Outro dia procurei “Impressões e Provas“, de John Dunning e nada. Esgotou na editora.
Uma vez que prefiro ir até a livraria comprar no lugar de comprar na internet, minha vida fica muito mais difícil que a do ser humano médio.
Seja como for, achei muito chato que esse tipo de coisa possa ocorrer e, por causa disso, talvez nunca mais fosse possível encontrar este livro.
Pois é… mas uma galera boa resolveu dar um jeito nesse problema e criar, aqui no Rio, uma livraria chamada Armazém Digital, uma livraria diferente onde o leitor pode – caso o livro não mais exista para vender em lugar nenhum – baixar o material e sair de lá com uma edição em capa dura da tão procurada obra.
A loja é em Botafogo e já tem mil itens em seu acervo, pretendendo chegar em breve a cinquenta vezes isso.
Segundo Jack London, carioca de 55 anos e idealizador do projeto, potencialmente o acervo pode chegar a cinco milhões de títulos.
A Embratel, patrocinadora do empreendimento, entrou com três milhões de reais para viabilizar a idéia.
London sugere a relação entre sua idéia e o tema de um conto de Jorge Luis Borges, de 1939, que descrevia “Um lugar onde todos os saberes são possíveis”.
O Armazém digital se localiza no Rio Plaza Shopping (antigo Off-Price), General Severiano, 97, Botafogo.
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Sabe o que é mais engraçado?
Quando escrevi este título ele não foi nem em decorrência do assunto nem para atender a nada que já houvesse acontecido.
Na verdade eu sequer sabia seu significado antes de começar a escrever – por incrível que pareça.
A frase “A sorte está lançada” era minha conhecida de longa data, mas a atribuia erroneamente a Sherlock Holmes, o detetive criado por Sir Arthur Conan Doyle.
Trata-se, na verdade, de uma frase proferida por Júlio César, supostamente quando Pompeu ordenou o regresso de suas legiões e proibiu sua candidatura ao segundo cargo de cônsul. Ao recusar-se a obedecer as ordens e a ser eliminado da vida política, atravessou o rio Rubicão, no norte da Itália, teria dito “Alea jacta est” – ou “A sorte está lançada” (o “The game is afoot”, de Doyle).
A lida, contudo, não deixa muito espaço para posts ao longo do dia e continuei aqui trabalhando.
Quando o sujeito chegou na empresa, com uma pilha de livros nas mãos, jamais imaginei que fosse me chamar. É um daqueles caras que perambula pela área executiva da empresa, conversando com os diretores e presidentes, cheio de mérito e experiência em sua carreira em Tecnologia da Informação.
Há uns seis anos o sujeito me emprestara um livro de Donald Norman, “The Invisible Computer”, que me inspirou a desenvolver toda uma metodologia de projeto de interface com o usuário e, de muitas formas, mudou a forma de eu ver o as coisas.
“Bruno, vê se estes livros te ajudam aí. Esse aqui é bem legal, mesmo que você discorde do autor e tal. Sempre ajuda. Esse cara trabalhou comigo na Apple e foi ele o responsável pelo desenvolvimento da interface do MacOS.”
Agradeci muitíssimo, claro. Perguntei se ele teria uma reunião aqui na empresa e ele disse que, na verdade, viera só para me entregar os livros.
Esse tipo de coisa me deixa muito feliz. Quando a gente menos espera alguém que consideramos admirável deixa claro que gosta do nosso trabalho.
Antes de ir embora ele disse: “Agora é contigo”, ao que quase completei “Alea jacta est”.
A realidade me surpreende…
Depois de tanto tempo trabalhando na frente de uma máquina a gente acaba se esquecendo de como é difícil fazer uma simples apresentação diante de um público de cem pessoas.
Felizmente tudo correu muito bem e eu e um dos diretores da empresa acabamos montando um show a parte e muito especial, simpático e não tão egocêntrico quanto se poderia esperar de uma empresa de serviços.
Foi bom, após a apresentação, perceber que algumas pessoas realmente viram algo de novo no que Fernando Vogt prometia em termos de Integração (EAI) e eu complementava com Engenharia de Usabilidade. Na última, até mesmo a relação entre uma e outra coisa ficou mais clara para o cliente – e até para nós mesmos.
Muito melhor foi perceber que a sensibilidade do pessoal de marketing da Intersystems, que resolveu chamar Luciana Mello para cantar seus hits de sucesso para um público que, embora pequeno e acanhado, ficou muito animado com sua presença.
Em determinado momento eu e Cristiano Dias ficamos nos perguntando, pessimistas, se era aquilo que a menina queria para a vida e para a carreira dela: tocar para um público não necessariamente interessado sob contrato fechado com uma empresa sem nenhuma afinidade intrínseca com a música ou a cultura.
Complexo, né? Pois é… essa gente pseudo-intelectual é assim, chatinha e pedante : )
Tudo foi esquecido e não houve mais qualquer espaço para comentários culturalmente engajados ou existencialmente interessantes após a menina no palco dizer: “Meu pai que me ajude aqui no palco então”. Que surpresa!
A galera dançou que se acabou e sentimos falta de todos que não vieram e que sabíamos que iam adorar estar vendo aquilo, como o Rodrigo Cabral, a Patricia Mirra, a Vânia, a Adriana Moraes e a Danuza Calixto, que estavam engajados em outros projetos e empreendimentos.
Simpático como sempre, Jair Rodrigues se acabava no palco, com ajuda da filha, fazendo todo seu Misancene e, eventualmente, descendo do palco para dançar com o público.
A menina canta muito, como não podia deixar de ser… e a sensação foi muito boa em ver pai e filha ali, cantando juntos. De muitas formas isso como que acentuou a noção de que, por mais frio que seja todo o mundo corporativo, as relações de coleguismo, amizade, paixão e amor podem florescer e sobreviver ao processo, ao dia a dia, no fazendo de frutos de uma árvore que dá uma sombra gostosa e acolhedora.

Dá vontade de não cair longe dessa árvore, e de ter os colegas incidentais, as amizades conquistadas e as paixões contraídas, sempre perto, sempre presentes.
Eis que me encontro, a trabalho, no Guarujá.
Belíssimo hotel/SPA, horizontalizado, diferente, pé direito altíssimo, evento magnificamente engendrado pela Intersystems para divulgar seu banco de dados Caché e seu ferramental de EAI, o Ensemble.
Tudo lindo! O único problema é que, embora a piscina de água quente seja super convidativa e toda a infra do hotel, ligada ao entretenimento, seja impressionante, tenho tanto pra fazer e tantas palestras para assistir que não dá pra aproveitar lá muita coisa não.
Verdade seja dita, no entanto. A Intersystems foi extremamente sensível ao surpreender a seus convidados com a convincente maquiagem que fez em um dos salões do hotel. O botequim fake por eles arquitetado tinha cachaça na prateleira, mesinhas de madeira, toalhas quadriculadas e um trio que tocou e cantou música brasileira da melhor qualidade até uma da manhã de ontem.
Ponto pros gringos e para o pessoal de marketing da Intersystems Brasil.
Mais simpático do que a idéia do botequim encravado no meio do SPA de luxo só a figura de Paul Grabscheid posando de dono-do-boteco e varando a noite sem deixar a peteca cair, obviamente apreciando a música e a presença do que ele mesmo já chamou várias vezes de “sua família”.
Uma vez que ontem tive pouca oportunidade de ficar para apreciar a música e o evento, espero que, hoje, dê para aproveitar um pouco mais.
“É a burrice estampada em todas as cores, em todos sabores” (Tom Zé)
É meu primeiro Laptop, ok. A gente nunca esquece… especialmente quando é um Dell D600, topo de linha de uma das mais promissoras e presunçosas empresas de hardware com fábrica no Brasil.
Uma vez que viajo bastante a trabalho, a empresa fez um contrato de comodato comigo deixando essa poderosa maquineta com 1 GigaByte de memória e processador Pentium IV.
Até aí tudo bem… são só nomes de produtos e números cabalísticos.
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Com seis meses de uso, mais ou menos, o saldo é que todas as cores das quatro máquinas identicas que adquirimos estão com problemas: o prateado da console, a interface infra-red, o dispositivo bluetooth e o próprio monitor de cristal líquido!
Isso pra não falar do erro de projeto que resultou em um descanso de teclado que literalmente cozinha a mão esquerda do usuário – sério!
A máquina é fantástica em termos do que está funcionando, admito. Muito rápida e tudo que se espera de um Pentium IV com 1Gb de memória usando Windows XP.
Mas o acabamento é péssimo, muito próximo daquele plástico usado nas caixinhas antigas de McLanche Feliz ou na console do TK-82c, e a “fuzelagem” do aparelho é cheia de pontinhas e reentrâncias doidas pra quebrar na sua mão se você não tomar extremo cuidado.
O máximo! A máquina é super modular e todas as peças que funcionam estão ao alcance com facilidade por mil e uma portas. Mas eu não preciso trocar o que está funcionando… nem o suporte técnico.
Para ter acesso ao dispositivo bluetooth e substituí-lo por um novo, o pobre-homem teve de desmontar a máquina toda, trocar a plaquinha, montar tudo de novo só para perceber, após ligar a máquina, que o bluetooth continuava sem funcionar.
Solução? Trocar a placa mãe de todas as máquinas D600, operação esta que a Dell não efetuou, como prometido, na manhã de hoje.
Vou deixar pra outro dia a reclamação quanto a cor das consoles – até porque eles já sabiam muito bem que prata sobre material preto não resiste ao suor do mais asseado dos mortais!
Se você gostou do link para o panfleto do TK-82c, deve gostar dos links abaixo.
Pipocão que vale a pena e que foge aos padrões (baixos) de Hollywood
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Como ávido leitor de Asimov na minha adolescência, fiquei muito feliz quando ouvi falar que mais um filme fazendo alusão ao universo imaginado por ele estava saindo do forno. Fiquei dividido, contudo, quando tive a oportunidade de ver o trailer. Robôs pulando, quebrando tudo e atacando seres humanos!
Não é que nos contos e livros de Isaac Asimov isso nunca acontecesse, mas não soava muito asimoviano retratar robôs daquela forma. A sensação, basicamente, vinha do fato de Asimov não tratar robôs e seres humanos de um ponto de vista meramente maniqueísta.
Asimov, ao tratar das possibilidades da integração de robôs na sociedade humana, fazia-o com sensibilidade e imaginação, intencionalmente ou não ressaltando limites e atributos humanos no que concerne a sua tolerância e a sua capacidade de se relacionar consigo mesmo.
E o que dizer do filme que fui ver neste fim de semana? Em uma frase: Surpreendentemente bom!
Sério. Eu não esperava que o filme conseguisse unir a tendência à produtização do Cinema de hoje e a aderência às premissas do universo de Asimov e da própria adaptação cinematográfica.
A necessidade de atender um intervalo maior de demografias acabou não fazendo diferença quando o espectador nota que não estão tentando distraí-lo com os efeitos especiais, apenas usando-os para contar a história.
Acabou sendo uma adaptação bastante razoável do universo de Asimov e bastante inspiradora enquanto filme.
Se você discordou de tudo o que eu disse até aqui, saiba que eu gostei também de “O Homem Bicentenário”. Qualquer protesto é só dar uma sarcasmeada aí em baixo.


