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Em suas próprias palavras, condenado a ser o Andersen desta terra, Monteiro Lobato abriu os olhos das crianças para um Mundo das Maravilhas, onde se dava a releitura da história e das fábulas, integrando culturas e despertando a curiosidade.
Não sei se você teve a oportunidade de ler algum dos dezessete volumes das Obras Completas de Monteiro Lobato mas, se não teve, deveria gastar um tempinho procurando para seus filhos e – por que não? – para você mesmo ler.
A coleção é dividida em duas séries, uma adulta, com treze volumes e esta, da qual estou falando, com dezessete inesquecíveis portais para o Mundo das Maravilhas de Lobato – uma espécie de projeto de assimilação cultural que usava de personagens originais para fazer a criança ter contato com uma miríade de outras obras ficcionais e momentos históricos reais.
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Para mim, Monteiro Lobato foi o responsável pelo meu primeiro contato com a literatura, contato esse promovido pela Dona Lourdinha, minha mãe e amiga que usou de livros e muito amor para me fazer entender a tolerância, a justiça e a virtude.
Sem críticas vazias ao modus vivendi de hoje, concordo profundamente com a máxima de Lobato: “Um país se faz com Homens e livros”. No meu entender, não se trata de Homens e revistas, Homens e brochuras ou Homens e blogs.
Embora a tecnologia aí esteja, a praticidade, custo e a base instalada de eBooks estão muito aquém do que seria necessário para substituir os livros convencionais para cento e setenta milhões de brasileiros – dos quais uma grande parte sequer sabe ler.
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O interesse pela leitura, batalha inglória travada por uma minoria de pais, não é substituível por qualquer outro interesse. A música é um meio, o cinema é outro, a TV um terceiro – ainda que sucateado – e cada um deles cumpre um papel no crescimento da criança como pessoa. Não ler por opção é como não tomar vitamina B por opção. Por mais que não se morra disso, os sintomas são identificáveis e as sequelas dificilmente podem ser combatidas a contento.
Antes de saber ler eu ouvia Dona Lourdinha me contar as histórias. Era, para mim, um super-poder dos adultos, sorver com os olhos os rabiscos das páginas dos livros; maior ainda o poder de contar histórias, se envolver com elas e, ainda assim, cuidar das lágrimas e dos risos nervosos que um eu-criança não conseguia conter.
A conquista da leitura enquanto habilidade, da escrita enquanto forma de expressão e das pessoas que te lêem enquanto espectadores, pode ser tão mágica quanto viver no mundo de Lobato…
…e como ele mesmo disse:
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“Tentei arrancar de mim o carnegão da literatura. Impossível. Só consegui uma coisa: adiar para depois dos 30 o meu aparecimento. Literatura é cachaça. Vicia. A gente começa com um cálice e acaba pau d’água na cadeia”.
São Paulo, 16/6/1904
Minha super-heroína não me faltou, nem aos futuros netos, achando os dezessete volumes e presenteando essas já grandes mãos de criança com o saudoso tesouro literário.
Se escrever é uma cachaça de fato, bem queria eu que tivéssemos mais beberrões a cada esquina, com o dedilhar em teclados a substituir as goladas e soluços.
O primeiro Sítio do Picapau Amarelo
O novo Sítio do Picapau Amarelo
Almanaque Folha OnLine . Monteiro Lobato
Monteiro Lobato . Vida e Obra
Memória Viva . Monteiro Lobato
Projeto Memória . Monteiro Lobato
Obras Completas de Monteiro Lobato
Biblioteca Virtual do Estudante
Projeto Memória . Autores Brasileiros
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De engenheiro que não deu certo, passando por dançarino de striptease até conseguir ser ator de TV, Takeshi Kitano nos trouxe, em 2002, uma pérola da qual pouca gente fala e muita gente ia gostar de ver…
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“Dolls” é belíssimo, está passando no TeleCine e discorre acerca da natureza do amor, das desventuras a que ele pode levar e do que se perde ao abrir mão dele por medo de sofrimento.
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Como você deve saber, não acredito em sinopses, portanto, veja o filme.
Está passando na NET-Rio este mês no Domingo, dia 17/10 à 00h45… como sempre em um horário acessível! :¬)
Os preguiçosos, que querem saber logo o que eu vi de tão especial no filme, podem ler o texto disponibilizado no link mais abaixo
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As discussões sobre patriotismo, hoje, me parecem mais próximas de discussões de futebol que qualquer outra coisa. Há maturidade política no cidadão brasileiro do início do Século XXI?
Sem querer comprar nenhuma briga, convido-o a ler a bela poesia abaixo e continuar a ler este modesto post antes de meditar junto comigo acerca do que Tagore escreveu.
Onde a mente é intrépida
Onde a mente se conserva intrépida e a cabeça se mantém erguida;
Onde o conhecimento é liberto;
Onde o mundo não se esfacelou em fragmentos
…cindido por provincianos muros;
Onde as palavras emanam das profundezas da verdade;
Onde o progresso incansável estende seus braços à perfeição;
Onde o fluxo cristalino da razão não perdeu seu curso
…nos áridos desertos de rotinas inertes;
Onde a mente é conduzida adiante por Ti
…à ascensão progressiva da reflexão e da atitude,
…àquela liberdade idílica, meu Pai, permita que meu país acorde!
Rabindranath Tagore
Esta poesia foi escrita pelo ganhador do prêmio Nobel de literatura de 1913, Rabindranath Tagore (1861-1941), indiano que influenciou profundamente Ghandi e os fundadores da moderna Índia.
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Ontem a noite, no Inside Actors Studio – programa levado ao ar no Brasil pelo canal MultiShow – tive a oportunidade de ver Martin Sheen declamando em estas linhas em inglês.
Um aspirante a ator, que dissera ser formado por West Point e discordar frontalmente do ativismo de Sheen, afirmou ter ficado maravilhado com a integridade do ator e com o fato de ter se identificado tanto com ele.
Martin Sheen afirmou algo como: “Tive a oportunidade de participar de muitos filmes que demonstram minha posição de oposição a algumas políticas de nosso grande país”, e continuou, “No meu entender, ser patriota é como ser pai. Não adianta passar a mão na cabeça de seu filho toda vez que ele faz algo de errado; é necessário, para que ele não se torne um mau-caráter, que seu comportamento seja questionado e que fique bem claro para ele que errou.”
Tendo mencionado a poesia de Rabindranath Tagore, declamou-a ante os pedidos de sua platéia.
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Martin Sheen não é um cínico, não se contenta com as coisas como são nem finge conhecê-las muito bem, aceitando a realidade como ela se apresenta. Ele tenta alterar o seu meio como pode, seja através de seu ativismo ou na formação de opinião de atores mais jovens.
A noção do que é dever e o que é direito vem se perdendo há algum tempo no Brasil. Alguns esperam que o Estado tudo faça, outros que os cidadãos se mexam para que toda e qualquer coisa aconteça. Há entretanto o que é direito do cidadão e o que é dever do Estado. Quando se enturvam as fronteiras entre uma coisa e outra todo tipo de injustiça pode acontecer e todo tipo de ativismo improcedente pode ter lugar. Ser patriota é uma virtude magnífica, mas é preciso ser Patriota com Consciência!
A Consciência – essa desconhecida – se atinge pela aquisição de conhecimento, pela reflexão e por uma gama de meios que são de responsabilidade tanto do cidadão quanto do Estado.
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Se o Estado não dá condições para que o cidadão adquira o conhecimento ou tenha condições para a reflexão – se ele não viabiliza estas virtudes através da educação e da promoção de atividades culturais, por exemplo – há sim plenas condições e procedência para que indivíduos, grupos ou instituições promovam movimentos sociais de protesto.
Como disse recentemente um grande amigo meu, Alexandre Maron: “Reduzir um problema a uma questão é o primeiro passo para não resolvê-lo”. De fato, perde-se a noção do problema como um todo, quando se elege uma questão, ou sintoma, como seu causador único ou mais importante. A atitude de combate ao sintoma muitas vezes se torna meramente leviana e fútil.
Façamos o que podemos, enfim, mas o façamos com responsabilidade, sensatez e reflexão!
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Quando tinha 28 anos furtaram o meu carro. Eu não tinha vaga, na garagem de onde morava, no bairro do Flamengo e, oportunamente, até recebi a micharia do seguro.
Não comprei outro carro. Resolvi que nunca mais ia comprar um automóvel. Colocando na ponta do lápis, gastava menos com táxis durante um mês que com os custos do carro.
A escolha não é para qualquer um, concordo. Nem todo mundo abre mão do Barra Shopping todo fim de semana ou de viajar. Naquela época lembro-me que ia para lugares distantes, como a Barra, uma a duas vezes por mês no máximo.
Morando na Zona Sul do Rio de Janeiro era muito fácil não precisar de mais nada de outros bairros. A Marquês de Abrantes tem Metrô, supermercado 24horas, papelaria, academia, bar, restaurante, delicatessem, padaria, confeitaria, açougue, loja de ferragens, lavanderia, locadora de vídeo e ponto de táxi na frente de onde eu morava.
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Estava a dez minutos do trabalho e o traslado acabava que não impactava em nada o meu dia, me emprestando uma noite inteira livre e dando uma sensação deliciosa de dia produtivo.
Se morasse em São Paulo provavelmente não poderia ser assim, claro. Lá tudo é longe, cada bairro é monstruoso, o transporte público na prática inexiste e não dá para sair todos os dias usando o produto em cima do qual o Estado te diz, todos os dias, que foi projetada toda a arquitetura urbana.
É engraçado… o dono de automóvel paga o carro, o que até dá pra entender bem; o combustível, que afinal é o suprimento do produto; a manutenção, que aqui no Brasil não só é necessária graças ao uso e a qualidade, mas também a qualidade das ruas e estradas; o IPVA, que supostamente garantiria a qualidade das ruas e estradas; o estacionamento, o que me causa estranheza uma vez que o IPVA e a própria idéia de que as cidades foram projetadas para conter carros deveria cuidar disso; o seguro, para evitar que o carro seja roubado, coisa que outros tantos impostos deveriam cobrir, já que segurança é algo que deve ser provido pelo Estado.
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Somando tudo isso com tudo mais que eu me esqueci de mencionar – como o valor real em horas gastas nos engarrafamentos das ruas projetadas com o dinheiro do IPVA – fico pensando se o status de ter um carro, a possibilidade de viajar ou a condição de poder encarar a Estátua da Liberdade do New York City Center, valem todo esse dinheiro.
Com um pouco de boa vontade, creio, dá para chegar em uma conta na qual, abrindo mão do carro, valha muito mais a pena andar de ônibus, metrô e/ou táxi.
Nem comento o impacto no meio ambiente, até porque não há massa crítica de gente preocupada com isso para fazer diferença.
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Hoje moro na Ilha do Governador, ando para cima e para baixo com um laptop da empresa – com a qual tenho um contrato de comodato do aparelho – e, pasmem, ainda não tenho carro.
Tá certo… andar de Van não é o mais recomendável, com um equipamento tão caro a tira-colo, mas dá pra deixar o portátil na empresa de duas a três vezes por semana, voltando de mãos abanando e sem incomodar a patroa em casa com o fato de chegar e abrir logo a máquina.
O resto da semana, pensando bem, nem fica tão caro assim ir e voltar de táxi, luxo que os onze anos de profissão felizmente acabaram me permitindo.
Agora há pouco me perguntou o motorista: “Quer ir por onde, senhor?”, ao que eu respondi – “Confio em você, meu caro… Sei que vai fazer o melhor caminho possível. Vai na fé que a gente só vai chegar depois que estiver lá!”.

Isso nada paga, o tempo de pensar na vida, ler um livro, acessar a Internet de dentro do táxi ou simplesmente aproveitar a jornada.
Carfree Cities . O livro (em Inglês)
Carfree Cities . O site com o nome do livro (em Inglês)
World Carfree Network (em Inglês)
Carfree City . Não dirija… Viva! (em Inglês)
Por que diminuir a dependência dos automóveis? (em Inglês)
Carfree HomePage . de 10 a 40 vezes o seu peso (em Inglês)
Carfree . Grupo de discussão
Carfree . no Google
Há mais entre a vinheta de entrada da produtora e os créditos do filme que sonha nossa vã filosofia?
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Ontem aconteceu algo muito interessante! Em seguida a última publicação no blog, em que comentei “Voando Alto”, Gwyneth Paltrow (segundo o TeleCine) teria dito que o filme foi o pior filme de todos os tempos.
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Estranhamente, a notícia de que Paltrow teria dito isso acerca do filme surge um dia depois da notícia de que ela teria afirmado que seria uma mulher-gato muito mais competente que Halle Berry, no difamado “Cat-Woman”.
Como perceberam no último post meu comentário acerca do filme foi bastante positivo e, a princípio, poderia-se imaginar que fosse uma grande falta de sorte que a atriz principal (além de tudo que a crítica já havia falado) resolvesse falar tão mal do resultado final da obra.
Por que considero algo muito interessante que isso tenha acontecido?
Deixe-me tentar explicar…

“View from the Top” – ou “Voando Alto”, como acabou sendo chamando no Brasil – é uma viagem bem humorada pela busca da satisfação pessoal e profissional, não perdendo de vista os sacrifícios e dilemas que todos enfrentamos no caminho para o sucesso.
Com roteiro de Eric Wald e direção de Bruno Barreto (de “Bossa Nova“), “Voando Alto” usa a comédia como meio de abordar o crescimento pessoal e a ética profissional.
Imagino que você possa estar revirando os olhos diante do que pode parecer indulgência de um espectador capaz de ver mérito em qualquer coisa. Apesar de a tendência de fato estar em mim, o que me faz apreciar este chick-flick é a sensibilidade e inteligência com a qual Bruno Barreto e o roteirista conseguem discorrer acerca do um assunto escolhido.

Celulares que são máquinas fotográficas, que se comunicam com computadores portáteis, com som estereo, dotados de teclado QWERTY, equipados com slide-show, com botões de diversos formatos, movidos a energia cinética; para quem são feitas essas maravilhas da tecnologia moderna?
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