na saída do teatro.

Em um papo informal na Taberna do Juca, depois da peça, Kátia me falou de uma miríade de detalhes e minúcias que são de percepção difícil – e por vezes impossível – no trabalho deles: as falas fragmentadas atiradas a esmo no “palco” e na platéia, sílabas desconexas de frases Existencialistas, sorteadas depois de misturadas e remontadas para fazer um texto; subtextos do nosso imaginário coletivo que fazem referência desde ao folclore até a cultura pop televisiva; o uso da música de acaso (ou aleatória), que se utiliza, de forma não convencional, da voz, de objetos e do ambiente, criando um clima sinestésico que relaciona sensações e sentimentos através da música.

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Entre risos nervosos e apreensão da platéia é palpável a curiosidade de quem está em volta, confinado entre as quatro cortinas que rapidamente se tornam paredes, uma caixa inviolável em que o espectador sensível tem a possibilidade de sentir-se dentro de si mesmo – mas acompanhado – rindo junto e sofrendo o embaraço de partilhar com quem está em volta as cenas que vão do engraçado ao grotesco… a chamada “quarta parede” não existe, estamos lá dentro com eles… e o maior dos palcos é aquele do qual jamais vamos conseguir fugir.

Partindo da expectativa – uma constante em seus personagens e em todo ser humano – a Companhia de Atores Invisíveis desvela diante de nós um parque de diversões imaginário, dispondo-nos uma cenografia do impossível diante dos olhos – emprestada do que há dentro de nossas cabeças.

Vemos ali o que todos sabem que existe, mas que ninguém vê. Não divisamos ali o que as personagens vêem porque, no caso, não importa. O parque de diversões da vida fica insignificante e transparente diante da espera na fila-da-nossa-vez.

Os Atores Invisíveis entregam o que se supõe entregar, uma estória sobre a qual não fazem sombra, jamais se interpondo entre o conto e o ponto de vista do espectador… gerando reflexão, instigando sensações e provocando a sensibilidade numa vida que é cheia de som e fúria.

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O Mundo vai Acabar

June 11, 2007  |  Patético  |  3 Comments

Só não sabemos quando… Mas, de repente, já até acabou, porque, sinceramente, a coisa tá feia nesse mundinho velho de meu Zeus!

O Céu está Caindo!!!

Como se não bastasse a imprecisão da imprensa leiga na divulgação de dados científicos e mesmo da obliteração de dados científicos por parte do Estado com motivos puramente econômicos, nos aparece agora uma modalidade já antiga, mas usada de uma forma crescentemente mais irresponsável e desprezível a cada dia que passa.

Recebi o endereço com a notícia sem que me fossem dadas maiores informações e, quando bati os olhos pelas linhas disse de mim para mim: “Mais um asteróide em rota de colisão com a Terra e que vai nos destruir a todos”.

Muita gente nem presta atenção, mas de um a três asteróides, de diferentes tamanhos, são veiculados pela imprensa leiga como tendo entrado em rota de colisão com nosso planeta todo ano. Como pouca gente fica com a cabeça no mundo da Lua como eu, acaba esquecendo que isso acontece sempre, mas eu não esqueço mesmo!

O endereço que me foi passado tinha algo de estranho… não no texto – apesar de estar escrito que “Astrônomos amadores descobriram que o asteróide 2-Pallas teve sua órbita alterada”, nem mesmo porque eu não tinha idéia do que poderia alterar a órbita de Pallas daquela maneira – mas porque eu jamais tinha ouvido falar desse site. Imediatamente tirei tudo o que não interessava no endereço e digitei só o www.mundodaastronomia.com.

Não deu outra! A notícia continuou lá, não importava o endereço, o que significava que alguém queria muito divulgar aquela pérola…

Asteróide Pallas poderá se chocar com a Terra em 2007

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Astrônomos amadores descobriram que o asteróide 2-Pallas teve sua órbita alterada e segundo os últimos cálculos está em rota de colisão com a Terra. Os principais centros espaciais do mundo ainda não se pronunciaram, mas já existe uma grande mobilização na comunidade científica e militar.

O impacto poderá trazer grandes conseqüências, levando em conta a extensão do asteróide, considerada a segunda maior do cinturão que vai de Marte a Júpiter.

O 2-Pallas mede 558x526x532 km e caso a informação seja confirmada trará mudanças sem precedentes na existência humana na Terra. A colisão deverá acontecer na primeira quinzena de julho de 2007. Logo, deveremos ter novas notícias das autoridades competentes, que por enquanto evitam comentar o fato para não gerar um descontrole generalizado na população mundial.

Lendo direitinho a gente vê um monte de problemas na notícia – tem até uma nota miúda no rodapé dizendo “Informe Publicitário” – mas pra cortar caminho basta consultar quem é o dono do domínio e tudo fica bem mais claro.

Trata-se de um golpe publicitário de meia tigela, indesculpável e vergonhoso cometido por alguém na folha de pagamento da Peugeot-Citroen, que vai lançar um veículo poluente de nome Pallas. “Ahhhhh, que engraçado… eu quase ri…”

Eu gostaria de saber onde é que vão desenhar a linha. Meu colega Mairus Maichrovicz comentou: “Daqui a pouco pra vender pastas de dentes vão dizer que o Bin Laden derrubou o Empire States”. E por que parar por aí? Que tal dizer que morreu o papa, que a Madona virou transsexual, ou que Israel reconheceu Cristo como sendo o Messias depois de dois mil anos, ou mesmo que a pedofilia agora é legalizada para qualquer pessoa caucazóide de menos de 50 anos que não seja Hare Krshna?

Há quem viva repetindo o mantra do nosso tempo: “Ué, qual o problema?”, e é exatamente esse relativismo moral cretino que vai levar – se já não levou – essa civilização para o buraco.

Alguns de nós começamos a nos preocupar com o Efeito Estufa hoje, o que é profundamente importante, mas não podemos deixar de lado o Efeito Estúpido, negligenciado pelo Al Gore em sua apresentação, mas que vem apresentando graves efeitos a passos largos.

Podem me chamar de pouco planetriota, mas se desce um ser de outro planeta aqui eu faço uma orelha de massa de modelar e vou dizer que acabei de aterrissar e que não conheço esses terráqueos não.

“Eles me matam de vergonha…”

Barbearia Virtual

June 7, 2007  |  Tecnologia  |  No Comments

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Simples simples, mas um ótimo exemplo do poder das nossas mais simples tecnologias e seu potencial de imersão. Ouvindo isso aí com headphones fica fácil de pensar que tem alguém andando a sua volta.


Virtual BarbershopMore amazing videos are a click away

Tudo ficou mais Laura

June 6, 2007  |  Dia a dia  |  3 Comments

Quando um casal que se ama tanto se junta e fica junto um tempo, gente, de repente aparece uma coisica pequenina que é o todo maior que a soma dessas partes…

…aconteceu assim quando nasceu Laura, essa coisa fofa que vocês podem ver aí embaixo e que, com certeza, vai ser amiguinha da dona Clara.

Trabalho com esse spin-off do Mounty Python, que se chama Mairus Maichrovicz, faz uns bons 7 anos, nos tornamos grandes amigos e acabamos sócios também.

Desde que encontrou a Roberta e resolveu que ela era o ar que ele respirava, só houve progressos!

Mas progresso maior que esse não tem!

Me lembro quando ele veio me dizer, cabisbaixo, que não sabia o que tinha acontecido… que se cuidava tão bem e tal e que ia nascer menina! Quase caí na gargalhada, mas a tosqueira do comentário, eu sabia, era a melhor forma que esse ogro tinha de dizer: “EU VOU TER UMA FILHA, YUHUUUUU!”.

Mairus é um amigo querido pra todo mundo que o conhece. É o sujeito que a gente precisa do lado na mesa do bar, nos mostrando os erros do dia-a-dia sem perder o bom humor e nos fazendo rir quando a gente menos espera.

Roberta uma criatura elegante e atenciosa sem perder a chance de usar o sarcasmo nas horas certas.

Se Laura tiver metade das qualidades de um e metade dos defeitos do outro sai no lucro fácil =)

Que gostoso saber que o casal, que já era uma delícia de ver junto, agora se transformou em uma família linda!

Use Filtro Estelar

May 25, 2007  |  Como vejo o mundo...  |  1 Comment

Eu já gostava da versão original em inglês, mas esta tem tudo a ver comigo. Quem me conhece vai entender. Quem não conhece, ria à vontade da “remasterização” =)

O original de “Star Wars Sun Screen”, no YouTube.

A versão original de “Sun Screen”, no YouTube.

A versão original de “Sun Screen”, no YouTube

A versão catastrófica… “Filtro Solar”, com Pedro Bial, no YouTube

Portal de Conhecimento do NDPC

May 21, 2007  |  Ciência  |  3 Comments

Em Janeiro deste ano, a digitalorientedtechnologies – minha empresa com o Angelo Braga, Cris Dias e Mairus Maichrovicz – resolveu se engajar em uma parceria de cunho social com o Núcleo de Desenvolvimento do Potencial Cognitivo. Mas o que você tem a ver com isso?

…A princípio, nada… mas o projeto é muito interessante, de repente, você acaba se identificando com ele caso analise um pouco mais a fundo a idéia.

Sob as asas do Instituto Pão de Açúcar de Desenvolvimento Humano, o NDPC é uma instituição que aposta no Programa de Enriquecimento Instrumental e na Teoria da Modificabilidade Cognitiva Estrutural para fazer diferença com um programa suplementar de educação para adolescentes com dificuldades de aprendizado.

Embora o projeto do NDPC com o Instituto Pão de Açúcar tenha como alvo crianças carentes, o NDPC vêm trabalhando não só casos educacionais usando o PEI, mas também casos de Síndrome de Down, Doença de Alzheimer e pacientes que sofreram AVC.

Fiquei bastante impressionado com o que vi até hoje do trabalho do NDPC usando o Programa de Enriquecimento Instrumental e acabei resolvendo entrar em um curso Básico, que me habilitaria a aplicar o programa em determinado perfil de mediado.

Não é magia… é Psicopedagogia… é Psicologia Cognitiva… é Auto-Conhecimento… é conhecimento dos processos cognitivos! Cheira a Piaget, mas não é só Piaget… Lembra Vygotsky, mas não é só Vygotsky. O Programa de Enriquecimento Instrumental é uma ferramenta estruturada por Reuven Feuerstein não para um público alvo específico, mas para qualquer indivíduo interessado em ser capaz de estabelecer um maior número de relações entre sua experiência pregressa, eventos presentes e situações que ainda estão por acontecer.

Os instrumentos são muito interessantes e instigantes, apesar de sua aparente simplicidade. Através de um Mediador – aplicador de PEI – o mediado percebe qual é sua natureza na resolução de problemas, passa pela experiência de perceber que resolve todo tipo de problemas da mesma forma, identifica os processos de raciocínio, atitudes e vícios na solução destes problemas e é incentivado a buscar uma equalização de seu comportamento, transformando seus defeitos em qualidades bem dosadas.

Passando pela experiência de aprendizado na aplicação dos instrumentos, fiquei profundamente impressionado com seu potencial de ajudar o indivíduo a entender a si mesmo e toda uma série de importantes conceitos, enquanto absorve extenso vocabulário necessário para a correta compreensão dos processos mentais envolvidos no raciocínio.

Desenvolvemos o Portal de Conhecimento usando a mesma ferramenta usada na construção da Wikipedia, a maior enciclopédia da Internet – constantemente citada aqui no 5arcasmos |v|últiplos. Isso garante constantes atualizações da ferramenta e incentiva os mais de cem cadastrados na comunidade a possibilidade de publicar ensaios, casos clínicos, dúvidas, indicações de livros, discussões acerca de tópicos relacionados, fotos e ilustrações que tornem mais fácil o entendimento de seus artigos por parte de outros mediadores.


Clique na figura para ampliá-la…

O segredo do Portal, contudo, é muito menos a ferramenta que o esmerado trabalho de criação e gestão de conteúdo, feito conjuntamente por todos os Educadores, Mediadores e Profissionais de Saúde – com formação em toda sorte de disciplina além do próprio Programa de Enriquecimento Instrumental – e pela digitalorientedtechnologies, que é entusiasta do uso da tecnologia MediaWiki para a criação de comunidades do tipo.

O fato é que o custo de propriedade de um Portal de Conhecimento como este, para qualquer outra disciplina, é zero, só envolvendo um pequeno custo de implantação da ferramenta e um reduzido custo de manutenção, hospedagem e gestão de conteúdo.

Usando a mesma tecnologia, é possível gerir conteúdo de um livro feito a quatro mãos, uma pequena enciclopédia técnica acerca de um assunto determinado, todo fluxo de informações de um projeto, a gerência de projetos de qualquer tipo ou, como no caso do Sistema de Saúde do Distrito Federal – que nós também levamos a cabo – a gestão de todo conhecimento granulado na forma de artefatos de desenvolvimento de sistemas e documentação técnica multidisciplinar da área de saúde.

Aos interessados, o Portal de Conhecimento foi ao ar no dia 23 de Janeiro de 2007, e atende somente aos cadastrados, embora seja possível acompanhar seu desenvolvimento através do endereço http://ndpc.subtom.com.br.

Interessados podem pedir seu cadastro através do e-mail: ndpcontato@gmail.com, informando seu nome completo, e-mail e o nome de usuário que deseja (formado pelo nome somado a um sobrenome – ex: “JoaoSilva”).

Vale dar uma olhada!

Metalibri

April 17, 2007  |  Espaços Culturais  |  2 Comments

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Não que muita gente leia neste país, nem que alguém leia livros na tela do computador… muito menos que alguém gaste tempo e dinheiro imprimindo livros baixados da Internet em papel vergê e com tinta Veuve Clicquot…

…mas mesmo que nunca os leiamos é bom saber que há livros à nossa disposição nas prateleiras virtuais da vida, não?

Hoje em dia nem é preciso ter aquele bando de livros na estante de casa para parecer que os leu. Sequer precisamos comprar aqueles baratinhos volumes em madeira – que nem páginas têm – para impressionar os amigos e parentes que se acercam de nossas fortalezas do individualismo.

Tendo um computador a gente já tá safo!

Chega alguém em casa e pergunta: “Onde estão seus livros? Não vi nenhum!”, e basta você apontar para uma telinha quadrada, um teclado e um ratinho – que com o roedor não se parece – e dizer com toda pompa:

“In-ter-net !”

É uma espécie de palavra chave que funciona graças a influência da cultura pop interneteira nas nossas vidas. Se você quiser ainda fazer de Internet um assunto, basta dizer: “Web 2.0 é o futuro”, ou algo assim, e mudar de assunto em seguida para o Big Brother ou para as estatísticas de roubos de gravatas caras por rabinos doentes.

Agora… se o meu sarcasmo, ironia e cinismo momentâneo não te apetecem tanto quanto uma boa dica literária, vale dizer que nas esquinas da Web você tem, a sua disposição, uma gama de edições digitais de livros de domínio público em formatos para impressão e leitura na tela!

A MetaLibri deve suas origens a Sálvio Marcelo Soares, da Universidade de São Paulo, que em 2001 deu início a codificação de edições de um acervo de domínio público para a linguagem TeX e LaTeX, convertendo posteriormente as obras para o formato PDF.

Testei e aprovei o formato para ler em tela quando li “Utilitarianism“, de John Stuart Mill – ainda que não seja tão fã do pensamento utilitarista ou mesmo “conseqüencialista” – e, diante do fato que não é exatamente uma leitura “fácil”, no que diz respeito a usabilidade para leitura fiquei mais que satisfeito.

É confortável e prático ler na tela no formato em PDF ali disponibilizado e, para os que de fato querem gastar seu rico dinheirinho com tinta de impressora a R$ 6000,00 o litro, há sempre o formato para impressão disponível.

Ainda são poucos títulos – ao menos eu achei, da última vez que naveguei por lá – mas vale visitar de vez em quando para nos entretermos nos trinta minutos sabáticos passados no banheiro , na fila do açougue ou algo assim.

Revisitei o Metalibri hoje, inspirado pelo premiado filme “Memórias Póstumas de Brás Cubas” a dar uma segunda chance – sejamos honestos… primeira! – a este clássico literário que, ao que parece, teve um primeiro capítulo e contra capa visitadíssimos, pela grande maioria dos que conheço, sem ter sido de fato lido. :-)

Acessem portanto: http://metalibri.incubadora.fapesp.br/