Com influências que vão do schottisch e da valsa até o minueto e da polca, o “Chorinho” – como os puristas não chamam mais – tem pés não só na Europa, com raízes até na África.
De jeitinho choroso de interpretar uma melodia no final do Século XIX, os “chorões” acabaram por criar um novo discurso musical, que chegou a sua forma mais definitiva na primeira década do Século XX.
Pessoalmente não suporto sinopses de filmes. No meu entender a sinopse ou crítica de um filme falam mais acerca de quem a escreveu do que do filme em si.

Adoro a sensação de ver um filme do qual não sei nada a não ser o título e do qual tenha visto o mínimo possível de material de marketing. Nem sempre é possível, ainda mais numa era em que um filme só consegue permanecer no cinema por mais de uma semana caso dezenas de milhões de dólares tiverem sido gastos em propaganda.

Minha alternativa era simplesmente tentar ignorar todos os comentários de amigos, propagandas na TV, cartazes nas ruas e tudo mais, indo ao cinema o mais no escuro possível para que minha neurose não me incomodasse demais.

Meus problemas foram em parte resolvidos quando o Cristiano Dias me apresentou ao MovieLens, um projeto acadêmico desenvolvido na Universidade de Minnesota.
Bruno Accioly
Perturbador, pertinente e instigante, “My Dinner with André” está sendo exibido no TeleCine Emotion em Setembro e Outubro, para quem gosta de Cinema, de Filosofia e de “pensar sobre a vida e as coisas”.
Foi um golpe de sorte e não mais que isso. Confesso não ser o espectador típico e não me considero nada pop no que se refere ao que gosto, faço ou vejo. Por isso mesmo estou indicando aqui um filme inusitado, fora do comum e que, em minha opinião, é uma pérola no meio de muito lixo.
Trata-se de “Meu Jantar com André“, escrito para o teatro por André Gregory e Wallace Shaw, filmado por Louis Malle, em um balé de diálogos acerca do que se considera Estabelecido e do que de fato está.
Louis Malle dirigiu também “Vanya on 42nd Street” (em 1984), de Chekhov (no Cinema), com créditos de roteiro para André Gregory, sendo também responsável por magníficas obras como “Ascenseur pour l’échafaud” (“O Ascensor para o Cadafalso”) e “Les Amans“, ambos de 1958.
Wallace Shaw é um ator versátil e até bastante requisitado, daqueles dos quais ninguém lembra mas que dão o ponto em filmes como “O Noivo da Princesa” (1987), “Simon” (1980), “All that Jazz” e “Manhattan“, de 1979.
Encontrar o filme em DVD no Brasil vai ser um golpe de sorte. Esperemos que apareça.
Para quem é mais curioso que prudente e gosta muito de ver filmes, vale a viagem. Felizmente a NET vai exibí-lo no Domingo, dia 26 de Setembro às 8 horas da manhã, e na Quinta-Feira, 14 de Outubro às 2 horas da madrugada.
Ahn… não são os melhores horários do mundo, eu sei, mas que diabos! Ouse sair da rotina!
A NET colocou no ar, há algum tempo, um sistema que lembra o assinante por e-mail que determinado filme está para ser exibido.
Se eu fosse esquecido eu usava :¬)
Atendendo a inúmeros pedidos, entrei em contato com meu amigo, o Homem Bigorna, para saber como foi seu feriado após a madrugada de seis para sete de setembro.
Como cortesia, já que somos muito amigos, ele me permitiu publicar esta foto por aqui.
Havia muito que nosso herói abandonara a vida de paladino da justiça, optando por uma vida pacata e aconchegantemente rotineira.
O destino contudo, na madrugada de 7 de Setembro, provou uma vez mais que… a realidade pode ir muito além da imaginação!
Desde tempos imemoriais as bigornas se fazem presentes em nossas vidas, ajudando-nos a trabalhar o metal, confeccionar espadas e moldar ferraduras. A história das bigornas se confunde com a história humana e qualquer criança sabe que sem as bigornas a raça humana teria se mantido em um estado evolutivo inferior.
Lado a lado, Homens e Bigornas singraram os quatro cantos do mundo, alterando-o para que ambas as espécies conquistassem seu espaço. Aproveitando-se da mútua dependência de seus talentos, as duas raças deram o exemplo de perseverança e tolerância ao longo de milênios de evolução.
Contudo nem só de bons momentos se fez a história das únicas duas espécies inteligentes do planeta. Episódios bastante lamentáveis como o Grande Massacre de Bicornia, nos idos da década de quarenta, foram eclipssados pela grande guerra, sendo ainda assim sendo imortalizados nas páginas dos livros de história e em imponentes monumentos como a estátua do último herói da resistência, Incus Anvil.
A rivalidade entre as duas espécies,na época, se fez presente na literatura, na pintura, na música e em toda forma de produção cultural.
O preconceito e intolerância entre as espécies atingiu o dia a dia e mesmo os desenhos animados infantis não escaparam de perpetuar a xenofobia.
A arte da época incentivava a constante luta entre as espécies e já parecia a todos que sempre havia sido daquela forma. Pouco se podia fazer quando escritores importantes e intelectuais falavam contra toda uma espécie, enquanto cientistas produziam preconceituosos materiais de pesquisa que justificassem as terríveis experiências científicas envolvendo bigornas recém nascidas.

Com o fim dos conflitos entre as duas espécies, uma guerra fria se estabeleceu e acabou por velar o verdadeiro problema. No preconceito contido ambas as espécies foram condenadas a não reconciliação e a não usufruírem dos benefícios antes lhes outorgado pela tolerância e pela cooperação.
É neste ponto que surge o nosso herói, que diante de circunstâncias inverossímeis demais para serem explicadas, foi mordido por uma bigorna radioativa e, daí em diante, pela união de duas raças há tanto separadas, se tornou o…
Homem Bigorna


Aguarde as aventuras do Homem Bigorna e de seu fiel companheiro Menino Alvo aqui no 5arcasmos |v|últiplos.
É muito bom ter oportunidade de estar com os amigos. Sabe aqueles amigos com os quais você realmente se identifica e os quais tanto admira? Esses mesmos.
Tenho me sentido só e, no entanto, tenho tido a oportunidade de estar mais com eles.
Vamos envelhecendo meio que separados, encontrando uns com os outros o máximo que podemos e construindo concepções do mundo que, por mais diferentes que sejam, acabam mantendo certa semelhança. Mesmo as discordâncias são cabíveis e, muitas vezes, nem se discorda tanto assim.
Essa visão comum de mundo nos define e nos ajuda a não nos sentirmos sozinhos. Isso me parece profundamente importante entre amigos… mas também me parece profundamente perigoso em larga escala.
Aproveito a solidão do momento para falar de como as coisas me parecem estar. O incauto, excessivamente confiante, bem pode passar do conforto da aprovação para a arrogância da certeza quando tem um grupo suficientemente grande por trás de si.
O determinismo não meramente me preocupa. Parece-me que, cada vez mais, os postulados tomam o lugar do questionamento e da reflexão, fazendo com que todo e qualquer empreendimento humano esteja mais emparelhado com o resultado mais imediato e óbvio do que com uma solução efetiva e duradoura.
Identifico a Globalização do Pensamento em tudo, da noção do certo e errado até a noção de quem está certo e quem está errado. E é aí que me sinto como alguém que caiu no mundo de pára-quedas.
Fico feliz que meus amigos, cada um a sua maneira, também se sintam vivendo em uma realidade distópica, que identifiquem a nossa volta elementos de romances e filmes como “1984“, “Fahrenheit 451“, “Brazil“, “Dogville“.
Cada um de nós tenta viver neste mundo disfuncional da melhor maneira que pode e tenta nele fazer diferença a medida que nossa disposição, interesses e preocupações nos permitem, sem mesmo saber se é possível arranhar a superfície dessa realidade empedernida que nos surpreende a todo momento.
A confiança com que as pessoas hoje afirmam que a humanidade evoluiu o suficiente para evitar erros do passado me assusta. É tão fácil perder a mão e trilhar um caminho fundamentalista e totalitário… e quando não se acredita nisso, abre-se a guarda justamente para construtos deste tipo.
Ao voltar da casa do Cris Dias tive a oportunidade de ver um filme que, ao que parece, pouca gente viu, e que foi muito marcante para mim quando mais novo. Trata-se de “Drop Squad – O Esquadrão da Reforma“, um filme que pode parecer retratar um mero exagero da intolerância racial, mas que para mim significa muito mais.
Minha mania de perseguir uma noção metafísica do Real, de engendrar um sem número de analogias, de identificar infinitas similaridades no Todo, podem parecer, para quem não me conhece – e até para quem me conhece – um deslumbramento pouco pragmático e infrutífero. Uma vez que concordo comigo mesmo :¬) não penso que assim seja, mesmo admitindo que possa estar errado.
Você sempre pode esquecer o que leu aqui, dar de ombros e simplesmente afirmar de si para si que discorda ou que esse post foi uma “viajada” só. Só dessa vez, contudo, tente não fazer isso; tente refletir a respeito durante o seu dia, nem que seja apenas para se questionar.
Quanto mais leitores forem capazes de se questionar, mais provável se torna que eu esteja errado, afinal…


